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segunda-feira, 29 de junho de 2009

CAPÍTULO 50 - THE END

Lucila dava os últimos retoques no seu visual. O vestido preto lhe garantia uma silhueta perfeita, a maquiagem bem desenhada a deixava orgulhosa de si mesma. Estava linda. Linda para o seu dia e para o seu amor.

Cadu a esperava ansioso na sala. Andava de um lado para outro. Estava nervoso e aparentemente não tinha nenhum motivo para isso.

Depois de alguns longos minutos, Lucila finalmente apareceu no corredor da sala:
- E aí? Como eu estou?

Ele não precisou fazer tipo, nem pensar em sua resposta. Aliás, depois da cara que fez, nem precisava ter dito nada. Era óbvio que estava encantado com o que via, mas mesmo assim, sua gentileza habitual o fez expressar o que via:
- Uau! Nossa!!!! Você está maravilhosa!

Lucila riu ainda mais orgulhosa. Sabia que estava bonita, mas o elogio da Cadú era muito importante, representava um novo momento na sua vida, com sua auto-estima, com sua nova idade que estava se aproximando.

Ana, André, Flávio, Marcos, Tadeu e Carla já esperavam pela aniversariante na boate reservada. Lucila havia chamado todos seus amigos. A meia-noite Lucila completaria 34 anos e este ano era diferente, ela se sentia especial e queria dividir isso com as pessoas que amava.

Pouco depois, Lucila entrou na boate radiante, foi aplaudida pelos amigos, estava pronta para curtir sua festa.

Aos poucos outros convidados foram chegando. Bardot, que surpreendeu aparecendo acompanhada de um belo rapaz. Sim, um rapaz! Ele não tinha trinta anos, mas parecia encantado com o jeito brincalhão e despojado de Bardot.

Outra surpresa da festa foi Juca que também surgiu de mãos dadas com uma exuberante mulher. Não era qualquer mulher. Com uma mini-saia e um enorme decote chamou atenção de todos no lugar. Lucila se aproximou para cumprimentá-los:
- Juca! Que surpresa! Que bom que você veio. Aliás, que bom que vocês vieram. Como você está Manú?

Manú sorriu docemente, contradizendo a sua aparência de mulher fatal.
Ainda curiosa sobre o novo casal, Lucila, que nunca teve papas-na-língua, perguntou:
- Mas, me diz uma coisa? Que novidade é essa? Vocês estão juntos?

Manú não respondeu, apenas olhou para Juca esperando uma resposta de seu amado, que prontamente respondeu:
- Existem coisas que só o tempo pode nos mostrar. Manú deixou de ser meu braço direito, passou a ser uma grande amiga e foi por esta amiga e hoje é a mulher por quem dia a dia eu me encanto mais e mais. O mundo gira, minha vida mudou e só quero acreditar que se tudo continua com seu curso, eu....aliás, nós vamos seguir o nosso curso.

Manú ria frouxo de felicidade. Finalmente tinha conseguido o que queria, estava ao lado de Juca. Agora como sua namorada. Neste momento Manú se afastou de Lucila e

Juca para cumprimentar alguém que passava. Lucila em tom de cúmplice aproveitou o momento e falou para Juca:
- Espero que esteja feliz, você merece. Sei que não devia tocar neste assunto, mas entenda como um pedido de uma aniversariante, ok? O que houve com Bruna, onde ela está?

Juca riu. E com bom humor respondeu:
- Ela está bem. Está com Jesus. Mas isso é uma história para outro dia. Vamos beber alguma coisa?

A noite corria muito bem, todos se divertiam. Ana e André dançavam, riam. Lucila reparou nos dois. Ficava em ver aquele casal tão feliz. Se juntou a eles. Ficaram muito tempo conversando, rindo, dançando. Até que Lucila olhou para o copo de Ana e exclamou:
- Coca-cola? Coca-cola normal? Não é light?

Ana riu. André ficou nervoso. E Lucila disparou com a intimidade de uma melhor amiga:
- Você está grávida!

Ana corou. Sabia que daria bandeira em rejeitar sua cervejinha habitual. Não tinha como negar. Estava grávida! Os três se abraçaram e Ana disse:
- Já que é um dia especial, saiba que você acaba de ganhar um afilhado!

Lucila se emocionou.

O que mais de bom poderia acontecer? A noite estava divina. Lucila e Cadú se completavam, apesar do evidente nervosismo que ele demonstrava. Ele estava inquieto, acanhado, nervoso. Mas podia ser pelo pouco tempo de namoro e a conseqüente falta de intimidade com a maioria dos convidados.

A meia-noite o DJ anunciou uma pausa para os parabéns. Cadu se juntou a ela perto do bolo. A luzes se acenderam e todos começaram a cantar. Pose para fotos. E entre um flash e outro Lucila achou ter visto Rafa. Mas não fazia nenhum sentido e a alegria do momento a fez dispersar.

Lucila entregou orgulhosa o primeiro pedaço de bolo ao seu namorado. A festa prosseguiu até altas horas.

Como era a anfitriã, Lucila foi a última a ir embora. Ela e Cadú já estavam mortos jogados nos sofás da boate, acompanhando os garçons em sua arrumação frenética. Cadeiras sobre as mesas, vassouras. Era hora de ir.

Lucila foi ao banheiro, antes do casal partir. Cadú ficou sentando a esperando. Foi quando alguém bateu em seu ombro:
- E aí bonitão? Aproveitou a festa?

- Você de novo? Não basta encher o eu saco me ligando o dia inteiro, querendo me intimidar. Você é muito cara-de-pau de vir a uma festa que não foi convidado.

- Tem certeza de que não fui? Não tem, não é?

Lucila voltou do banheiro e não acreditou na cena que via. Cadu discutia com... Rafa! Não tinha sido uma alucinação. Ele estava mesmo lá. Ela correu em direção aos dois que estavam a um passo de trocar socos.
- O que está acontecendo? O que vocês estão fazendo?

Rafa sorriu, como se nada tivesse acontecido. Se aproximou de Lucila, pegou sua mão e com a voz melada disse:
- Parabéns meu amor. Você está linda.

Lucila puxou a mão atordoada. Olhou para Cadu que estava vermelho de raiva e agora furioso perguntava:
- Lucila! Você convidou este canalha?

Antes que Lucila pudesse responder, irônico, Rafa disse para Cadú:
- Ah... você achava mesmo que eu não viria? Meu amigo, você acabou de chegar. E eu? Eu faço parte da vida de Lucila há muito tempo. Não existe a possibilidade de eu não estar na sua festa de aniversário. Entendeu?

Lucila estava tonta. Não entendia o que Rafa estava fazendo ali. Estava magoada com o jeito que Cadu se dirigiu a ela. Decidiu sair e deixar os dois pra trás. Saiu correndo em direção a porta.

Cadu foi atrás gritando seu nome. Lucila se irritou:
- Me deixa em paz. Eu cansada. Chega dessa confusão!

Batendo a porta do táxi, foi embora.

Foi chorando até sua casa. Não sabia direito por que. Não era por Rafa, nem por Cadú. Era por ela. Vivia tão em função dos homens ou a procura deles, que às vezes se esquecia dela mesma. Dos seus gostos, dos seus desejos.
- O que eu realmente quero para mim? – pensou em voz alta, despertando a curiosidade do motorista.

Ela queria um trabalho legal, ela tinha. Um apartamento confortável, ela tinha. Talvez não tivesse todas as roupas de que gostaria, mas certamente tinha os melhores amigos. E tinha Cadú, com quem não precisava fingir ser outra pessoa. Não existiam expectativas, nem cobranças, era bom. Mas até onde iria? Até onde Lucila queria ir?

Entrando em casa, foi direto para a cama. Se atirou sem mesmo tirar a roupa. Sentiu que tinha deitado em cima de alguma coisa. Era uma caixa. Uma caixa de jóia em feltro preto. Lucila abriu e eram duas alianças douradas. Sentiu um calafrio.

A campainha tocou, ela saiu em disparada. Só podia ser Cadú que correu para a ver abrir seu presente e para a pedir em casamento. Lucila abriu a porta afoita, com a caixa na mão.
- Oi Lú. Humm estou vendo que achou meu presentinho. Pelo seu sorriso, entendo que isso é um sim.

Ele se aproximou dela. Lucila sem pensar reagiu aos seus instintos e lhe deu um tapa na cara.
- O que você acha que eu sou, hein, Rafa? Acha que eu vou amolecer por causa dessa porcaria? Quem te deu permissão pra entrar na minha casa! Toma isso e vai embora. Você já arruinou demais minha vida, não vai estragar meu aniversário.

Batendo a porta na cara do ex-namorado, Lucila correu para ligar para Cadú.
- Onde você está?

- Estou aqui embaixo. Acabei de ver um pilantra saindo do prédio com cinco dedos estampados na cara. Você tem idéia do que seja isso?

Os dois riram. Cadú subiu.

Não foi naquela noite que Cadú a pediu em casamento, e na verdade, nem ela sabia quando seria. Mas estavam felizes, se completavam, se entendiam.
Lucila teve certeza de que era aquilo que ela queria para sua vida. A forma como o relacionamento aconteceria, se seria um namoro, um casamento, morar juntos ... isso agora não era a questão. Ela tinha o mais importante: o amor da sua vida.


FIM

sexta-feira, 24 de abril de 2009

CAPÍTULO 29

Era inegável! Suas melhores transas tinham sido com Rafa. Não pela performance em si, mas pelo sabor do inesperado. Rafa era ótimo em surpresas. Quando se menos esperava, lá estava ele cheio de vontade. E nos lugares mais improváveis. Lucila tinha apagado isso da sua cabeça. Mas depois da sua visita ao escritório de Rafa, era impossível esquecer. Ela adorava isso nele. Esse eterno tesão, parecia um adolescente.

Claro que nem sempre foi assim. Havia períodos enquanto namoravam que ele se distanciava. Era um indício de que havia algo acontecendo. Era como se o tratamento que Rafa dispensava a Lucila passasse de namorado apaixonado a irmão dedicado. O carinho continuava, mas de uma forma diferente. A relação se tornava quase fraternal.

Agora Lucila não pensava no passado. Ou pelo menos tentava não pensar. Focava no que ele tinha de melhor. E realmente tudo estava indo muito bem. Ele realmente estava mudado e parecia disposto a fazê-la feliz.

Faltavam apenas alguns dias pro casamento de Ana e André quando eles convidaram Lucila e Rafa para jantar. Rafa se dava muito bem com André, o que deixava as meninas muito felizes. Sempre sonharam em terem pares que fossem amigos. E a última tentativa de Lucila, quando ela ficou com Rodolfo, um amigo de André, não tinha dado nada certo. Mas agora tudo ia bem. Tão bem que no meio do jantar Ana fez uma pausa na conversa batendo o talher no copo e pediu a atenção formal do casal:
- Eu tenho duas perguntas pra vocês. Na verdade, nós temos. Não é amor? – André balançou a cabeça dizendo que sim - A segunda pergunta é condicionada a resposta da primeira.

Lucila riu com a enrolação de Ana. E interrompeu:
- Anda Ana, pergunta logo! O que você quer saber?

Ana riu também e levantou as mãos pedindo calma:
- Bom o que eu quero saber. Aliás, nós queremos saber, é... – olhou pra Rafa e perguntou – Vocês estão namorando de novo?

Lucila tremeu. Não consegui disfarçar. Não sabia o que fazer. Então riu. E foi muito pior, pois saiu uma gargalhada debochada de bruxa louca que chamou atenção de todo o restaurante. Quando notou o efeito da sua reação, enrubesceu e se calou. Então Rafa disse olhando para Lucila:
- Bom eu tinha a resposta na ponta da língua, mas não sei muito bem o que a Lú pensa. Depois dessa gargalhada, estou com medo de levar um fora. – o tom era de brincadeira, mas também tinha o objetivo de entender se ele podia ou não prosseguir na sua resposta.

Lucila sorriu. Aliviada, sentiu que suas bochechas esfriavam. Então se virou pra Rafa e disse:
- Minha gargalhada não quer dizer nada, juro. Pode continuar.

Ana e André eram expectadores atentos. Olhavam todos os gestos e movimentos de seus entrevistados, torcendo por um final feliz.
Então Rafa olhou pra Ana, que aguardava a resposta e disse:
- Aninha, eu estou namorando a Lú. Agora se ela está me namorando você tem que perguntar a ela.

Ana e Lucila riram alto, como se tivessem ouvido algo muito, muito engraçado. Mas não era isso. As duas sabiam o quanto estavam torcendo por isso. Ana nem esperou a resposta da amiga e logo emendou a segunda pergunta.
- Bom se vocês estão namorando. Eu queria fazer nossa segunda pergunta. – olhou pra André pedindo aprovação, que ele deu com uma piscadinha – Lú, você é minha madrinha número um. Ah! Você sabe disso! E por isso precisa de um bom par e sei que não é o caso do meu primo punk.

Lucila e Rafa sorriram. Sabiam onde Ana ia chegar. Ela continuou:
- Então. Pensando nisso. Rafa, você aceita ser nosso padrinho junto com a Lucila?

Rafa olhou pra Lú e deu um beijo em seu rosto. Depois respondeu:
- Se você me prometer que seu primo punk não vai me bater. Eu aceito.

Todos riram e comemoraram com brindes e abraços. Rafa pediu um vinho caríssimo pra os noivos. Lucila era só alegria.

Diante de tanta felicidade, Ana não podia nem pensar e falar o que não saía de sua cabeça: o casamento de Bruna e Juca. Rafa e Lucila namoravam e ele tinha sido um completo cafajeste se agarrando com uma prima do noivo. Foi a gota d’água pra Lucila que acabou o namoro ali mesmo. Ana estava muito insegura com essa decisão de convidar Rafa para padrinho. Sabia que tinha que apoiar sua melhor amiga, mas tinha muito medo de que aquela cena pudesse se repetir. Como não conseguia esquecer esta história, deu um jeito de chamar André num canto e pediu para que André tivesse uma conversa séria com Rafa. André concordou.

Ana chamou Lucila pro banheiro e fez um sinal pro noivo. Lucila já estava meio altinha e esbarrava nas cadeiras por onde passava. A idéia de Ana era segurar a amiga no banheiro pelo maior tempo possível para que André pudesse enquadrar Rafa.

André tinha entendido o sinal da noiva e logo que as duas se afastaram se virou pra Rafa:
- E aí meu chapa? Agora é pra valer o lance com a Lucila? Cara, você sabe que eu segurei algumas armações suas no passado, mas eu queria te dizer que desta vez não vou aliviar pra você. Gosto muito de Lucila e não acho que ela mereça sofrer. E acho que você já percebeu que de novo ela ta caidinha por você, né?

Rafa estava sério. Nunca tinha pensado o quanto tinha feito mal pra Lucila. Acreditava que tinha errado, mas no fundo, achava que eram erros bobos, conseqüência da sua imaturidade na época. Agora sabia o que queria. Queria Lucila. André não parou:
- Você sabe que compromisso sério significa sair só com a sua mulher? E se você pretende ir a fundo nessa relação, vai chegar o momento da calcinha de algodão e você vai ter que encarar.

- Calcinha de algodão?

- É, brother! Lingerie de renda é só no namoro, no início. Depois que vocês ficam mais íntimos ela vai aparecer de calcinha de algodão e sutiã descombinado. E se você realmente for apaixonado por ela não só via encarar, como vai achar um tesão!


Rafa riu. Mas não gostou muito da metáfora do amigo. Aliás, ele teve medo de não ser uma metáfora. Mas fez cara de quem concorda.
- André, eu descobri que amo a Lucila!

André o interrompeu:
- Quando você percebeu isso? Não foi agora! Você sempre a amou e isso nunca te impediu de pular a cerca.

Rafa se desconsertou, mas tentou continuar:
- Eu sei! Eu sei! André, eu era um moleque. Mandei mal eu sei. Eu não vou repetir os mesmos erros. Eu quero calcinha de algodão! Pode acreditar.

Vendo que as duas voltavam do banheiro, André apenas concordou com a cabeça. Rafa estava devidamente advertido e até mesmo André acreditou que ele estivesse disposto a namorar direito com Lucila. Com um sorriso calmo que deu pra Ana, ela entendeu que tudo estava bem.