Lucila dava os últimos retoques no seu visual. O vestido preto lhe garantia uma silhueta perfeita, a maquiagem bem desenhada a deixava orgulhosa de si mesma. Estava linda. Linda para o seu dia e para o seu amor.
Cadu a esperava ansioso na sala. Andava de um lado para outro. Estava nervoso e aparentemente não tinha nenhum motivo para isso.
Depois de alguns longos minutos, Lucila finalmente apareceu no corredor da sala:
- E aí? Como eu estou?
Ele não precisou fazer tipo, nem pensar em sua resposta. Aliás, depois da cara que fez, nem precisava ter dito nada. Era óbvio que estava encantado com o que via, mas mesmo assim, sua gentileza habitual o fez expressar o que via:
- Uau! Nossa!!!! Você está maravilhosa!
Lucila riu ainda mais orgulhosa. Sabia que estava bonita, mas o elogio da Cadú era muito importante, representava um novo momento na sua vida, com sua auto-estima, com sua nova idade que estava se aproximando.
Ana, André, Flávio, Marcos, Tadeu e Carla já esperavam pela aniversariante na boate reservada. Lucila havia chamado todos seus amigos. A meia-noite Lucila completaria 34 anos e este ano era diferente, ela se sentia especial e queria dividir isso com as pessoas que amava.
Pouco depois, Lucila entrou na boate radiante, foi aplaudida pelos amigos, estava pronta para curtir sua festa.
Aos poucos outros convidados foram chegando. Bardot, que surpreendeu aparecendo acompanhada de um belo rapaz. Sim, um rapaz! Ele não tinha trinta anos, mas parecia encantado com o jeito brincalhão e despojado de Bardot.
Outra surpresa da festa foi Juca que também surgiu de mãos dadas com uma exuberante mulher. Não era qualquer mulher. Com uma mini-saia e um enorme decote chamou atenção de todos no lugar. Lucila se aproximou para cumprimentá-los:
- Juca! Que surpresa! Que bom que você veio. Aliás, que bom que vocês vieram. Como você está Manú?
Manú sorriu docemente, contradizendo a sua aparência de mulher fatal.
Ainda curiosa sobre o novo casal, Lucila, que nunca teve papas-na-língua, perguntou:
- Mas, me diz uma coisa? Que novidade é essa? Vocês estão juntos?
Manú não respondeu, apenas olhou para Juca esperando uma resposta de seu amado, que prontamente respondeu:
- Existem coisas que só o tempo pode nos mostrar. Manú deixou de ser meu braço direito, passou a ser uma grande amiga e foi por esta amiga e hoje é a mulher por quem dia a dia eu me encanto mais e mais. O mundo gira, minha vida mudou e só quero acreditar que se tudo continua com seu curso, eu....aliás, nós vamos seguir o nosso curso.
Manú ria frouxo de felicidade. Finalmente tinha conseguido o que queria, estava ao lado de Juca. Agora como sua namorada. Neste momento Manú se afastou de Lucila e
Juca para cumprimentar alguém que passava. Lucila em tom de cúmplice aproveitou o momento e falou para Juca:
- Espero que esteja feliz, você merece. Sei que não devia tocar neste assunto, mas entenda como um pedido de uma aniversariante, ok? O que houve com Bruna, onde ela está?
Juca riu. E com bom humor respondeu:
- Ela está bem. Está com Jesus. Mas isso é uma história para outro dia. Vamos beber alguma coisa?
A noite corria muito bem, todos se divertiam. Ana e André dançavam, riam. Lucila reparou nos dois. Ficava em ver aquele casal tão feliz. Se juntou a eles. Ficaram muito tempo conversando, rindo, dançando. Até que Lucila olhou para o copo de Ana e exclamou:
- Coca-cola? Coca-cola normal? Não é light?
Ana riu. André ficou nervoso. E Lucila disparou com a intimidade de uma melhor amiga:
- Você está grávida!
Ana corou. Sabia que daria bandeira em rejeitar sua cervejinha habitual. Não tinha como negar. Estava grávida! Os três se abraçaram e Ana disse:
- Já que é um dia especial, saiba que você acaba de ganhar um afilhado!
Lucila se emocionou.
O que mais de bom poderia acontecer? A noite estava divina. Lucila e Cadú se completavam, apesar do evidente nervosismo que ele demonstrava. Ele estava inquieto, acanhado, nervoso. Mas podia ser pelo pouco tempo de namoro e a conseqüente falta de intimidade com a maioria dos convidados.
A meia-noite o DJ anunciou uma pausa para os parabéns. Cadu se juntou a ela perto do bolo. A luzes se acenderam e todos começaram a cantar. Pose para fotos. E entre um flash e outro Lucila achou ter visto Rafa. Mas não fazia nenhum sentido e a alegria do momento a fez dispersar.
Lucila entregou orgulhosa o primeiro pedaço de bolo ao seu namorado. A festa prosseguiu até altas horas.
Como era a anfitriã, Lucila foi a última a ir embora. Ela e Cadú já estavam mortos jogados nos sofás da boate, acompanhando os garçons em sua arrumação frenética. Cadeiras sobre as mesas, vassouras. Era hora de ir.
Lucila foi ao banheiro, antes do casal partir. Cadú ficou sentando a esperando. Foi quando alguém bateu em seu ombro:
- E aí bonitão? Aproveitou a festa?
- Você de novo? Não basta encher o eu saco me ligando o dia inteiro, querendo me intimidar. Você é muito cara-de-pau de vir a uma festa que não foi convidado.
- Tem certeza de que não fui? Não tem, não é?
Lucila voltou do banheiro e não acreditou na cena que via. Cadu discutia com... Rafa! Não tinha sido uma alucinação. Ele estava mesmo lá. Ela correu em direção aos dois que estavam a um passo de trocar socos.
- O que está acontecendo? O que vocês estão fazendo?
Rafa sorriu, como se nada tivesse acontecido. Se aproximou de Lucila, pegou sua mão e com a voz melada disse:
- Parabéns meu amor. Você está linda.
Lucila puxou a mão atordoada. Olhou para Cadu que estava vermelho de raiva e agora furioso perguntava:
- Lucila! Você convidou este canalha?
Antes que Lucila pudesse responder, irônico, Rafa disse para Cadú:
- Ah... você achava mesmo que eu não viria? Meu amigo, você acabou de chegar. E eu? Eu faço parte da vida de Lucila há muito tempo. Não existe a possibilidade de eu não estar na sua festa de aniversário. Entendeu?
Lucila estava tonta. Não entendia o que Rafa estava fazendo ali. Estava magoada com o jeito que Cadu se dirigiu a ela. Decidiu sair e deixar os dois pra trás. Saiu correndo em direção a porta.
Cadu foi atrás gritando seu nome. Lucila se irritou:
- Me deixa em paz. Eu cansada. Chega dessa confusão!
Batendo a porta do táxi, foi embora.
Foi chorando até sua casa. Não sabia direito por que. Não era por Rafa, nem por Cadú. Era por ela. Vivia tão em função dos homens ou a procura deles, que às vezes se esquecia dela mesma. Dos seus gostos, dos seus desejos.
- O que eu realmente quero para mim? – pensou em voz alta, despertando a curiosidade do motorista.
Ela queria um trabalho legal, ela tinha. Um apartamento confortável, ela tinha. Talvez não tivesse todas as roupas de que gostaria, mas certamente tinha os melhores amigos. E tinha Cadú, com quem não precisava fingir ser outra pessoa. Não existiam expectativas, nem cobranças, era bom. Mas até onde iria? Até onde Lucila queria ir?
Entrando em casa, foi direto para a cama. Se atirou sem mesmo tirar a roupa. Sentiu que tinha deitado em cima de alguma coisa. Era uma caixa. Uma caixa de jóia em feltro preto. Lucila abriu e eram duas alianças douradas. Sentiu um calafrio.
A campainha tocou, ela saiu em disparada. Só podia ser Cadú que correu para a ver abrir seu presente e para a pedir em casamento. Lucila abriu a porta afoita, com a caixa na mão.
- Oi Lú. Humm estou vendo que achou meu presentinho. Pelo seu sorriso, entendo que isso é um sim.
Ele se aproximou dela. Lucila sem pensar reagiu aos seus instintos e lhe deu um tapa na cara.
- O que você acha que eu sou, hein, Rafa? Acha que eu vou amolecer por causa dessa porcaria? Quem te deu permissão pra entrar na minha casa! Toma isso e vai embora. Você já arruinou demais minha vida, não vai estragar meu aniversário.
Batendo a porta na cara do ex-namorado, Lucila correu para ligar para Cadú.
- Onde você está?
- Estou aqui embaixo. Acabei de ver um pilantra saindo do prédio com cinco dedos estampados na cara. Você tem idéia do que seja isso?
Os dois riram. Cadú subiu.
Não foi naquela noite que Cadú a pediu em casamento, e na verdade, nem ela sabia quando seria. Mas estavam felizes, se completavam, se entendiam.
Lucila teve certeza de que era aquilo que ela queria para sua vida. A forma como o relacionamento aconteceria, se seria um namoro, um casamento, morar juntos ... isso agora não era a questão. Ela tinha o mais importante: o amor da sua vida.
FIM
Mostrando postagens com marcador blog feminino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador blog feminino. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 29 de junho de 2009
CAPÍTULO 50 - THE END
Marcadores:
amor,
Barbara Ferreira,
blog feminino,
casamento,
jesus,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
madrinha,
mulher,
namoro,
novela no blog,
novela on line
domingo, 28 de junho de 2009
CAPÍTULO 49
Algumas semanas depois...
Juca aos poucos recuperava o prestígio que perdera no mercado. A condenação de Marcelo Zacaro, Waldemar Zacaro e de Antonio Carlos, o ajudou a reforçar sua inocência.
Há algumas semanas Manú voltou a trabalhar na JAEH. Entediada em seu novo emprego, não resistiu ao pedido de seu antigo chefe. Os dois trabalhavam loucamente, tentando colocar as coisas no lugar.
Em uma manhã, como de costume, Manú separava a correspondência de Juca. No meio de contas, boletos, uma carta de Bruna. Era um envelope pardo e grande. O ciúme de Manú mais uma vez falava mais alto e a lembrava o motivo que a tinha feito se demitir.
Seu primeiro pensamento foi dar um fim aquela carta. Logo agora que as coisas iam tão bem. Ela e Juca eram mais do que companheiros de trabalho, eram amigos, cúmplices. Dividiam seus momentos de lazer, suas angústias, suas alegrias. Há dias
Juca não ouvia falar em Bruna. Segundo ele, a tentativa de reaproximação dos dois foi um fracasso. Juca nunca esqueceria a traição. Bruna não se sentia merecedora do carinho do ex-marido. A combinação disso tudo era desastrosa. Sem combinar, se afastaram. Com o tempo, os dois pararam de se telefonar, de se encontrar e atualmente Juca não tinha notícias da ex-mulher. Mas agora Bruna enviava uma carta e Manú fervia de raiva.
Antes que pudesse tomar qualquer atitude, Juca entrou pela sala. Brincalhão, deu um tapinha na cadeira de Manú e puxou da suas mãos o envelope pardo:
- Humm... hora da correspondência. Será que Papai Noel finalmente vai responder minha cartinha?
Ainda rindo, começou a ver do que se tratava o envelope. Mas ao contrário do que ele mesmo esperaria dele, não ficou nervoso, nem se abalou o perceber que eram notícias de Bruna. Rasgou o envelope e antes de ler disse:
- É da Bruna. Vamos ver o que ela quer.
Juca começou a ler em voz alta. Manú se surpreendeu, mas se ajeitou na cadeira para ouví-lo.
Juca,
Não repetirei nesta carta o meu pedido de desculpas e nem espero que um dia você consiga realmente me desculpar. Escrevo esta para lhe agradecer por tudo que fez por mim, mesmo eu não merecendo.
Continuo fazendo meu trabalho voluntário, de acordo com a minha sentença. Por incrível que pareça, é o meu melhor momento. É quando me sinto útil e que realmente faço algo de bom para alguém. Dar aulas para crianças carentes é um privilégio. Ensino informática, mas acho que aprendo muito mais do que ensino.
E foi através deste projeto social, que conheci o Pastor Germano. Um homem bom, que semanalmente sai de sua igreja para ensinar a palavra de Deus a estes pequeninos seres. Eu sempre assisto às suas aulas e confesso que há anos não me sentia tão próxima de Deus. Foi através da palavra do Pastor Germano que me converti e hoje sou mais uma em seu rebanho.
Hoje trabalho para a igreja e o que recebo é o suficiente para manter minha nova casa. Simples, mas cheia de amor. Percebi que tenho tudo o que preciso. Tenho Jesus, nada mais me falta.
Todos os dias, durante o culto, peço a Deus que ilumine seus caminhos e que Jesus abençoe um homem tão bom como você. Peço também por Lucila e Ana, amigas tão especiais, que merecem a glória divina.
Por isso, lhe envio a escritura do apartamento. Não preciso dele, nem de sua caridosa pensão. Estou bem, em paz e feliz. Meus dias de trevas terminaram. Graças à Jesus, hoje estou diante da luz.
Que Jesus lhe acompanhe.
Bruna.
Manú tinha vontade de rir, mas se controlou. Juca ficou pasmo relendo para se certificar do que tinha acabado de ler. Procurou no envelope e realmente os documentos do apartamento estavam lá, todos em seu nome. Bruna tinha virado evangélica? Seria mesmo a igreja evangélica o abrigo dos arrependidos?
Juca aos poucos recuperava o prestígio que perdera no mercado. A condenação de Marcelo Zacaro, Waldemar Zacaro e de Antonio Carlos, o ajudou a reforçar sua inocência.
Há algumas semanas Manú voltou a trabalhar na JAEH. Entediada em seu novo emprego, não resistiu ao pedido de seu antigo chefe. Os dois trabalhavam loucamente, tentando colocar as coisas no lugar.
Em uma manhã, como de costume, Manú separava a correspondência de Juca. No meio de contas, boletos, uma carta de Bruna. Era um envelope pardo e grande. O ciúme de Manú mais uma vez falava mais alto e a lembrava o motivo que a tinha feito se demitir.
Seu primeiro pensamento foi dar um fim aquela carta. Logo agora que as coisas iam tão bem. Ela e Juca eram mais do que companheiros de trabalho, eram amigos, cúmplices. Dividiam seus momentos de lazer, suas angústias, suas alegrias. Há dias
Juca não ouvia falar em Bruna. Segundo ele, a tentativa de reaproximação dos dois foi um fracasso. Juca nunca esqueceria a traição. Bruna não se sentia merecedora do carinho do ex-marido. A combinação disso tudo era desastrosa. Sem combinar, se afastaram. Com o tempo, os dois pararam de se telefonar, de se encontrar e atualmente Juca não tinha notícias da ex-mulher. Mas agora Bruna enviava uma carta e Manú fervia de raiva.
Antes que pudesse tomar qualquer atitude, Juca entrou pela sala. Brincalhão, deu um tapinha na cadeira de Manú e puxou da suas mãos o envelope pardo:
- Humm... hora da correspondência. Será que Papai Noel finalmente vai responder minha cartinha?
Ainda rindo, começou a ver do que se tratava o envelope. Mas ao contrário do que ele mesmo esperaria dele, não ficou nervoso, nem se abalou o perceber que eram notícias de Bruna. Rasgou o envelope e antes de ler disse:
- É da Bruna. Vamos ver o que ela quer.
Juca começou a ler em voz alta. Manú se surpreendeu, mas se ajeitou na cadeira para ouví-lo.
Juca,
Não repetirei nesta carta o meu pedido de desculpas e nem espero que um dia você consiga realmente me desculpar. Escrevo esta para lhe agradecer por tudo que fez por mim, mesmo eu não merecendo.
Continuo fazendo meu trabalho voluntário, de acordo com a minha sentença. Por incrível que pareça, é o meu melhor momento. É quando me sinto útil e que realmente faço algo de bom para alguém. Dar aulas para crianças carentes é um privilégio. Ensino informática, mas acho que aprendo muito mais do que ensino.
E foi através deste projeto social, que conheci o Pastor Germano. Um homem bom, que semanalmente sai de sua igreja para ensinar a palavra de Deus a estes pequeninos seres. Eu sempre assisto às suas aulas e confesso que há anos não me sentia tão próxima de Deus. Foi através da palavra do Pastor Germano que me converti e hoje sou mais uma em seu rebanho.
Hoje trabalho para a igreja e o que recebo é o suficiente para manter minha nova casa. Simples, mas cheia de amor. Percebi que tenho tudo o que preciso. Tenho Jesus, nada mais me falta.
Todos os dias, durante o culto, peço a Deus que ilumine seus caminhos e que Jesus abençoe um homem tão bom como você. Peço também por Lucila e Ana, amigas tão especiais, que merecem a glória divina.
Por isso, lhe envio a escritura do apartamento. Não preciso dele, nem de sua caridosa pensão. Estou bem, em paz e feliz. Meus dias de trevas terminaram. Graças à Jesus, hoje estou diante da luz.
Que Jesus lhe acompanhe.
Bruna.
Manú tinha vontade de rir, mas se controlou. Juca ficou pasmo relendo para se certificar do que tinha acabado de ler. Procurou no envelope e realmente os documentos do apartamento estavam lá, todos em seu nome. Bruna tinha virado evangélica? Seria mesmo a igreja evangélica o abrigo dos arrependidos?
Marcadores:
Barbara Ferreira,
blog feminino,
blognovela,
lucila,
lucila 33,
namoro,
novela no blog,
novela on line
segunda-feira, 22 de junho de 2009
CAPÍTULO 47
Sol, sombra e cerveja gelada. O que mais Lucila podia querer? Mais nada certo? Errado! Apesar da incrível beleza do lugar e da companhia divertidíssima de Marcos, alguma coisa faltava pra ela. Era Cadu.
Desde que havia o encontrado no escritório, daquela maneira tão fria, não parava de pensar nele e na noite maravilhosa que tiveram juntos. Não entendia porque ele não retornou quando ela ligou para contar de Rafa. Ao contrário, ele foi bem ríspido e depois não apareceu mais. Lucila achava que eles poderiam ficar juntos, mas se enganou. É... Cadu era mais um cafajeste que depois que conseguiu o que queria, desapareceu.
Mesmo com o empenho de Marcos, Lucila não conseguia se animar. Ia dormir cedo, acordava tarde, andava mal vestida e mal cuidada pelos cantos do resort. Marcos, que sabia de tudo que havia acontecido com ela, tentava a enturmar em seu novo grupo de amigos, mas ela não se interessava.
As férias que seria para colocar sua cabeça no lugar, estavam a colocando em direção de alguém que não a queria. Racionalmente era isso que parecia, mas Lucila não acreditava. Cadu não era aquele tipo de homem. Ou era?
Olhou em volta e viu que Marcos estava bem entretido entre seus novos amigos, então pegou seu celular. Sem pensar, sem pesar, sem se fazer de boazona, difícil ou algo assim. Ela precisava saber. Por isso, ligou para Cadu.
Ele atendeu surpreso:
- Lucila?
- Oi. Eu queria te fazer uma pergunta.
- Uma pergunta?
- Sim. Por favor, responda sinceramente.
- Que pergunta?
- Porque você não me ligou mais?
- Por que? Como porque?
- Isso, quero saber porque? Não que eu esperasse que fossemos namorar, não é isso. Eu Só achava que pelo menos éramos amigos.
- Namorar?
A ligação caiu. Era inacreditável, mas a bateria tinha acabado e Lucila havia esquecido seu carregador em casa. Chegou a correr para um telefone fixo e depois desistiu. Podia ser um aviso do destino. Ficou na sua cabeça a pergunta que ele fez em tom de surpresa: -“Namorar?”. Que raiva que sentia de si mesma. Agora ele achava que ela queria namorar com ele. Não queria! Não queria?
Lucila foi para o quarto esperar a noite chegar.
No rio, Cadu ainda ficou um tempo olhando para o celular. Tentava ligar de volta e não conseguia. Ele já estava trabalhando no escritório de Bardot e foi ela que ouvindo seu telefonema, resolveu que deveria se meter.
- Cadu, você pode vir aqui na minha sala?
Cadu entrou e fechou a porta a pedido de Bardot. Ela perguntou:
- Cadu, meu querido. Por que você ainda não foi atrás de Lucila? Se precisar de uns dias, são seus!
- Não estou entendendo Bardot.
- Eu sou bem velha pra me enganar. Sei muito bem quando duas pessoas estão apaixonadas.- Mas...Lucila tem namorado.
Bardot soltou uma enorme gargalhada. Ainda rindo disse:
- Tinha, né? Terminou logo depois de uma certa festa em Itatiaia. Vai me dizer que você não sabia?
- Não!
- Então agora sabe. E não quero vê-lo nesse escritório nos próximos dias. Estamos entendidos?
Cadu estava atordoado. As coisas começavam a fazer sentido. Quando Lucila o procurou querendo falar de Rafa, ele ficou furioso. Achou que ela quisesse conselhos de como lidar com o namorado mesmo depois do que tiveram juntos. Mas agora percebia que ela podia estar apenas querendo lhe contar sobre o término. Como tinha sido idiota.
Tentou ligar mais algumas vezes e nada. Pegou suas coisas e saiu do escritório atônito.
Depois de dormir durante quase todo o dia, Lucila foi acordada por Marcos que a obrigou a tomar um banho e vestir pois eles iriam sair. Lucila obedeceu, mesmo sem nenhuma vontade. Colocou o vestido que Marcos separou e até deixou que ele o maquiasse. Estava linda, mas triste como nunca esteve antes.
Os dois foram para a boate do hotel e Marcos logo apareceu com uma taça de prosseco. Lucila bebeu essa e muitas outras que surgiram. Ao contrário do que queria, a bebida não a deixou feliz e sim cada vez mais deprimida. Em um momento que Marcos conversava com um grupo, ela saiu de fininho. Parou em frente a uma das piscinas, agora iluminada pela lua cheia. Zonza de bebida chegou a ver Cadu caminhando pela borda da piscina. Esfregou os olhos, e continuava a ter aquela visão. Então fechou os olhos por alguns segundos esperando que a visão fosse embora. Sentiu um braço em seu ombro, seguida de uma voz bastante familiar:
- Talvez não seja uma boa hora para um mergulho. Não quer entrar?
Lucila não acreditou no que via. Era Cadu bem ali na sua frente. Antes mesmo que ela pudesse dizer alguma coisa, ele a beijou.
Desde que havia o encontrado no escritório, daquela maneira tão fria, não parava de pensar nele e na noite maravilhosa que tiveram juntos. Não entendia porque ele não retornou quando ela ligou para contar de Rafa. Ao contrário, ele foi bem ríspido e depois não apareceu mais. Lucila achava que eles poderiam ficar juntos, mas se enganou. É... Cadu era mais um cafajeste que depois que conseguiu o que queria, desapareceu.
Mesmo com o empenho de Marcos, Lucila não conseguia se animar. Ia dormir cedo, acordava tarde, andava mal vestida e mal cuidada pelos cantos do resort. Marcos, que sabia de tudo que havia acontecido com ela, tentava a enturmar em seu novo grupo de amigos, mas ela não se interessava.
As férias que seria para colocar sua cabeça no lugar, estavam a colocando em direção de alguém que não a queria. Racionalmente era isso que parecia, mas Lucila não acreditava. Cadu não era aquele tipo de homem. Ou era?
Olhou em volta e viu que Marcos estava bem entretido entre seus novos amigos, então pegou seu celular. Sem pensar, sem pesar, sem se fazer de boazona, difícil ou algo assim. Ela precisava saber. Por isso, ligou para Cadu.
Ele atendeu surpreso:
- Lucila?
- Oi. Eu queria te fazer uma pergunta.
- Uma pergunta?
- Sim. Por favor, responda sinceramente.
- Que pergunta?
- Porque você não me ligou mais?
- Por que? Como porque?
- Isso, quero saber porque? Não que eu esperasse que fossemos namorar, não é isso. Eu Só achava que pelo menos éramos amigos.
- Namorar?
A ligação caiu. Era inacreditável, mas a bateria tinha acabado e Lucila havia esquecido seu carregador em casa. Chegou a correr para um telefone fixo e depois desistiu. Podia ser um aviso do destino. Ficou na sua cabeça a pergunta que ele fez em tom de surpresa: -“Namorar?”. Que raiva que sentia de si mesma. Agora ele achava que ela queria namorar com ele. Não queria! Não queria?
Lucila foi para o quarto esperar a noite chegar.
No rio, Cadu ainda ficou um tempo olhando para o celular. Tentava ligar de volta e não conseguia. Ele já estava trabalhando no escritório de Bardot e foi ela que ouvindo seu telefonema, resolveu que deveria se meter.
- Cadu, você pode vir aqui na minha sala?
Cadu entrou e fechou a porta a pedido de Bardot. Ela perguntou:
- Cadu, meu querido. Por que você ainda não foi atrás de Lucila? Se precisar de uns dias, são seus!
- Não estou entendendo Bardot.
- Eu sou bem velha pra me enganar. Sei muito bem quando duas pessoas estão apaixonadas.- Mas...Lucila tem namorado.
Bardot soltou uma enorme gargalhada. Ainda rindo disse:
- Tinha, né? Terminou logo depois de uma certa festa em Itatiaia. Vai me dizer que você não sabia?
- Não!
- Então agora sabe. E não quero vê-lo nesse escritório nos próximos dias. Estamos entendidos?
Cadu estava atordoado. As coisas começavam a fazer sentido. Quando Lucila o procurou querendo falar de Rafa, ele ficou furioso. Achou que ela quisesse conselhos de como lidar com o namorado mesmo depois do que tiveram juntos. Mas agora percebia que ela podia estar apenas querendo lhe contar sobre o término. Como tinha sido idiota.
Tentou ligar mais algumas vezes e nada. Pegou suas coisas e saiu do escritório atônito.
Depois de dormir durante quase todo o dia, Lucila foi acordada por Marcos que a obrigou a tomar um banho e vestir pois eles iriam sair. Lucila obedeceu, mesmo sem nenhuma vontade. Colocou o vestido que Marcos separou e até deixou que ele o maquiasse. Estava linda, mas triste como nunca esteve antes.
Os dois foram para a boate do hotel e Marcos logo apareceu com uma taça de prosseco. Lucila bebeu essa e muitas outras que surgiram. Ao contrário do que queria, a bebida não a deixou feliz e sim cada vez mais deprimida. Em um momento que Marcos conversava com um grupo, ela saiu de fininho. Parou em frente a uma das piscinas, agora iluminada pela lua cheia. Zonza de bebida chegou a ver Cadu caminhando pela borda da piscina. Esfregou os olhos, e continuava a ter aquela visão. Então fechou os olhos por alguns segundos esperando que a visão fosse embora. Sentiu um braço em seu ombro, seguida de uma voz bastante familiar:
- Talvez não seja uma boa hora para um mergulho. Não quer entrar?
Lucila não acreditou no que via. Era Cadu bem ali na sua frente. Antes mesmo que ela pudesse dizer alguma coisa, ele a beijou.
Marcadores:
amor,
bahia,
Barbara Ferreira,
blog feminino,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
resort
segunda-feira, 15 de junho de 2009
CAPÍTULO 45
De roupa nova e já pronta, Lucila esperava pela ligação de Cadu. Eram amigos, então é claro, ele não iria a buscar em casa. Não era um encontro romântico! Era apenas um jantar de bons amigos.
Cadu ligou dizendo que já estava indo para o restaurante. Lucila saiu de casa logo depois. Os dois chegaram na mesma hora. Cadu elogiou Lucila, que retribuiu o elogio. E não era mentira. Cadu estava mesmo bonito. Claro, que de novo vestia uma calça jeans e uma camiseta branca, seguindo outra vez o conselho de Lucila. Mas estava com um novo ar, algo diferente que nem Lucila conseguia identificar o que era.
Os dois pareciam se conhecer há muito tempo. Ambos falaram de suas vidas com muita tranqüilidade. Até as piadinhas de Cadu não atrapalhavam a conversa. Os dois conversaram a noite inteira e por fim Cadu perguntou a Lucila:
- Então amanhã você vai conversar com Rafa?
- Vou. Não sei como, mas não estou nervosa. E pra falar a verdade, nem sei o que vou dizer.
- Seja sincera. Conte a ele o que você está sentindo.
- É eu farei isso. Acho que nossa relação recomeçará muito mais forte se eu for sincera com ele como ele foi comigo.
Cadu engasgou:
- Recomeçará? Eu entendi que você tinha descoberto que não gostava mais dele.
- É, mas eu acho que eu e Rafa merecemos tentar. São muitos anos, muita história. Você acha que eu estou errada?
- Não. Se é o que você quer...
Cadu saiu do jantar menos animado. Não tinha percebido o quanto a idéia de Lucila continuar seu namoro tinha o abatido. Mas ao mesmo tempo estava feliz em ter tido uma noite tão agradável. Lucila era um delicioso presente. Uma mulher incrível. Uma excelente amiga. Ficaria feliz a vendo feliz. Ela merecia.
Mesmo descumprindo o combinado, Rafa ligou pra Lucila quando ela chegava em casa.
- Oi amor. Eu sei que não era pra eu ligar, mas estou com saudade.
- Tudo bem Rafa. Já estou chegando em casa. Amanhã nos vemos, certo?
- Não pode ser agora?
Quando Lucila saiu do carro viu Rafa parado na garagem. Trazia um buquê de rosas vermelhas. Lucila agradeceu. Tinha gostado da surpresa. Mas há poucos dias, teria se sentido a mulher mais feliz do mundo. Agora, ela apenas tinha gostado.
Os dois subiram. Lucila não queria transar com Rafa antes de conversarem. Queria ser honesta, abrir o jogo. Disfarçou pegando um copo de água na cozinha enquanto pensava no que fazer. Rafa se aproximou, bem mais tímido do que usual. Lucila o parou:
- Rafa, calma. Na verdade, eu não pretendia te ver hoje. Eu queria conversar com você amanhã, mas também não acho justo ficar fazendo mistério.
Os dois se sentaram na mesa da cozinha. Lucila não se lembrava de estar tão calma sobre um assunto tão sério, em anos. Rafa estava tenso. Mas Lucila conduziu como se falasse com uma criança. Falou por muito tempo sem nenhuma interrupção do namorado:
- Rafa, acho que não preciso te dizer que desde que me entendo por gente fui apaixonada por você. No nosso primeiro namoro éramos muito novos, vinte anos. Por quase todo o tempo não percebia nada de errado em nosso namoro, até que amadureci. Então percebi que nem tudo era tão bonito quanto parecia. Tentamos, nos separamos, voltamos. Acreditei que você tivesse amadurecido até que no casamento de Bruna...bom, você sabe. Achei que não podia mais me submeter a um relacionamento onde não havia confiança, sinceridade. Até que por causa da confusão de Bruna, nos reencontramos.E apesar do seu deslize, acho que acertamos a mão. Aliás, você acertou. Fez a coisa certa, foi sincero. E eu me senti dona da situação, sentia orgulho em te ver tão, tão... tão meu. Meu como nunca senti que fosse. Por sorte, percebi a tempo que estava sendo uma babaca contigo. Dominando você, usando o sentimento que você teve coragem de me mostrar. Mas junto com isso também percebi que meu sentimento por você não era mais o mesmo. Não é mais o mesmo.
- Lú, a gente se ama.
- Não sei, Rafa. Acho que não. Mas, não estou aqui pra terminar com você. Eu quero que dê certo. Quero me apaixonar de novo por você. Tenho certeza de que com a maturidade que você agora tem, vai dar certo, você vai ver.
Lucila não tinha esta certeza, mas não sabia como continuar aquela conversa. Então abraçou Rafa, que ainda atordoado com tudo que tinha ouvido, mal correspondeu. Os dois apenas dormiram juntos, abraçados.
Alguns dias se passaram e a rotina dos dois era sempre a mesma. Se encontravam depois do trabalho, às vezes jantavam fora, outras iam ao cinema. Rafa nitidamente se empenhava para reconquistar a namorada e Lucila também fazia o que podia pra sentir aquela paixão, que agora teimava em se esconder.
O trabalho no escritório seguia bem. Lucila e Cadu se encontravam com freqüência e os dois faziam uma bela dupla. Cadu não perguntava mais sobre o relacionamento de Lucila. O que era ótimo, pois ela também não tinha vontade de falar. Era como se Cadu e Lucila retrocedessem em sua amizade e tivessem voltado a ser apenas bons colegas de trabalho.
Na inauguração da casa de Itaipava, o cliente decidiu oferecer uma festa na própria casa para seus amigos e claro, para a equipe envolvida. Lucila, Cadu e Bardot eram os convidados de honra. Os três reservaram uma pousada e foram juntos para Itaipava.
Como era esperado, a festa estava deslumbrante. Lucila e Cadu estavam muito orgulhosos de seu trabalho. Beberam, dançaram, comemoraram. Talvez por conta da bebida voltaram a se tratar como aqueles amigos que jantaram juntos numa noite. Lucila ria das piadas sem graça de Cadu e mais uma vez achava ele bastante atraente.
Em momento da noite, Bardot se aproximou de Lucila e disse:
- Lucila, Lucila! Há tempo não te vejo tão brilhante, hein? Sabia que você e Cadu fazem um belo casal? Uma dupla do barulho! No trabalho, no amor....
- Que isso, Bardot! Imagina! Somos só amigos e eu tenho namorado, você sabe.
- Sei, sei. O famoso Rafa. Tá feliz?
Lucila não respondeu. Cadu chegou em seguida e a puxou pra dançar. Primeiro Lucila tentou escapar, mas depois, embalada pela música, se deixou levar.
Já eram altas horas da madrugada. Bardot já tinha ido embora. Cadu e Lucila estavam cansados e resolveram ir para a pousada. No caminho conversavam sem parar, nem eles entendiam como podiam ter tanto assunto e ser sempre tão bom. Quando chegaram na pousada, cada um foi para seu quarto. Lucila não sabia bem porque, mas achou melhor se despedir de longe.
Lucila entrou em seu quarto e ficou relembrando os bons momentos da sua noite. Alguém bateu na porta. Lucila abriu. Era Cadu que a puxou e lhe deu um beijo na boca. O beijo era meio desajeitado, molhado demais, mas Lucila não se importou.
Os dois se entregaram ao tesão. Um tesão completamente inesperado, imprevisível. Cadu era cuidadoso, romântico, atencioso. Não era um furacão como Rafa, mas era doce, meigo e tinha sua pegada. Eles se entrosaram tão bem na cama como nas conversas.
Quando terminaram, Cadu olhou Lucila nos olhos e disse:
- Você é uma mulher apaixonante.
Lucila respondeu:
- Você também.
Cadu ligou dizendo que já estava indo para o restaurante. Lucila saiu de casa logo depois. Os dois chegaram na mesma hora. Cadu elogiou Lucila, que retribuiu o elogio. E não era mentira. Cadu estava mesmo bonito. Claro, que de novo vestia uma calça jeans e uma camiseta branca, seguindo outra vez o conselho de Lucila. Mas estava com um novo ar, algo diferente que nem Lucila conseguia identificar o que era.
Os dois pareciam se conhecer há muito tempo. Ambos falaram de suas vidas com muita tranqüilidade. Até as piadinhas de Cadu não atrapalhavam a conversa. Os dois conversaram a noite inteira e por fim Cadu perguntou a Lucila:
- Então amanhã você vai conversar com Rafa?
- Vou. Não sei como, mas não estou nervosa. E pra falar a verdade, nem sei o que vou dizer.
- Seja sincera. Conte a ele o que você está sentindo.
- É eu farei isso. Acho que nossa relação recomeçará muito mais forte se eu for sincera com ele como ele foi comigo.
Cadu engasgou:
- Recomeçará? Eu entendi que você tinha descoberto que não gostava mais dele.
- É, mas eu acho que eu e Rafa merecemos tentar. São muitos anos, muita história. Você acha que eu estou errada?
- Não. Se é o que você quer...
Cadu saiu do jantar menos animado. Não tinha percebido o quanto a idéia de Lucila continuar seu namoro tinha o abatido. Mas ao mesmo tempo estava feliz em ter tido uma noite tão agradável. Lucila era um delicioso presente. Uma mulher incrível. Uma excelente amiga. Ficaria feliz a vendo feliz. Ela merecia.
Mesmo descumprindo o combinado, Rafa ligou pra Lucila quando ela chegava em casa.
- Oi amor. Eu sei que não era pra eu ligar, mas estou com saudade.
- Tudo bem Rafa. Já estou chegando em casa. Amanhã nos vemos, certo?
- Não pode ser agora?
Quando Lucila saiu do carro viu Rafa parado na garagem. Trazia um buquê de rosas vermelhas. Lucila agradeceu. Tinha gostado da surpresa. Mas há poucos dias, teria se sentido a mulher mais feliz do mundo. Agora, ela apenas tinha gostado.
Os dois subiram. Lucila não queria transar com Rafa antes de conversarem. Queria ser honesta, abrir o jogo. Disfarçou pegando um copo de água na cozinha enquanto pensava no que fazer. Rafa se aproximou, bem mais tímido do que usual. Lucila o parou:
- Rafa, calma. Na verdade, eu não pretendia te ver hoje. Eu queria conversar com você amanhã, mas também não acho justo ficar fazendo mistério.
Os dois se sentaram na mesa da cozinha. Lucila não se lembrava de estar tão calma sobre um assunto tão sério, em anos. Rafa estava tenso. Mas Lucila conduziu como se falasse com uma criança. Falou por muito tempo sem nenhuma interrupção do namorado:
- Rafa, acho que não preciso te dizer que desde que me entendo por gente fui apaixonada por você. No nosso primeiro namoro éramos muito novos, vinte anos. Por quase todo o tempo não percebia nada de errado em nosso namoro, até que amadureci. Então percebi que nem tudo era tão bonito quanto parecia. Tentamos, nos separamos, voltamos. Acreditei que você tivesse amadurecido até que no casamento de Bruna...bom, você sabe. Achei que não podia mais me submeter a um relacionamento onde não havia confiança, sinceridade. Até que por causa da confusão de Bruna, nos reencontramos.E apesar do seu deslize, acho que acertamos a mão. Aliás, você acertou. Fez a coisa certa, foi sincero. E eu me senti dona da situação, sentia orgulho em te ver tão, tão... tão meu. Meu como nunca senti que fosse. Por sorte, percebi a tempo que estava sendo uma babaca contigo. Dominando você, usando o sentimento que você teve coragem de me mostrar. Mas junto com isso também percebi que meu sentimento por você não era mais o mesmo. Não é mais o mesmo.
- Lú, a gente se ama.
- Não sei, Rafa. Acho que não. Mas, não estou aqui pra terminar com você. Eu quero que dê certo. Quero me apaixonar de novo por você. Tenho certeza de que com a maturidade que você agora tem, vai dar certo, você vai ver.
Lucila não tinha esta certeza, mas não sabia como continuar aquela conversa. Então abraçou Rafa, que ainda atordoado com tudo que tinha ouvido, mal correspondeu. Os dois apenas dormiram juntos, abraçados.
Alguns dias se passaram e a rotina dos dois era sempre a mesma. Se encontravam depois do trabalho, às vezes jantavam fora, outras iam ao cinema. Rafa nitidamente se empenhava para reconquistar a namorada e Lucila também fazia o que podia pra sentir aquela paixão, que agora teimava em se esconder.
O trabalho no escritório seguia bem. Lucila e Cadu se encontravam com freqüência e os dois faziam uma bela dupla. Cadu não perguntava mais sobre o relacionamento de Lucila. O que era ótimo, pois ela também não tinha vontade de falar. Era como se Cadu e Lucila retrocedessem em sua amizade e tivessem voltado a ser apenas bons colegas de trabalho.
Na inauguração da casa de Itaipava, o cliente decidiu oferecer uma festa na própria casa para seus amigos e claro, para a equipe envolvida. Lucila, Cadu e Bardot eram os convidados de honra. Os três reservaram uma pousada e foram juntos para Itaipava.
Como era esperado, a festa estava deslumbrante. Lucila e Cadu estavam muito orgulhosos de seu trabalho. Beberam, dançaram, comemoraram. Talvez por conta da bebida voltaram a se tratar como aqueles amigos que jantaram juntos numa noite. Lucila ria das piadas sem graça de Cadu e mais uma vez achava ele bastante atraente.
Em momento da noite, Bardot se aproximou de Lucila e disse:
- Lucila, Lucila! Há tempo não te vejo tão brilhante, hein? Sabia que você e Cadu fazem um belo casal? Uma dupla do barulho! No trabalho, no amor....
- Que isso, Bardot! Imagina! Somos só amigos e eu tenho namorado, você sabe.
- Sei, sei. O famoso Rafa. Tá feliz?
Lucila não respondeu. Cadu chegou em seguida e a puxou pra dançar. Primeiro Lucila tentou escapar, mas depois, embalada pela música, se deixou levar.
Já eram altas horas da madrugada. Bardot já tinha ido embora. Cadu e Lucila estavam cansados e resolveram ir para a pousada. No caminho conversavam sem parar, nem eles entendiam como podiam ter tanto assunto e ser sempre tão bom. Quando chegaram na pousada, cada um foi para seu quarto. Lucila não sabia bem porque, mas achou melhor se despedir de longe.
Lucila entrou em seu quarto e ficou relembrando os bons momentos da sua noite. Alguém bateu na porta. Lucila abriu. Era Cadu que a puxou e lhe deu um beijo na boca. O beijo era meio desajeitado, molhado demais, mas Lucila não se importou.
Os dois se entregaram ao tesão. Um tesão completamente inesperado, imprevisível. Cadu era cuidadoso, romântico, atencioso. Não era um furacão como Rafa, mas era doce, meigo e tinha sua pegada. Eles se entrosaram tão bem na cama como nas conversas.
Quando terminaram, Cadu olhou Lucila nos olhos e disse:
- Você é uma mulher apaixonante.
Lucila respondeu:
- Você também.
Marcadores:
Barbara Ferreira,
blog feminino,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
tesão,
traição,
trinta anos,
webnovela
quarta-feira, 3 de junho de 2009
CAPÍTULO 40
O jantar não tinha sido tão ruim como Lucila esperava. Por algum motivo Cadu estava menos “engraçadinho”. Os dois conseguiram conversar tranqüilamente sobre trabalho e até sobre alguns assuntos pessoais.
Lucila ainda estava curiosa sobre como seria a namorada de Cadu. Não tinha conseguido descobrir muita coisa no jantar. Mas ainda teriam um dia inteiro e toda viagem de volta. E foi na viagem de volta para o Rio, que Lucila perguntou:
- Cadu, você namora há muito tempo?
- Eu? Não. Tem pouco tempo, mas é muito intenso, sabe?
- Quanto tempo?
- Nos conhecemos há menos de um mês. Quer saber como?
Lucila, é claro, respondeu que sim. E Cadu contou que estava em um aniversário quando sem querer derrubou seu drink em uma garota. A garota gritou, o xingou, mas mesmo assim Cadu ficou encantado. Sentia que tinha algo diferente naquela mulher e resolveu investir. Durante toda festa, recebeu toco em cima de toco, até que já no finalzinho, ganhou um beijo e conseguiu o telefone dela. No início, ela dizia não querer compromisso, pois havia acabado de sair de uma relação. Mas com o tempo, ela parecia ter mudado de idéia.
Lucila ficou com pena de Cadu. Era óbvio que essa mulher não queria nada com ele. Tudo que ele contava não tinha recíproca, mas só ele não percebia. Isso, somando às várias tentativas de Cadu em telefonar para a namorada, todas sem sucesso, só reforçava que ele estava cego.
Lucila ficou preocupada em também não estar dando atenção aos sinais negativos de sua relação e por isso se comprometeu consigo mesma em colocar a história do anel e do dia do casamento de Ana, em pratos limpos.
Por isso, mesmo do caminho, ligou pra Rafa e combinou de encontrá-lo mais tarde em um restaurante. Rafa insistiu para que eles jantassem em casa, mas Lucila foi firme. Sabia que precisava de um território neutro, onde não cederia aos encantos do namorado.
A viagem acabou sem maiores problemas. Cadu deixou Lucila em casa e tentava insistentemente falar com sua namorada que não atendia a nenhuma de suas ligações. Mesmo sabendo que estava se intrometendo, Lucila arriscou:
- Que tal você fazer o mesmo com ela? Fica um tempo sumido, ela vai te dar valor.
Cadu não achou graça no conselho de Lucila. Foi ríspido em sua resposta:
- Cada um sabe cuidar da sua vida, não é mesmo?
Apesar do desfecho não muito agradável, os dois se despediram cordialmente e combinaram os próximos passos do projeto.
Lucila entrou em casa já pensando em que roupa colocaria. Seria imprudente usar algo provocativo, mas também seria burro não fazê-lo. Seja lá como fosse o andamento de sua conversa com Rafa, ela queria sair por cima. Queria ser valorizada por ele. Então, resolveu pelo meio termo. Um blusa preta de mangas compridas, não muito justa mas com um belo decote. A calça jeans daria a informalidade de que precisava e a sandália de salto, ajudaria a equilibrar sua auto-estima. Faltava pouco para a hora marcada, mas Lucila se arrumava lentamente. Desde que havia marcado o jantar, já tinha decidido que se atrasaria pelo menos vinte minutos. Isso fazia parte do seu plano.
Faltando dez minutos para a hora marcada, Lucila saiu sem pressa de casa. Quando entrou no carro, ainda pensou que talvez fosse mais prático pegar um táxi. Mas claro que isso era uma reação do seu inconsciente que esperava que Rafa tivesse boas justificativas pra tudo e que em um final feliz, os dois iriam juntos pra casa. Lucila não tinha garantias e precisava ter força para não se deixar levar mais uma vez.
Quando entrou no restaurante não viu Rafa. Olhou para um lado, para o outro e nem sinal dele. Não acreditava que ele pudesse se atrasar justo para aquele jantar que definiria o futuro de suas vidas.
A recepcionista veio em direção de Lucila que explicou que tinha uma reserva, mas aguardava o namorado. A moça apontou para o bar, onde Rafa distraído tomava um wisky, Alívio e tensão tomaram conta dela. Sem que ele percebesse, Lucila o olhava, percebia cada traço, cada gesto e se certificava de quanto ele era lindo. O modo de se sentar, de apoiar o copo no balcão. Quando Rafa olhou nervoso para o relógio, Lucila sentiu um calafrio. Aquele gesto era pra ela como uma prova de amor. Um sinal de que ele estava ansioso por sua chegada. Lucila quase se esqueceu do motivo porque estava ali.
Rafa olhou pra trás como se sentisse a presença de Lucila. Seu sorriso ao vê-la deixou até a recepcionista do restaurante atordoada. Era iluminado, sedutor, incrivelmente bonito. Lucila tremia. Como poderia confrontar um homem como ele? Como teria forças se mal conseguia resistir a um simples sorriso?
Ele levantou do banco alto, e foi em direção a namorada. Sua expressão era de felicidade. Felicidade genuína, ninguém poderia negar. Ele primeiro a abraçou forte e foi a beijando do pescoço até a boca. Discretamente, sem ser vulgar para o ambiente que estavam. Lucila estava dura como uma pedra. Não se mexia. Respirava rápido, quase na mesma velocidade que seu coração. Rafa se afastou e a olhou:
- É tão bom ver você!
Lucila sorriu e se virou para a recepcionista que assistia a tudo de boca aberta:
- Onde é nossa mesa?
A menina os levou até uma mesa de canto, com um sofá. Lucila não gostou. Precisava pelo menos de uma mesa que os separasse. Então pediu:
- Não tem uma sem sofá?
Sem acreditar que a cliente não quisesse se sentar no sofá com aquele deus grego, a menina disse:
- Sem sofá? Bom, temos essa.
- Está ótimo.
Os dois se sentaram. Rafa entendeu que a conversa não seria tão fácil. Na verdade, já sabia disso desde que Lucila mal atendeu suas ligações enquanto viajava. Mesmo assim, desta vez, não conseguiu planejar nada. Sua enorme facilidade de inventar histórias para as mulheres, havia o deixado na mão. Teria que improvisar e isso também o deixava nervoso. Nunca tinha passado por isso. Sentia culpa, que era um sentimento totalmente novo para ele.
Lucila se refugiou atrás do cardápio por alguns minutos. Não sabia como começar. Não tinha apetite, muito menos conseguia ler alguma coisa daquela lista de pratos. Rafa também olhava o menu, mas por de trás, observava Lucila. Arriscou sugerir um prato, que Lucila fez que não com a cabeça. Por fim, ela pediu uma salada e ele uma massa. Ela recusou o vinho indicado pelo namorado, pedindo uma água sem gás. Precisava ter total controle da situação. Ele pediu uma taça de vinho. Precisava relaxar.
Assim que as bebidas foram servidas, ambos tomaram enormes goles. Lucila pela primeira vez encarou Rafa e respirando fundo perguntou, tentando manter a voz calma:
- Preciso saber a verdade. Já sei que você não esteve no escritório no sábado. Então por favor, não me faça sentir ainda mais idiota do que eu já estou me sentindo.
Rafa se apavorou. Lucila nunca o tinha visto assim. Ele não sabia como começar e nem o que dizer. Bebia o vinho e comia torradas do couvert para ganhar tempo. Lucila continuou:
- E sobre o anel. Também preciso saber de quem é aquele anel e porque estava no seu banheiro.
Rafa sorriu amarelo tentando disfarçar. Diferente do seu comportamento habitual, desta vez não tinha o jogo de cintura que sempre o ajudava a sair de situações como esta. Estava pálido, tenso e Lucila podia jurar que estava trêmulo.
Alguns minutos se passaram em silêncio. Rafa se mexia na cadeira, se ajeitava, abria a boca, mas desistia. Lucila foi ficando com raiva. Sua vontade era sacudir Rafa até que ele falasse alguma coisa. Perdeu a calma, perdeu o juízo e gritou:
- Fala, Rafa! Eu não agüento mais. Fala o que aconteceu? Chega de me fazer de otária! Eu não vou ser passada pra trás de novo! Não vou!
O restaurante inteiro olhou pra eles. As mulheres, que antes olhavam sedutoras para Rafa, agora o olhavam com desprezo. Mesmo sem saber da história, qualquer mulher que assistisse aquela cena entenderia que se tratava de mais um caso de um lindo cafajeste magoando uma mulher apaixonada.
Rafa olhava pra baixo e nessa posição começou a falar:
- Eu não tive culpa. Desde que nos separamos da última vez, não tive nenhum relacionamento sério. Não conseguia. Me envolvia com mulheres por pouco tempo, sem promessas, sem compromisso. Me acostumei a isso. Eu tinha controle da situação, mas nesse dia, perdi o controle.
Lucila olhava atenta, ainda sem entender do que o namorado falava. Ele se enrolava, enxugava a testa molhada de suor e não conseguia olhar para ela.
- Antes de ficarmos juntos, terminei com um relacionamento. Como disse, não era nada sério. Mas ela não aceitou. E foi me procurar no dia do casamento. Ela chorava, gritava e eu não sabia o que fazer. Não podia deixar ela chorando, podia?
- Podia! – gritou Lucila.
- Bem, talvez você tenha razão. Mas não consegui e ela entrou.
- Entrou onde? Ela quem, Rafa!? É a mulher do anel?
Rafa continuou falando em tom baixo, olhando para o prato ainda vazio. Surpreso com a própria sinceridade, contou tudo a Lucila, incluindo o real motivo que o fizera se atrasar para o casamento de Ana. Quase chorando, se declarou totalmente arrependido e de fato naquele momento sentia arrependimento. Não acreditava que estava dizendo tudo aquilo para Lucila, mas não conseguia falar nada diferente da verdade. Temia perder Lucila. E agora, achava que a perdia a cada palavra sua. Mesmo assim, não se calava.
Lucila sentia raiva, nojo, horror em pensar que horas antes a tal Silvia estivera com seu namorado na mesma cama que pouco depois ele dormiu abraçado com ela. Em uma atitude totalmente auto-destrutiva, pedia detalhes para Rafa. Ele constrangido respondia quase monossilabicamente.
Os pratos foram servidos, mas nenhum dos dois tocou na comida. Lucila parou de falar Apenas duas coisas vinham a sua cabeça: porque ele está sendo sincero e o que eu faço agora?
Rafa tentou segurar sua mão, mas Lucila a puxou. Ele não sabia o que fazer. Nem parecia mais aquele homem sedutor que conseguia tudo com um sorriso. Parecia frágil e inseguro. Lucila não pode deixar de sentir um pouco do sabor em vê-lo daquela forma. A mesma forma que ela se sentiu tantas vezes no passado, quando descobria uma mentira de Rafa ou percebia seus olhares para outras mulheres. Agora ele estava totalmente na sua mão. E ela não sabia o que fazer com todo esse poder. Rafa falou:
- Sei que não posso pedir para que você me perdoe.
- Não pode mesmo.
Rafa abaixou a cabeça de novo. Lucila continuou em seu tom firme. Era quase prazerosa a sensação de ter o controle, o que a tornou um tanto sarcástica:
- Mas você pode pedir a conta. Estou sem apetite, vou pra casa.
Rafa obedeceu. Ficaram muito tempo sem dizer nada. Lucila altiva, orgulhosa, apreciando aquele momento. Rafa, encolhido em um sentimento estranho, ruim. Queria sumir, Tinha vergonha de estar ali.
Ele pagou a conta, os dois levantaram. Lucila saiu andando na frente e Rafa tentando alcançá-la. Antes de ela entrar no carro ele tomou coragem e perguntou:
- E nós?
Com um sorriso sarcástico, ela disse:
- Vamos pra minha casa. Preciso relaxar.
Lucila ainda estava curiosa sobre como seria a namorada de Cadu. Não tinha conseguido descobrir muita coisa no jantar. Mas ainda teriam um dia inteiro e toda viagem de volta. E foi na viagem de volta para o Rio, que Lucila perguntou:
- Cadu, você namora há muito tempo?
- Eu? Não. Tem pouco tempo, mas é muito intenso, sabe?
- Quanto tempo?
- Nos conhecemos há menos de um mês. Quer saber como?
Lucila, é claro, respondeu que sim. E Cadu contou que estava em um aniversário quando sem querer derrubou seu drink em uma garota. A garota gritou, o xingou, mas mesmo assim Cadu ficou encantado. Sentia que tinha algo diferente naquela mulher e resolveu investir. Durante toda festa, recebeu toco em cima de toco, até que já no finalzinho, ganhou um beijo e conseguiu o telefone dela. No início, ela dizia não querer compromisso, pois havia acabado de sair de uma relação. Mas com o tempo, ela parecia ter mudado de idéia.
Lucila ficou com pena de Cadu. Era óbvio que essa mulher não queria nada com ele. Tudo que ele contava não tinha recíproca, mas só ele não percebia. Isso, somando às várias tentativas de Cadu em telefonar para a namorada, todas sem sucesso, só reforçava que ele estava cego.
Lucila ficou preocupada em também não estar dando atenção aos sinais negativos de sua relação e por isso se comprometeu consigo mesma em colocar a história do anel e do dia do casamento de Ana, em pratos limpos.
Por isso, mesmo do caminho, ligou pra Rafa e combinou de encontrá-lo mais tarde em um restaurante. Rafa insistiu para que eles jantassem em casa, mas Lucila foi firme. Sabia que precisava de um território neutro, onde não cederia aos encantos do namorado.
A viagem acabou sem maiores problemas. Cadu deixou Lucila em casa e tentava insistentemente falar com sua namorada que não atendia a nenhuma de suas ligações. Mesmo sabendo que estava se intrometendo, Lucila arriscou:
- Que tal você fazer o mesmo com ela? Fica um tempo sumido, ela vai te dar valor.
Cadu não achou graça no conselho de Lucila. Foi ríspido em sua resposta:
- Cada um sabe cuidar da sua vida, não é mesmo?
Apesar do desfecho não muito agradável, os dois se despediram cordialmente e combinaram os próximos passos do projeto.
Lucila entrou em casa já pensando em que roupa colocaria. Seria imprudente usar algo provocativo, mas também seria burro não fazê-lo. Seja lá como fosse o andamento de sua conversa com Rafa, ela queria sair por cima. Queria ser valorizada por ele. Então, resolveu pelo meio termo. Um blusa preta de mangas compridas, não muito justa mas com um belo decote. A calça jeans daria a informalidade de que precisava e a sandália de salto, ajudaria a equilibrar sua auto-estima. Faltava pouco para a hora marcada, mas Lucila se arrumava lentamente. Desde que havia marcado o jantar, já tinha decidido que se atrasaria pelo menos vinte minutos. Isso fazia parte do seu plano.
Faltando dez minutos para a hora marcada, Lucila saiu sem pressa de casa. Quando entrou no carro, ainda pensou que talvez fosse mais prático pegar um táxi. Mas claro que isso era uma reação do seu inconsciente que esperava que Rafa tivesse boas justificativas pra tudo e que em um final feliz, os dois iriam juntos pra casa. Lucila não tinha garantias e precisava ter força para não se deixar levar mais uma vez.
Quando entrou no restaurante não viu Rafa. Olhou para um lado, para o outro e nem sinal dele. Não acreditava que ele pudesse se atrasar justo para aquele jantar que definiria o futuro de suas vidas.
A recepcionista veio em direção de Lucila que explicou que tinha uma reserva, mas aguardava o namorado. A moça apontou para o bar, onde Rafa distraído tomava um wisky, Alívio e tensão tomaram conta dela. Sem que ele percebesse, Lucila o olhava, percebia cada traço, cada gesto e se certificava de quanto ele era lindo. O modo de se sentar, de apoiar o copo no balcão. Quando Rafa olhou nervoso para o relógio, Lucila sentiu um calafrio. Aquele gesto era pra ela como uma prova de amor. Um sinal de que ele estava ansioso por sua chegada. Lucila quase se esqueceu do motivo porque estava ali.
Rafa olhou pra trás como se sentisse a presença de Lucila. Seu sorriso ao vê-la deixou até a recepcionista do restaurante atordoada. Era iluminado, sedutor, incrivelmente bonito. Lucila tremia. Como poderia confrontar um homem como ele? Como teria forças se mal conseguia resistir a um simples sorriso?
Ele levantou do banco alto, e foi em direção a namorada. Sua expressão era de felicidade. Felicidade genuína, ninguém poderia negar. Ele primeiro a abraçou forte e foi a beijando do pescoço até a boca. Discretamente, sem ser vulgar para o ambiente que estavam. Lucila estava dura como uma pedra. Não se mexia. Respirava rápido, quase na mesma velocidade que seu coração. Rafa se afastou e a olhou:
- É tão bom ver você!
Lucila sorriu e se virou para a recepcionista que assistia a tudo de boca aberta:
- Onde é nossa mesa?
A menina os levou até uma mesa de canto, com um sofá. Lucila não gostou. Precisava pelo menos de uma mesa que os separasse. Então pediu:
- Não tem uma sem sofá?
Sem acreditar que a cliente não quisesse se sentar no sofá com aquele deus grego, a menina disse:
- Sem sofá? Bom, temos essa.
- Está ótimo.
Os dois se sentaram. Rafa entendeu que a conversa não seria tão fácil. Na verdade, já sabia disso desde que Lucila mal atendeu suas ligações enquanto viajava. Mesmo assim, desta vez, não conseguiu planejar nada. Sua enorme facilidade de inventar histórias para as mulheres, havia o deixado na mão. Teria que improvisar e isso também o deixava nervoso. Nunca tinha passado por isso. Sentia culpa, que era um sentimento totalmente novo para ele.
Lucila se refugiou atrás do cardápio por alguns minutos. Não sabia como começar. Não tinha apetite, muito menos conseguia ler alguma coisa daquela lista de pratos. Rafa também olhava o menu, mas por de trás, observava Lucila. Arriscou sugerir um prato, que Lucila fez que não com a cabeça. Por fim, ela pediu uma salada e ele uma massa. Ela recusou o vinho indicado pelo namorado, pedindo uma água sem gás. Precisava ter total controle da situação. Ele pediu uma taça de vinho. Precisava relaxar.
Assim que as bebidas foram servidas, ambos tomaram enormes goles. Lucila pela primeira vez encarou Rafa e respirando fundo perguntou, tentando manter a voz calma:
- Preciso saber a verdade. Já sei que você não esteve no escritório no sábado. Então por favor, não me faça sentir ainda mais idiota do que eu já estou me sentindo.
Rafa se apavorou. Lucila nunca o tinha visto assim. Ele não sabia como começar e nem o que dizer. Bebia o vinho e comia torradas do couvert para ganhar tempo. Lucila continuou:
- E sobre o anel. Também preciso saber de quem é aquele anel e porque estava no seu banheiro.
Rafa sorriu amarelo tentando disfarçar. Diferente do seu comportamento habitual, desta vez não tinha o jogo de cintura que sempre o ajudava a sair de situações como esta. Estava pálido, tenso e Lucila podia jurar que estava trêmulo.
Alguns minutos se passaram em silêncio. Rafa se mexia na cadeira, se ajeitava, abria a boca, mas desistia. Lucila foi ficando com raiva. Sua vontade era sacudir Rafa até que ele falasse alguma coisa. Perdeu a calma, perdeu o juízo e gritou:
- Fala, Rafa! Eu não agüento mais. Fala o que aconteceu? Chega de me fazer de otária! Eu não vou ser passada pra trás de novo! Não vou!
O restaurante inteiro olhou pra eles. As mulheres, que antes olhavam sedutoras para Rafa, agora o olhavam com desprezo. Mesmo sem saber da história, qualquer mulher que assistisse aquela cena entenderia que se tratava de mais um caso de um lindo cafajeste magoando uma mulher apaixonada.
Rafa olhava pra baixo e nessa posição começou a falar:
- Eu não tive culpa. Desde que nos separamos da última vez, não tive nenhum relacionamento sério. Não conseguia. Me envolvia com mulheres por pouco tempo, sem promessas, sem compromisso. Me acostumei a isso. Eu tinha controle da situação, mas nesse dia, perdi o controle.
Lucila olhava atenta, ainda sem entender do que o namorado falava. Ele se enrolava, enxugava a testa molhada de suor e não conseguia olhar para ela.
- Antes de ficarmos juntos, terminei com um relacionamento. Como disse, não era nada sério. Mas ela não aceitou. E foi me procurar no dia do casamento. Ela chorava, gritava e eu não sabia o que fazer. Não podia deixar ela chorando, podia?
- Podia! – gritou Lucila.
- Bem, talvez você tenha razão. Mas não consegui e ela entrou.
- Entrou onde? Ela quem, Rafa!? É a mulher do anel?
Rafa continuou falando em tom baixo, olhando para o prato ainda vazio. Surpreso com a própria sinceridade, contou tudo a Lucila, incluindo o real motivo que o fizera se atrasar para o casamento de Ana. Quase chorando, se declarou totalmente arrependido e de fato naquele momento sentia arrependimento. Não acreditava que estava dizendo tudo aquilo para Lucila, mas não conseguia falar nada diferente da verdade. Temia perder Lucila. E agora, achava que a perdia a cada palavra sua. Mesmo assim, não se calava.
Lucila sentia raiva, nojo, horror em pensar que horas antes a tal Silvia estivera com seu namorado na mesma cama que pouco depois ele dormiu abraçado com ela. Em uma atitude totalmente auto-destrutiva, pedia detalhes para Rafa. Ele constrangido respondia quase monossilabicamente.
Os pratos foram servidos, mas nenhum dos dois tocou na comida. Lucila parou de falar Apenas duas coisas vinham a sua cabeça: porque ele está sendo sincero e o que eu faço agora?
Rafa tentou segurar sua mão, mas Lucila a puxou. Ele não sabia o que fazer. Nem parecia mais aquele homem sedutor que conseguia tudo com um sorriso. Parecia frágil e inseguro. Lucila não pode deixar de sentir um pouco do sabor em vê-lo daquela forma. A mesma forma que ela se sentiu tantas vezes no passado, quando descobria uma mentira de Rafa ou percebia seus olhares para outras mulheres. Agora ele estava totalmente na sua mão. E ela não sabia o que fazer com todo esse poder. Rafa falou:
- Sei que não posso pedir para que você me perdoe.
- Não pode mesmo.
Rafa abaixou a cabeça de novo. Lucila continuou em seu tom firme. Era quase prazerosa a sensação de ter o controle, o que a tornou um tanto sarcástica:
- Mas você pode pedir a conta. Estou sem apetite, vou pra casa.
Rafa obedeceu. Ficaram muito tempo sem dizer nada. Lucila altiva, orgulhosa, apreciando aquele momento. Rafa, encolhido em um sentimento estranho, ruim. Queria sumir, Tinha vergonha de estar ali.
Ele pagou a conta, os dois levantaram. Lucila saiu andando na frente e Rafa tentando alcançá-la. Antes de ela entrar no carro ele tomou coragem e perguntou:
- E nós?
Com um sorriso sarcástico, ela disse:
- Vamos pra minha casa. Preciso relaxar.
Marcadores:
Barbara Ferreira,
blog feminino,
lucila,
lucila 33,
namoro,
novela no blog,
novela on line
quinta-feira, 28 de maio de 2009
CAPÍTULO 38
Depois de uma exaustiva viagem ouvindo Carlos Eduardo tagarelar pela estrada, eles finalmente chegaram em Araras. Antes passaram na pousada para deixar as malas e depois seguiram para a obra.
A casa era realmente magnífica. Lucila tinha que reconhecer que o que aquele engenheiro tinha de chato, tinha também de talentoso. Era impossível não se empolgar em trabalhar num projeto como aquele.
Carlos Eduardo ou Cadu – como pediu pra ser chamado - mostrou todo o imóvel e fez suas considerações a respeito de cada ambiente. Lucila se surpreendeu com sua competência, ele realmente sabia o que estava falando e tinha idéias incríveis. Valeria a pena agüentar aquele hippie chato, se fosse pra fazer um bom trabalho.
Os dois discutiram idéias, fizeram anotações, tiraram fotos. A hora passou e nenhum dos dois percebeu. Então, foram almoçar em um restaurante bem charmoso próximo a casa.
Se não fosse pelo senso de humor duvidoso, Cadu seria uma boa companhia. Mas sua mania insuportável de fazer piada com absolutamente tudo, irritava Lucila. Eram trocadilhos sem graça, piadas batidas. Só ele mesmo achava graça. No início, Lucila pra ser simpática, ainda sorria. Com o passar do tempo, preferia fingir não ter ouvido. Mas isso não inibia Cadu, que inventava logo uma nova piada.
Enquanto almoçavam, o celular de Lucila tocou. Era Rafa. Ela não atendeu. Não queria falar com ele naquele momento. Logo depois foi o telefone de Cadu que tocou. Ele atendeu:
- Oie minha bijujujuca!!!!!!!!!
"Bijujujuca”???? - Lucila prendeu o riso e fingiu não prestar atenção na conversa em tom infantil que seu colega tinha ao telefone. Lucila pensava quem poderia ser essa “bijujujuca” que agüentava essa voz irritante e ainda encarava esse modelito descombinado de Cadú? Ele desligou e falou:
- Desculpa, não podia deixar de atender.
Lucila falou que tudo bem e voltou ao assunto do projeto. Como se a ignorasse, Cadu, voltou no assunto anterior. Ele queria falar sobre sua bijujujuca. Era importante pra ele. Interrompendo Lucila, disse:
- Desculpa te interromper, mas custo a voltar ao meu normal quando falo com essa mulher. A mulher da minha vida. Você entende?
Lucila arregalou os olhos e balançou a cabeça concordando, apesar de que não tinha a menor idéia do que Cadú estivesse falando. Ele continuou:
- Eu falo com ela e perco o foco. Me desculpe. Ahh... quem manda ter uma namorada tão especial, não é? Você tem namorado?
Lucila sem graça, não esperava ter que dividir detalhes da sua vida particular com aquele chato. Respondeu secamente:
- Tenho. Mas voltando ao projeto, Cadu. Eu pensei em esquadrias de alumínio. O que você acha?
Cadu demorou um tempo para voltar ao normal. Como ele mesmo havia dito, falar com sua namorada parecia mesmo o tirar do sério.
O almoço acabou e os dois pediram a conta. Voltariam para a casa para fechar mais alguns detalhes. Tinham pouco tempo pra decidir tudo.
Enquanto isso, Rafa estacionava seu carro em frente a um prédio na Barra da Tijuca. Não precisou se anunciar, o porteiro parecia o conhecer. Ele subiu e abriu a porta com sua própria chave. Não havia ninguém em casa, então apenas colocou o anel sobre a mesa. Pensou em aproveitar para deixar também as chaves, mas desistiu.
No caminho de volta para o escritório, tentou mais uma vez ligar para Lucila, que de novo não atendeu. Deixou um recado simpático, apesar de já estar de saco cheio daquela situação. Sabia que tinha que agüentar. Por sorte Lucila nem se lembraria do anel. Estava bêbada, talvez as lembranças estivessem confusas. Rafa torcia para isso. Não saberia explicar como o anel de Silvia estava na sua casa.
Silvia era mais velha que Rafa. A relação dos dois sempre foi tranqüila, nenhum dos dois esperava mais do que o outro poderia dar. Porém, um pouco depois de Rafa reencontrar Lucila, Silvia contou que havia se separado. A partir daí a relação dos dois mudou. Silvia não queria apenas exclusividade, queria começar uma nova vida com Rafa. Ela o culpava pelo fim do seu casamento, se dizia apaixonada e que não podia mais manter a relação com seu marido. Rafa pulou fora. Não era mais do jeito que ele queria. Ainda mais quando começou a namorar Lucila, queria fazer tudo direito. Lucila merecia isso.
Porém, Silvia parecia uma pedra no sapato de Rafa. Quase arruinou tudo quando o fez perder a hora justo no dia do casamento de Ana. Rafa acreditava que não tinha culpa, foi vítima da situação.
Ele já havia rompido com Silvia. Pelo menos na cabeça dele, o fato de não atender mais as ligações de Silvia, deixava claro que ele não queria mais nada com ela. No dia do casamento de Ana e André, era quase hora do almoço e Rafa desceu pra comprar alguma coisa pra comer. Quando voltou encontrou Silvia no corredor do prédio. Ela chorava, gritava. Estava totalmente descontrolada. Rafa, desesperado a colocou para dentro. Foi buscar um pouco d’água e quando voltou Silvia estava só de calcinha deitada no seu sofá.
Como Silvia estava com objetivo claro de ter Rafa de volta, a "brincadeira" foi até tarde. Rafa só se deu conta da hora quando Lucila telefonou várias vezes. Nas primeiras vezes, ele não pôde atender, mas depois percebeu a fria que havia se metido. Correu para se arrumar, pedindo que Silvia fosse embora. Ela se negava. Depois de muito tempo e de uma certa agressividade, Rafa conseguiu sair vestindo seu fraque e levando Silvia pra fora do apartamento.
No caminho para a igreja Rafa até se arrependeu. Mas sabia que não podia se cobrar tanto. Pois ele não teve culpa. Foi obrigado a ceder aos seus desejos animais de macho reprodutor, nada além disso.
Já de volta ao escritório, Rafa tentou mais uma vez falar com Lucila. Desta vez, ela atendeu:
- Oi Rafa.
- Oie meu amor. Estou louco de saudades. Quando você volta?
- Acho que até amanhã conseguiremos terminar tudo.
- Conseguiremos?
- Sim. Estou eu e o Cadú.
- Cadú?
-É! O engenheiro do cliente. Gente boa ele.
- Ah.. gente boa? Que bom, que bom.
- Bom, estamos indo tomar um banho pra jantar. Amanhã te ligo.
- Tá bem, meu amor. Te adoro, viu?
Lucila desligou. Ainda não conseguia fazer declarações de amor. Entrou no chuveiro e resolveu arrumar mentalmente tudo que precisava pensar. Lembrava do anel. Lembrava do atraso de Rafa e a sua justificativa de ter trabalhado no sábado. Então decidiu que desta vez iria pôr tudo em pratos limpos. Precisava saber se Rafa estava ou não falando a verdade.
Logo que saiu do banho, pegou o celular e ligou para o escritório de Rafa. Falseando a voz pediu para falar com Gabriel, o sócio de Rafa que ela odiava especialmente por ele só a chamar de Lucilda. Gabriel atendeu:
- Eu!
- Oi Gabriel, é Lucila. Tudo bem?
- Lucilda!!!!!!!!!! Olá gatona! Tudo bem? Quer falar com o varão do seu namorado?
- Não! Não precisa. Na verdade quero uma ajuda. Eu emprestei meu carro pro Rafa ir pro escritório no sábado. Ele tá todo arranhado. Não queria preocupar Rafa com isso, então pensei em ligar pro estacionamento e resolver. Eles devem ter registro dos carros, não é?
- Sábado? Ahh... bom, Lucilda eu não tenho não. Mas vou te passar pra minha “secretina” e ela te arruma isso aí, tá bem?
Lucila esperou até que a secretária arrumasse o telefone. Ficou olhando pro papel. Sabia que se Rafa tivesse mentido, ela teria que tomar uma atitude. Ligou pro estacionamento e deu os dados do carro de Rafa. Não havia registro do carro no sábado. Lucila se apegou na idéia de que Rafa poderia ter ido sem o carro. Sabia que isso era praticamente impossível, mas precisava ter essa esperança. Perguntaria pra ele assim que voltasse.
A casa era realmente magnífica. Lucila tinha que reconhecer que o que aquele engenheiro tinha de chato, tinha também de talentoso. Era impossível não se empolgar em trabalhar num projeto como aquele.
Carlos Eduardo ou Cadu – como pediu pra ser chamado - mostrou todo o imóvel e fez suas considerações a respeito de cada ambiente. Lucila se surpreendeu com sua competência, ele realmente sabia o que estava falando e tinha idéias incríveis. Valeria a pena agüentar aquele hippie chato, se fosse pra fazer um bom trabalho.
Os dois discutiram idéias, fizeram anotações, tiraram fotos. A hora passou e nenhum dos dois percebeu. Então, foram almoçar em um restaurante bem charmoso próximo a casa.
Se não fosse pelo senso de humor duvidoso, Cadu seria uma boa companhia. Mas sua mania insuportável de fazer piada com absolutamente tudo, irritava Lucila. Eram trocadilhos sem graça, piadas batidas. Só ele mesmo achava graça. No início, Lucila pra ser simpática, ainda sorria. Com o passar do tempo, preferia fingir não ter ouvido. Mas isso não inibia Cadu, que inventava logo uma nova piada.
Enquanto almoçavam, o celular de Lucila tocou. Era Rafa. Ela não atendeu. Não queria falar com ele naquele momento. Logo depois foi o telefone de Cadu que tocou. Ele atendeu:
- Oie minha bijujujuca!!!!!!!!!
"Bijujujuca”???? - Lucila prendeu o riso e fingiu não prestar atenção na conversa em tom infantil que seu colega tinha ao telefone. Lucila pensava quem poderia ser essa “bijujujuca” que agüentava essa voz irritante e ainda encarava esse modelito descombinado de Cadú? Ele desligou e falou:
- Desculpa, não podia deixar de atender.
Lucila falou que tudo bem e voltou ao assunto do projeto. Como se a ignorasse, Cadu, voltou no assunto anterior. Ele queria falar sobre sua bijujujuca. Era importante pra ele. Interrompendo Lucila, disse:
- Desculpa te interromper, mas custo a voltar ao meu normal quando falo com essa mulher. A mulher da minha vida. Você entende?
Lucila arregalou os olhos e balançou a cabeça concordando, apesar de que não tinha a menor idéia do que Cadú estivesse falando. Ele continuou:
- Eu falo com ela e perco o foco. Me desculpe. Ahh... quem manda ter uma namorada tão especial, não é? Você tem namorado?
Lucila sem graça, não esperava ter que dividir detalhes da sua vida particular com aquele chato. Respondeu secamente:
- Tenho. Mas voltando ao projeto, Cadu. Eu pensei em esquadrias de alumínio. O que você acha?
Cadu demorou um tempo para voltar ao normal. Como ele mesmo havia dito, falar com sua namorada parecia mesmo o tirar do sério.
O almoço acabou e os dois pediram a conta. Voltariam para a casa para fechar mais alguns detalhes. Tinham pouco tempo pra decidir tudo.
Enquanto isso, Rafa estacionava seu carro em frente a um prédio na Barra da Tijuca. Não precisou se anunciar, o porteiro parecia o conhecer. Ele subiu e abriu a porta com sua própria chave. Não havia ninguém em casa, então apenas colocou o anel sobre a mesa. Pensou em aproveitar para deixar também as chaves, mas desistiu.
No caminho de volta para o escritório, tentou mais uma vez ligar para Lucila, que de novo não atendeu. Deixou um recado simpático, apesar de já estar de saco cheio daquela situação. Sabia que tinha que agüentar. Por sorte Lucila nem se lembraria do anel. Estava bêbada, talvez as lembranças estivessem confusas. Rafa torcia para isso. Não saberia explicar como o anel de Silvia estava na sua casa.
Silvia era mais velha que Rafa. A relação dos dois sempre foi tranqüila, nenhum dos dois esperava mais do que o outro poderia dar. Porém, um pouco depois de Rafa reencontrar Lucila, Silvia contou que havia se separado. A partir daí a relação dos dois mudou. Silvia não queria apenas exclusividade, queria começar uma nova vida com Rafa. Ela o culpava pelo fim do seu casamento, se dizia apaixonada e que não podia mais manter a relação com seu marido. Rafa pulou fora. Não era mais do jeito que ele queria. Ainda mais quando começou a namorar Lucila, queria fazer tudo direito. Lucila merecia isso.
Porém, Silvia parecia uma pedra no sapato de Rafa. Quase arruinou tudo quando o fez perder a hora justo no dia do casamento de Ana. Rafa acreditava que não tinha culpa, foi vítima da situação.
Ele já havia rompido com Silvia. Pelo menos na cabeça dele, o fato de não atender mais as ligações de Silvia, deixava claro que ele não queria mais nada com ela. No dia do casamento de Ana e André, era quase hora do almoço e Rafa desceu pra comprar alguma coisa pra comer. Quando voltou encontrou Silvia no corredor do prédio. Ela chorava, gritava. Estava totalmente descontrolada. Rafa, desesperado a colocou para dentro. Foi buscar um pouco d’água e quando voltou Silvia estava só de calcinha deitada no seu sofá.
Como Silvia estava com objetivo claro de ter Rafa de volta, a "brincadeira" foi até tarde. Rafa só se deu conta da hora quando Lucila telefonou várias vezes. Nas primeiras vezes, ele não pôde atender, mas depois percebeu a fria que havia se metido. Correu para se arrumar, pedindo que Silvia fosse embora. Ela se negava. Depois de muito tempo e de uma certa agressividade, Rafa conseguiu sair vestindo seu fraque e levando Silvia pra fora do apartamento.
No caminho para a igreja Rafa até se arrependeu. Mas sabia que não podia se cobrar tanto. Pois ele não teve culpa. Foi obrigado a ceder aos seus desejos animais de macho reprodutor, nada além disso.
Já de volta ao escritório, Rafa tentou mais uma vez falar com Lucila. Desta vez, ela atendeu:
- Oi Rafa.
- Oie meu amor. Estou louco de saudades. Quando você volta?
- Acho que até amanhã conseguiremos terminar tudo.
- Conseguiremos?
- Sim. Estou eu e o Cadú.
- Cadú?
-É! O engenheiro do cliente. Gente boa ele.
- Ah.. gente boa? Que bom, que bom.
- Bom, estamos indo tomar um banho pra jantar. Amanhã te ligo.
- Tá bem, meu amor. Te adoro, viu?
Lucila desligou. Ainda não conseguia fazer declarações de amor. Entrou no chuveiro e resolveu arrumar mentalmente tudo que precisava pensar. Lembrava do anel. Lembrava do atraso de Rafa e a sua justificativa de ter trabalhado no sábado. Então decidiu que desta vez iria pôr tudo em pratos limpos. Precisava saber se Rafa estava ou não falando a verdade.
Logo que saiu do banho, pegou o celular e ligou para o escritório de Rafa. Falseando a voz pediu para falar com Gabriel, o sócio de Rafa que ela odiava especialmente por ele só a chamar de Lucilda. Gabriel atendeu:
- Eu!
- Oi Gabriel, é Lucila. Tudo bem?
- Lucilda!!!!!!!!!! Olá gatona! Tudo bem? Quer falar com o varão do seu namorado?
- Não! Não precisa. Na verdade quero uma ajuda. Eu emprestei meu carro pro Rafa ir pro escritório no sábado. Ele tá todo arranhado. Não queria preocupar Rafa com isso, então pensei em ligar pro estacionamento e resolver. Eles devem ter registro dos carros, não é?
- Sábado? Ahh... bom, Lucilda eu não tenho não. Mas vou te passar pra minha “secretina” e ela te arruma isso aí, tá bem?
Lucila esperou até que a secretária arrumasse o telefone. Ficou olhando pro papel. Sabia que se Rafa tivesse mentido, ela teria que tomar uma atitude. Ligou pro estacionamento e deu os dados do carro de Rafa. Não havia registro do carro no sábado. Lucila se apegou na idéia de que Rafa poderia ter ido sem o carro. Sabia que isso era praticamente impossível, mas precisava ter essa esperança. Perguntaria pra ele assim que voltasse.
Marcadores:
amor,
Barbara Ferreira,
blog feminino,
blognovela,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
traição,
trinta anos
terça-feira, 26 de maio de 2009
CAPÍTULO 37
Apesar da ansiedade em encontrar Marcelo Zacaro, Juca estava preocupado. Não entendia o que estava acontecendo consigo, mas sentia algo parecido com ciúmes e talvez por isso não quisesse que Marcelo aparecesse.
Juca e o agente da PF estavam sentados no escritório da Polícia Especial de Miami. O agente fazia ligações, acessava o computador, falava num inglês precário pelo rádio. Juca apenas observava. Não tinha muito o que fazer, a não ser esperar. Sempre que tinha autorização ia até a cela de Bruna. Eles conversavam, normalmente sobre o processo. Mas nunca tinham muito tempo. O permitido era no máximo vinte minutos.
Enquanto observava toda a agitação do lugar, notou um entusiasmo exacerbado do agente brasileiro, que imediatamente correu até Juca e disse:
- Pegamos o filho da puta!
Juca não comemorou. Estava com todos aqueles sentimentos confusos. Apenas sorriu e bateu nas costas do policial, o cumprimentado pela vitória. Logo depois perguntou:
- Posso contar à Bruna?
O agente quase se ofendeu:
- Não! Aliás, ninguém fala com a garota até segunda ordem!
O agente saiu e passou a orientação para os demais. Bruna ficaria um tempo sem receber visitas. A sua idéia era confrontá-los em testemunho, pois ao contrário de Juca, o agente desconfiava da inocência de Bruna.
Horas depois, Juca ainda esperava o retorno da equipe. Mas já tinha sido avisado que também não teria acesso à Marcelo. Então, resolveu sair da delegacia. Foi caminhando até o hotel, pediu indicação de um barbeiro e cortou os cabelos que estavam em total descuido. Fez a barba, comprou um casaco novo e de banho tomado, o vestiu. De novo parecia o antigo Juca: alinhado, charmoso, um gentleman.
Ao invés de voltar para delegacia, apenas ligou para saber se poderia ser útil. Não seria. Apenas o advogado de Bruna poderia participar das averiguações. Diante disso, saiu novamente do hotel afim de procurar um bom restaurante para comer. Assim que saiu do hotel foi interceptado por Antônio Carlos, seu antigo funcionário que junto com Dra. Joana se tornaram cúmplices de Marcelo e Waldemar Zacaro no esquema dos hospitais. Juca se assustou quando viu Antônio Carlos:
- Juca? Me desculpe, não queria te assustar.
- Mas assustou. O que você está fazendo aqui seu filho da mãe! ? – alterado, ficou vermelho e parecia querer agredir Antônio Carlos. Este, deu passou para trás e disse nitidamente apavorado:
- Desculpa! Me desculpe! Eu vim aqui para falar com você. Preciso da sua ajuda!
Juca riu debochado.
- Da minha ajuda? E porque você acha que eu iria ajudá-lo? Você é um desgraçado e por causa da sua ambição, acabou com a minha vida!
- Eu sei! Mas por favor, me escute! Eu vou me entregar! Eu conto tudo o que precisarem! Mas preciso de proteção.
- Proteção?
Antônio Carlos claramente tinha entrado no esquema de gaiato. Era óbvia a sua não vocação para este tipo de golpe. Era medroso, covarde e agora se parecia com uma criança assuntada. Gaguejando e olhando para os lados como se precisasse se certificar de que não era seguido, falou:
- Marcelo contratou um homem para nos matar. Ele matou Joana! Ela está morta. Morta!
Juca entendendo a gravidade da situação, o fez entrar no hotel. Subiram para o quarto. Juca lhe deu copo d’água e pediu para que ele se acalmasse. Depois falou:
- Agora me conta tudo desde o começo.
Antônio Carlos contou que quando o esquema fora descoberto e Waldemar preso, ele e Joana não conseguiam mais contato com Marcelo. Depois de um tempo foragidos, conseguiram localizar Marcelo em Miami. Ele também contou do acordo que os três fizeram e sobre o pedido de Marcelo para que eles saíssem de Miami e enviassem seus novos endereços para uma caixa postal. Dias depois do envio do endereço, Joana e Antônio Carlos tiveram a impressão de estarem sendo seguidos. Estavam certos. Um dia pela manhã, diferente de sua rotina habitual, Antonio Carlos acordou antes de Joana e resolveu ir até a padaria. Foi a sua sorte, pois quando voltou Joana já estava morta e seu assassino o esperava. Mas Antonio conseguiu fugir.
Juca ouvia tudo apavorado. Pensava em Bruna e que talvez ele tivesse sido agressivo com ela. Mas conseguiu retomar seu foco para o problema principal: o que fazer com Antônio Carlos? Tentou ligar para o agente da PF, mas não conseguiu falar. Ele deveria estar na apreensão de Marcelo. Juca então, decidiu que Antônio passaria a noite no hotel com ele. No dia seguinte ele mesmo o levaria para a delegacia.
Antônio estava tão cansado que depois do banho e de vestir as roupas emprestadas por Juca, desmaiou na cama. Arrependimento era mais do que uma palavra para descrever aquele homem que agora tinha medo da morte.
No dia seguinte, logo cedo, Juca contou ao agente o que havia acontecido. Foram para a delegacia. Antônio iria depor também. Mas desta vez, Juca não providenciaria nenhum advogado. Enquanto explicava isso ao agente, Marcelo entrou algemado e escoltado por dois policiais. Ele passou pelo corredor lateral da sala onde Juca estava. Cabeça erguida, andar imponente, nem parecia estar sendo preso.
Ele e Juca trocaram olhares e Marcelo ainda teve a empáfia de cumprimentá-lo com um balançar de cabeça. Juca se controlou para não voar em cima dele.
Logo depois, Juca voltou ao hotel a pedido do agente , que prometia ter respostas sobre a deportação dos três em poucos dias.
Juca e o agente da PF estavam sentados no escritório da Polícia Especial de Miami. O agente fazia ligações, acessava o computador, falava num inglês precário pelo rádio. Juca apenas observava. Não tinha muito o que fazer, a não ser esperar. Sempre que tinha autorização ia até a cela de Bruna. Eles conversavam, normalmente sobre o processo. Mas nunca tinham muito tempo. O permitido era no máximo vinte minutos.
Enquanto observava toda a agitação do lugar, notou um entusiasmo exacerbado do agente brasileiro, que imediatamente correu até Juca e disse:
- Pegamos o filho da puta!
Juca não comemorou. Estava com todos aqueles sentimentos confusos. Apenas sorriu e bateu nas costas do policial, o cumprimentado pela vitória. Logo depois perguntou:
- Posso contar à Bruna?
O agente quase se ofendeu:
- Não! Aliás, ninguém fala com a garota até segunda ordem!
O agente saiu e passou a orientação para os demais. Bruna ficaria um tempo sem receber visitas. A sua idéia era confrontá-los em testemunho, pois ao contrário de Juca, o agente desconfiava da inocência de Bruna.
Horas depois, Juca ainda esperava o retorno da equipe. Mas já tinha sido avisado que também não teria acesso à Marcelo. Então, resolveu sair da delegacia. Foi caminhando até o hotel, pediu indicação de um barbeiro e cortou os cabelos que estavam em total descuido. Fez a barba, comprou um casaco novo e de banho tomado, o vestiu. De novo parecia o antigo Juca: alinhado, charmoso, um gentleman.
Ao invés de voltar para delegacia, apenas ligou para saber se poderia ser útil. Não seria. Apenas o advogado de Bruna poderia participar das averiguações. Diante disso, saiu novamente do hotel afim de procurar um bom restaurante para comer. Assim que saiu do hotel foi interceptado por Antônio Carlos, seu antigo funcionário que junto com Dra. Joana se tornaram cúmplices de Marcelo e Waldemar Zacaro no esquema dos hospitais. Juca se assustou quando viu Antônio Carlos:
- Juca? Me desculpe, não queria te assustar.
- Mas assustou. O que você está fazendo aqui seu filho da mãe! ? – alterado, ficou vermelho e parecia querer agredir Antônio Carlos. Este, deu passou para trás e disse nitidamente apavorado:
- Desculpa! Me desculpe! Eu vim aqui para falar com você. Preciso da sua ajuda!
Juca riu debochado.
- Da minha ajuda? E porque você acha que eu iria ajudá-lo? Você é um desgraçado e por causa da sua ambição, acabou com a minha vida!
- Eu sei! Mas por favor, me escute! Eu vou me entregar! Eu conto tudo o que precisarem! Mas preciso de proteção.
- Proteção?
Antônio Carlos claramente tinha entrado no esquema de gaiato. Era óbvia a sua não vocação para este tipo de golpe. Era medroso, covarde e agora se parecia com uma criança assuntada. Gaguejando e olhando para os lados como se precisasse se certificar de que não era seguido, falou:
- Marcelo contratou um homem para nos matar. Ele matou Joana! Ela está morta. Morta!
Juca entendendo a gravidade da situação, o fez entrar no hotel. Subiram para o quarto. Juca lhe deu copo d’água e pediu para que ele se acalmasse. Depois falou:
- Agora me conta tudo desde o começo.
Antônio Carlos contou que quando o esquema fora descoberto e Waldemar preso, ele e Joana não conseguiam mais contato com Marcelo. Depois de um tempo foragidos, conseguiram localizar Marcelo em Miami. Ele também contou do acordo que os três fizeram e sobre o pedido de Marcelo para que eles saíssem de Miami e enviassem seus novos endereços para uma caixa postal. Dias depois do envio do endereço, Joana e Antônio Carlos tiveram a impressão de estarem sendo seguidos. Estavam certos. Um dia pela manhã, diferente de sua rotina habitual, Antonio Carlos acordou antes de Joana e resolveu ir até a padaria. Foi a sua sorte, pois quando voltou Joana já estava morta e seu assassino o esperava. Mas Antonio conseguiu fugir.
Juca ouvia tudo apavorado. Pensava em Bruna e que talvez ele tivesse sido agressivo com ela. Mas conseguiu retomar seu foco para o problema principal: o que fazer com Antônio Carlos? Tentou ligar para o agente da PF, mas não conseguiu falar. Ele deveria estar na apreensão de Marcelo. Juca então, decidiu que Antônio passaria a noite no hotel com ele. No dia seguinte ele mesmo o levaria para a delegacia.
Antônio estava tão cansado que depois do banho e de vestir as roupas emprestadas por Juca, desmaiou na cama. Arrependimento era mais do que uma palavra para descrever aquele homem que agora tinha medo da morte.
No dia seguinte, logo cedo, Juca contou ao agente o que havia acontecido. Foram para a delegacia. Antônio iria depor também. Mas desta vez, Juca não providenciaria nenhum advogado. Enquanto explicava isso ao agente, Marcelo entrou algemado e escoltado por dois policiais. Ele passou pelo corredor lateral da sala onde Juca estava. Cabeça erguida, andar imponente, nem parecia estar sendo preso.
Ele e Juca trocaram olhares e Marcelo ainda teve a empáfia de cumprimentá-lo com um balançar de cabeça. Juca se controlou para não voar em cima dele.
Logo depois, Juca voltou ao hotel a pedido do agente , que prometia ter respostas sobre a deportação dos três em poucos dias.
Marcadores:
blog feminino,
blognovela,
deportação,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
miami,
novela no blog,
novela on line,
polícia federal,
webnovela
quinta-feira, 21 de maio de 2009
CAPÍTULO 36
Conforme prometeu, Juca contratou um advogado para cuidar do caso de Bruna. Enquanto isso, a polícia especial de Miami e o agente da PF brasileiro procuravam Marcelo Zacaro.
Seguindo a dica dada por Bruna, o próprio Juca acompanhou o agente até a marina onde o iate de Marcelo estaria. Logo que chegaram lá descobriram que Marcelo tinha zarpado há alguns dias.
Os trâmites para organizar uma busca no Brasil são inúmeros e nem sempre se consegue o que se quer. Isso não acontecia em Miami. Foi só informar o acontecido que a guarda costeira de Miami foi acionada.
Bruna ainda estava sob custódia da polícia. Apesar de tecnicamente ser uma cela, não se parecia com uma. Pelo menos não na visão de uma brasileira. Era arejada, tinha cama confortável com lençóis limpos. Uma mesa com um abajur para leitura e um banheiro quase privativo. Bruna lia um livro que Juca havia lhe dado. Ela passava o tempo todo lendo ou dormindo. Mal comia o que lhe ofereciam. Esperava o tempo passar como se não tivesse pressa. Juca sempre que podia ia até lá. Às vezes junto com o advogado, outras não. Era o melhor momento do dia de Bruna ... e de Juca.
***************************
Lucila acordou antes de Rafa e entrou no chuveiro com a cabeça à mil. Sabia que tinha se rendido cedo demais aos encantos de Rafa. Lembrava-se de Bardot, que por causa de caprichos como este, ficou vinte anos longe do seu grande amor. Isso a deixava confiante de ter feito a coisa certa. Mas quando pensava em Ana e no que ela diria se soubesse de toda história, se arrependia.
Antes de acabar seu banho, foi surpreendida por Rafa que entrou no chuveiro para lhe dar “bom dia”. Lucila mais uma vez deixou de lado os pensamentos e de novo mergulhou na paixão que não a deixava raciocinar.
Os dois se arrumaram e Rafa a deixou no escritório. Lucila falava pouco, sentia uma espécie de culpa. Enquanto Rafa agia naturalmente, como se nada tivesse acontecido.
Ao chegar no escritório Lucila foi interceptada por sua chefe Bardot. Ela falava sem parar sobre seus planos para os pontos finais do projeto da joalheria que as duas tocavam juntas. Lucila não conseguia prestar atenção. Só reparava na vitalidade da chefe e se forçava a acreditar que era obra da felicidade de Bardot junto ao seu amor Luis Antônio.
- Lucila??? Alou??? – Bardot percebendo que a funcionária estava longe, chamou atenção de Lucila.
Lucila sem graça, não disfarçou:
- Desculpa Bardot. Estava te olhando. Você está tão cheia de energia, tão “pra cima”.
Antes de chegar onde queria, Lucila foi interrompida por Bardot que disse:
- Em momentos de pesadelo emocional, só o trabalho me salva.
Lucila não esperava esta resposta. Ao contrário, esperava ter uma motivação, um embasamento para continuar acreditando em Rafa. Precisava de uma força, um exemplo que assegurasse de que ela não estava errada.
Nesse momento a energia de Bardot desapareceu. Ela se sentou no canto da mesa e falou baixo para Lucila:
- Acabou, Lucila. Eu e Luiz. Acabou. Mas desta vez não vou me arrepender por não ter tentado, não é? Eu tentei, acreditei que ele tinha mudado, tinha amadurecido. Mas me enganei.
Lucila quase chorou. Vendo seu desespero, Bardot se apressou em dizer:
- Lucila! Calma! Cada caso é um caso. Não é uma regra. Você não pode se basear no fracasso da minha relação. Viva a sua vida.
Lucila sorriu, mas não foi o suficiente para se sentir confortada. Precisava de mais. Precisava de certezas que não tinha. Bardot pensando em desviar o assunto falou:
- Vamos trabalhar? Pegue suas plantas e vamos, ok?
Mesmo meio perdida em seus pensamentos, Lucila tentou se concentrar e acompanhou Bardot. Os clientes já a aguardavam na sala de reunião e estavam ansiosos pelas criações de Bardot.
A reunião foi um sucesso, apesar as total dispersão de Lucila. Os clientes ficaram satisfeitos e um novo projeto foi encomendado. Era um pedido especial do dono da joalheria: a sua casa da serra. Bardot não pegava mais este tipo de projeto, mas era sem dúvida um caso especial. Lucila ficaria responsável pelo projeto junto com o engenheiro que construiu a casa. Logo depois da reunião já marcaram de irem juntos ver o imóvel.
Lucila estava agradecida por ficar uns dias fora neste projeto. E Bardot sabia disso. De alguma maneira ela se sentia responsável por encorajar Lucila na relação com o ex namorado, e percebia que as coisas não iam tão bem.
Logo que voltou pra sua mesa, Rafa ligou. Lucila foi seca, estava estranha. Sabia que em algum momento teria que confrontar Rafa a respeito da cena do anel, que ele fingia não ter existido. Falaram rapidamente e Lucila contou que passaria dois dias fora e que hoje não o poderia vê-lo, pois teria que providenciar as coisas para a viagem.
Rafa sabia que era uma desculpa, mas também conhecia muito bem Lucila e sua esperança é que com o tempo ela voltasse ao normal.
Ao final do dia, Lucila passou na farmácia e comprou algumas coisas que precisaria para sua viagem. A casa do dono da joalheria ficava em Araras, na serra do Rio. Pelo que tinha combinado com Carlos Eduardo, o engenheiro, eles ficariam uns dois dias pelo menos e se hospedariam em uma pousada próxima à casa.
Depois de duas horas tentando fazer uma mala pelo menos razoável. Lucila desmaiou de cansaço. Estava exausta emocionalmente.
Conforme combinado, no dia seguinte às 8h da manhã o tal Carlos Eduardo estava em sua portaria. Lucila desceu e se apresentaram. Carlos Eduardo não era feio, mas estava longe de ser bonito. Com certeza era solteiro, pois sua camisa xadrez nada tinha a ver com sua calça meio cargo, de uma cor indefinida, provavelmente desbotada pelo tempo. Os cabelos meio compridos e totalmente desalinhados ainda reforçavam ainda mais sua imagem “casual”, quase “hippie”
A viagem era curta, cerca de uma hora e meia, mas parecia uma eternidade. Carlos Eduardo era uma das pessoas mais chatas que Lucila já havia conhecido. Queria ser engraçado, simpático em excesso. Aquela hora da manhã falava sem parar, enquanto Lucila só queria sossego.
Lucila só pensava que teria que agüentar aquela mala ainda mais dois dias. Ele e suas piadas e trocadilhos infames. Mas tudo bem, ela precisava ficar longe de Rafa. Mesmo que ele não saísse da sua cabeça.
Seguindo a dica dada por Bruna, o próprio Juca acompanhou o agente até a marina onde o iate de Marcelo estaria. Logo que chegaram lá descobriram que Marcelo tinha zarpado há alguns dias.
Os trâmites para organizar uma busca no Brasil são inúmeros e nem sempre se consegue o que se quer. Isso não acontecia em Miami. Foi só informar o acontecido que a guarda costeira de Miami foi acionada.
Bruna ainda estava sob custódia da polícia. Apesar de tecnicamente ser uma cela, não se parecia com uma. Pelo menos não na visão de uma brasileira. Era arejada, tinha cama confortável com lençóis limpos. Uma mesa com um abajur para leitura e um banheiro quase privativo. Bruna lia um livro que Juca havia lhe dado. Ela passava o tempo todo lendo ou dormindo. Mal comia o que lhe ofereciam. Esperava o tempo passar como se não tivesse pressa. Juca sempre que podia ia até lá. Às vezes junto com o advogado, outras não. Era o melhor momento do dia de Bruna ... e de Juca.
***************************
Lucila acordou antes de Rafa e entrou no chuveiro com a cabeça à mil. Sabia que tinha se rendido cedo demais aos encantos de Rafa. Lembrava-se de Bardot, que por causa de caprichos como este, ficou vinte anos longe do seu grande amor. Isso a deixava confiante de ter feito a coisa certa. Mas quando pensava em Ana e no que ela diria se soubesse de toda história, se arrependia.
Antes de acabar seu banho, foi surpreendida por Rafa que entrou no chuveiro para lhe dar “bom dia”. Lucila mais uma vez deixou de lado os pensamentos e de novo mergulhou na paixão que não a deixava raciocinar.
Os dois se arrumaram e Rafa a deixou no escritório. Lucila falava pouco, sentia uma espécie de culpa. Enquanto Rafa agia naturalmente, como se nada tivesse acontecido.
Ao chegar no escritório Lucila foi interceptada por sua chefe Bardot. Ela falava sem parar sobre seus planos para os pontos finais do projeto da joalheria que as duas tocavam juntas. Lucila não conseguia prestar atenção. Só reparava na vitalidade da chefe e se forçava a acreditar que era obra da felicidade de Bardot junto ao seu amor Luis Antônio.
- Lucila??? Alou??? – Bardot percebendo que a funcionária estava longe, chamou atenção de Lucila.
Lucila sem graça, não disfarçou:
- Desculpa Bardot. Estava te olhando. Você está tão cheia de energia, tão “pra cima”.
Antes de chegar onde queria, Lucila foi interrompida por Bardot que disse:
- Em momentos de pesadelo emocional, só o trabalho me salva.
Lucila não esperava esta resposta. Ao contrário, esperava ter uma motivação, um embasamento para continuar acreditando em Rafa. Precisava de uma força, um exemplo que assegurasse de que ela não estava errada.
Nesse momento a energia de Bardot desapareceu. Ela se sentou no canto da mesa e falou baixo para Lucila:
- Acabou, Lucila. Eu e Luiz. Acabou. Mas desta vez não vou me arrepender por não ter tentado, não é? Eu tentei, acreditei que ele tinha mudado, tinha amadurecido. Mas me enganei.
Lucila quase chorou. Vendo seu desespero, Bardot se apressou em dizer:
- Lucila! Calma! Cada caso é um caso. Não é uma regra. Você não pode se basear no fracasso da minha relação. Viva a sua vida.
Lucila sorriu, mas não foi o suficiente para se sentir confortada. Precisava de mais. Precisava de certezas que não tinha. Bardot pensando em desviar o assunto falou:
- Vamos trabalhar? Pegue suas plantas e vamos, ok?
Mesmo meio perdida em seus pensamentos, Lucila tentou se concentrar e acompanhou Bardot. Os clientes já a aguardavam na sala de reunião e estavam ansiosos pelas criações de Bardot.
A reunião foi um sucesso, apesar as total dispersão de Lucila. Os clientes ficaram satisfeitos e um novo projeto foi encomendado. Era um pedido especial do dono da joalheria: a sua casa da serra. Bardot não pegava mais este tipo de projeto, mas era sem dúvida um caso especial. Lucila ficaria responsável pelo projeto junto com o engenheiro que construiu a casa. Logo depois da reunião já marcaram de irem juntos ver o imóvel.
Lucila estava agradecida por ficar uns dias fora neste projeto. E Bardot sabia disso. De alguma maneira ela se sentia responsável por encorajar Lucila na relação com o ex namorado, e percebia que as coisas não iam tão bem.
Logo que voltou pra sua mesa, Rafa ligou. Lucila foi seca, estava estranha. Sabia que em algum momento teria que confrontar Rafa a respeito da cena do anel, que ele fingia não ter existido. Falaram rapidamente e Lucila contou que passaria dois dias fora e que hoje não o poderia vê-lo, pois teria que providenciar as coisas para a viagem.
Rafa sabia que era uma desculpa, mas também conhecia muito bem Lucila e sua esperança é que com o tempo ela voltasse ao normal.
Ao final do dia, Lucila passou na farmácia e comprou algumas coisas que precisaria para sua viagem. A casa do dono da joalheria ficava em Araras, na serra do Rio. Pelo que tinha combinado com Carlos Eduardo, o engenheiro, eles ficariam uns dois dias pelo menos e se hospedariam em uma pousada próxima à casa.
Depois de duas horas tentando fazer uma mala pelo menos razoável. Lucila desmaiou de cansaço. Estava exausta emocionalmente.
Conforme combinado, no dia seguinte às 8h da manhã o tal Carlos Eduardo estava em sua portaria. Lucila desceu e se apresentaram. Carlos Eduardo não era feio, mas estava longe de ser bonito. Com certeza era solteiro, pois sua camisa xadrez nada tinha a ver com sua calça meio cargo, de uma cor indefinida, provavelmente desbotada pelo tempo. Os cabelos meio compridos e totalmente desalinhados ainda reforçavam ainda mais sua imagem “casual”, quase “hippie”
A viagem era curta, cerca de uma hora e meia, mas parecia uma eternidade. Carlos Eduardo era uma das pessoas mais chatas que Lucila já havia conhecido. Queria ser engraçado, simpático em excesso. Aquela hora da manhã falava sem parar, enquanto Lucila só queria sossego.
Lucila só pensava que teria que agüentar aquela mala ainda mais dois dias. Ele e suas piadas e trocadilhos infames. Mas tudo bem, ela precisava ficar longe de Rafa. Mesmo que ele não saísse da sua cabeça.
Marcadores:
araras,
Barbara Ferreira,
blog feminino,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
novelaonline
terça-feira, 19 de maio de 2009
CAPÍTULO 35
Lucila acordou e Rafa não estava na cama. Sentiu um alívio. Olhou em volta, foi até a sala e nada. Voltou para o quarto e viu que havia um bilhete no espelho:
Meu amor,
tive uma urgência no escritório. Deixei café pronto.
Te amo,
Rafa.
Lucila riu debochado. Mesmo assim achou melhor não ter que se encontrar com Rafa. Estava mal humorada e acordou sem a menor vontade de olhar pra cara do namorado. Beliscou alguma coisa na cozinha, se vestiu e foi embora. Precisava relaxar. No caminho, ligou para Carla que estava saindo da praia e indo para o Bracarense. – “Perfeito” – pensou Lucila. Passou em casa tirou o vestido de festa e foi se encontrar com Carla.
Carla estava numa mesa com Flávio e Tadeu. Marcos já tinha ido embora se encontrar com seu novo casinho. Além deles, estava também uma amiga de Carla que tinha acabado de se separar .
Lucila chegou sorrindo. Nem parecia que na noite anterior tinha achado um anel de mulher no banheiro do seu namorado. Mas ela era assim. Quanto mais chateada com um assunto, menos se prendia a ele. Pelo menos nos primeiros momentos. Agora ela só queria se divertir um pouco e quem sabe, deixar Rafa um pouco preocupado com um leve sumiço de sua namorada.
Então se sentou e logo pediu um chope. Não comentou nada sobre Rafa, apesar de perguntarem sobre ele. Apenas explicou que ele tinha ido trabalhar em pleno domingo. Falou sobre o casamento, omitindo a parte de que quase foi daminha de honra. Logo começou a ouvir a história da amiga de Carla, que como toda mulher que acaba de se separar, quer contar toooooda história para toooodo mundo.
Lucila sempre adorou ouvir e se meter na vida dos outros. Não tinha problemas em aconselhar sobre qualquer assunto. Na verdade, ela também era assim com a própria vida. Hoje, não comentou os acontecimentos pois nem ela mesma queria ouvir sobre o assunto. Mas sabia que quando superasse isso, a história seria contata para todos seus amigos, em tom de piada, rindo da própria situação. Esse era o jeito de Lucila. Assim, ela sempre tentava disfarçar os medos e seus pontos fracos. Rafa era um ponto fraco. Ele resistia ao tempo, ao temperamento vulnerável de Lucila e a sua inconstância geminiana. Ela continuava louca por ele.
Mais um chope e mais uma ligação de Rafa. Lucila tentava disfarçar que não estava atendendo ao namorado, mas era em vão. Todo viam a cara de satisfação a cada olhada no celular. Era como comemora um gol em torcida adversária – discreto, mas possível de perceber.
Depois de muito papo e muito conselho pra amiga de Carla, que a essas alturas acreditava que a vida de solteira era a mais divina da face da terra, Tadeu falou para Lucila:
- Então Lú, agora que só estamos nós, conta o que aconteceu com Rafa?
Lucila se fez de desentendida. Estava determinada a não assumir o possível fracasso do seu namoro. Não queria passar por aquilo mais um vez. Não merecia aquilo. Queria um tempo. Agora o álcool suavizava o peso do que tinha acontecido. Ela não queria pensar nisso agora. Dissimulada respondeu:
- Tudo bem, nem eu me entendo direito, Tadeu. Eu só sei que to adorando ficar sozinha hoje com meus amigos. Eu tava com saudade de vocês!
Todos se abraçaram desviando do assunto. Era o que Lucila esperava. Rafa já tinha deixado três recados e enviado dois sms. Lucila havia decidido não responder. Pelo menos até a noite não responderia. Também não o veria naquele domingo.
O chope se transformou em sono e com o tempo, todos começaram a se calar. Já eram quase dez horas da noite e eles tinham passado a tarde bebendo, comendo e papeando. Lucila amava esse tipo de programa, principalmente quando era precedido de uma prainha. Hoje, como havia acordado tarde, não conseguiu chegar a tempo pra praia, mas conseguiu o que queria: esvaziar sua cabeça.
Pediram a conta e Lucila foi pra casa. No caminho, mais um recado. Não ia responder agora, somente quando já estivesse em casa.
Embicou o carro na garagem e Rafa estava na porta. Com a cara fechada, encostado na grade. Quando Lucila parou, ele andou até o carro. Se abaixou e disse:
- Está tudo bem?
Lucila respondeu que sim. Não sabia muito como agir, não esperava em vê-lo. Rafa então falou:
- Era isso que eu queria saber. Se está tudo bem, fico mais tranqüilo. Boa noite, meu amor.
Ele deu um beijo estalado e saiu em direção a seu carro. Lucila não acreditou. Como ele não ia nem perguntar onde ela estava? Não agüentou e saltou do carro e fez sinal para que ele esperasse. Insatisfeita com a completa falta de ciúmes do namorado, falou:
- Está tudo bem sim, Rafa. Aliás está tudo ótimo. Eu não te atendi por que eu não quis! Entendeu? Eu não quis! Eu estava me divertindo e não queria falar com você. Está claro agora?
Rafa sorriu de leve como se achasse engraçado o desabafo da namorada meio bebunzinha. Ajeitou a alça do sutiã dela que aparecia sobre a blusa de Lucila e com uma voz carinhosa disse:
- Entendi, meu amor. Por isso que vou pra casa. Não é por que eu queira. Mas eu tenho que respeitar seu espaço.
Deu um beijo na testa de Lucila e entrou no carro, antes de arrancar prometeu ligar no dia seguinte. Lucila ficou parada vendo o carro se afastar. Estava ainda mais irritada! Que compreensão toda era essa? E o ciúme? E a insegurança? Rafa não tinha estes sentimentos? Era só ela que era atormentada por eles?
Ainda irritada subiu pro apartamento. O sono tranqüilo que achava que teria, foi embora. Lucila não agüentou mais do que trinta minutos. Ligou pra Rafa e pediu para que ele voltasse. Ele respondeu:
- Estou chegando, meu amor. E estou levando o jantar.
Rafa chegou com uma pizza. Lucila não se deu conta, mas pelo tempo e a temperatura da pizza, ele tinha certeza de que Lucila ligaria e provavelmente já havia encomendado a refeição antes mesmo dela ligar.
O constrangimento durou muito pouco. Rafa sabia exatamente como acabar com esse tipo de situação. E foi do seu modo mais “Rafa” de ser, que ele fez Lucila esquecer todos os “poréns” que a atormentavam horas antes. Os dois dormiram abraçadinhos depois de saborear uma pizza...já fria.
Meu amor,
tive uma urgência no escritório. Deixei café pronto.
Te amo,
Rafa.
Lucila riu debochado. Mesmo assim achou melhor não ter que se encontrar com Rafa. Estava mal humorada e acordou sem a menor vontade de olhar pra cara do namorado. Beliscou alguma coisa na cozinha, se vestiu e foi embora. Precisava relaxar. No caminho, ligou para Carla que estava saindo da praia e indo para o Bracarense. – “Perfeito” – pensou Lucila. Passou em casa tirou o vestido de festa e foi se encontrar com Carla.
Carla estava numa mesa com Flávio e Tadeu. Marcos já tinha ido embora se encontrar com seu novo casinho. Além deles, estava também uma amiga de Carla que tinha acabado de se separar .
Lucila chegou sorrindo. Nem parecia que na noite anterior tinha achado um anel de mulher no banheiro do seu namorado. Mas ela era assim. Quanto mais chateada com um assunto, menos se prendia a ele. Pelo menos nos primeiros momentos. Agora ela só queria se divertir um pouco e quem sabe, deixar Rafa um pouco preocupado com um leve sumiço de sua namorada.
Então se sentou e logo pediu um chope. Não comentou nada sobre Rafa, apesar de perguntarem sobre ele. Apenas explicou que ele tinha ido trabalhar em pleno domingo. Falou sobre o casamento, omitindo a parte de que quase foi daminha de honra. Logo começou a ouvir a história da amiga de Carla, que como toda mulher que acaba de se separar, quer contar toooooda história para toooodo mundo.
Lucila sempre adorou ouvir e se meter na vida dos outros. Não tinha problemas em aconselhar sobre qualquer assunto. Na verdade, ela também era assim com a própria vida. Hoje, não comentou os acontecimentos pois nem ela mesma queria ouvir sobre o assunto. Mas sabia que quando superasse isso, a história seria contata para todos seus amigos, em tom de piada, rindo da própria situação. Esse era o jeito de Lucila. Assim, ela sempre tentava disfarçar os medos e seus pontos fracos. Rafa era um ponto fraco. Ele resistia ao tempo, ao temperamento vulnerável de Lucila e a sua inconstância geminiana. Ela continuava louca por ele.
Mais um chope e mais uma ligação de Rafa. Lucila tentava disfarçar que não estava atendendo ao namorado, mas era em vão. Todo viam a cara de satisfação a cada olhada no celular. Era como comemora um gol em torcida adversária – discreto, mas possível de perceber.
Depois de muito papo e muito conselho pra amiga de Carla, que a essas alturas acreditava que a vida de solteira era a mais divina da face da terra, Tadeu falou para Lucila:
- Então Lú, agora que só estamos nós, conta o que aconteceu com Rafa?
Lucila se fez de desentendida. Estava determinada a não assumir o possível fracasso do seu namoro. Não queria passar por aquilo mais um vez. Não merecia aquilo. Queria um tempo. Agora o álcool suavizava o peso do que tinha acontecido. Ela não queria pensar nisso agora. Dissimulada respondeu:
- Tudo bem, nem eu me entendo direito, Tadeu. Eu só sei que to adorando ficar sozinha hoje com meus amigos. Eu tava com saudade de vocês!
Todos se abraçaram desviando do assunto. Era o que Lucila esperava. Rafa já tinha deixado três recados e enviado dois sms. Lucila havia decidido não responder. Pelo menos até a noite não responderia. Também não o veria naquele domingo.
O chope se transformou em sono e com o tempo, todos começaram a se calar. Já eram quase dez horas da noite e eles tinham passado a tarde bebendo, comendo e papeando. Lucila amava esse tipo de programa, principalmente quando era precedido de uma prainha. Hoje, como havia acordado tarde, não conseguiu chegar a tempo pra praia, mas conseguiu o que queria: esvaziar sua cabeça.
Pediram a conta e Lucila foi pra casa. No caminho, mais um recado. Não ia responder agora, somente quando já estivesse em casa.
Embicou o carro na garagem e Rafa estava na porta. Com a cara fechada, encostado na grade. Quando Lucila parou, ele andou até o carro. Se abaixou e disse:
- Está tudo bem?
Lucila respondeu que sim. Não sabia muito como agir, não esperava em vê-lo. Rafa então falou:
- Era isso que eu queria saber. Se está tudo bem, fico mais tranqüilo. Boa noite, meu amor.
Ele deu um beijo estalado e saiu em direção a seu carro. Lucila não acreditou. Como ele não ia nem perguntar onde ela estava? Não agüentou e saltou do carro e fez sinal para que ele esperasse. Insatisfeita com a completa falta de ciúmes do namorado, falou:
- Está tudo bem sim, Rafa. Aliás está tudo ótimo. Eu não te atendi por que eu não quis! Entendeu? Eu não quis! Eu estava me divertindo e não queria falar com você. Está claro agora?
Rafa sorriu de leve como se achasse engraçado o desabafo da namorada meio bebunzinha. Ajeitou a alça do sutiã dela que aparecia sobre a blusa de Lucila e com uma voz carinhosa disse:
- Entendi, meu amor. Por isso que vou pra casa. Não é por que eu queira. Mas eu tenho que respeitar seu espaço.
Deu um beijo na testa de Lucila e entrou no carro, antes de arrancar prometeu ligar no dia seguinte. Lucila ficou parada vendo o carro se afastar. Estava ainda mais irritada! Que compreensão toda era essa? E o ciúme? E a insegurança? Rafa não tinha estes sentimentos? Era só ela que era atormentada por eles?
Ainda irritada subiu pro apartamento. O sono tranqüilo que achava que teria, foi embora. Lucila não agüentou mais do que trinta minutos. Ligou pra Rafa e pediu para que ele voltasse. Ele respondeu:
- Estou chegando, meu amor. E estou levando o jantar.
Rafa chegou com uma pizza. Lucila não se deu conta, mas pelo tempo e a temperatura da pizza, ele tinha certeza de que Lucila ligaria e provavelmente já havia encomendado a refeição antes mesmo dela ligar.
O constrangimento durou muito pouco. Rafa sabia exatamente como acabar com esse tipo de situação. E foi do seu modo mais “Rafa” de ser, que ele fez Lucila esquecer todos os “poréns” que a atormentavam horas antes. Os dois dormiram abraçadinhos depois de saborear uma pizza...já fria.
Marcadores:
Barbara Ferreira,
blog feminino,
blognovela,
Bracarense,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
pizza
sexta-feira, 15 de maio de 2009
CAPÍTULO 34
Consuelo voltou dias depois para visitar Bruna, mas ela já não estava mais no hospital. Segundo o rapaz que alternava o turno com seu primo Ramirez, ela tinha tido alta e tinha sido levada por um carro da polícia. Consuelo assustada perguntou:
- Imigração?
O rapaz respondeu que não. Era um carro da polícia especial de Miami. Nem ele sabia dizer o nome da unidade.
Diante disso Consuelo não sabia o que fazer. Sendo ilegal no país não poderia procurar a patroa nas delegacias de Miami, muito menos nessa tal de polícia especial. Então, fez o que sempre fazia quando precisava de ajuda: rezou.
Bruna não parecia preocupada com seu destino. Ao contrário, sua apatia dava um ar de desdém a tudo que acontecia a sua volta. Chegou na delegacia acompanhada por dois indivíduos bem vestidos, de terno. Não pareceriam policiais se não fosse pelos distintivos pendurados no pescoço e as armas encaixadas numa espécie de coldre sobre o peito. Apesar do silêncio absoluto no carro, eles foram gentis todo o tempo. Assim que chegaram, um deles abriu a porta e ofereceu ajuda para que Bruna saísse do carro. A apoiou até a entrada e por todo percurso nos corredores do prédio. Parecia uma cena de um filme policial americano. Todos aqueles homens com seus copos de café, falando alto, às vezes rindo. Poucos sentados em suas mesas, a maioria de pé discutindo alguma coisa. Bruna chamou atenção do grupo quando entrou. Apesar do seu abatimento, era uma mulher bonita, que se destacava especialmente em um ambiente tão masculino quanto aquele.
O policial abriu a porta de uma sala onde havia uma mesa e duas cadeiras. Era ladeada por uma grande janela de espelho e apenas um bebedor. Bruna se sentou ali e recusou a água ou o café oferecidos. Havia passado alguns dias no hospital e já não ligava em não comer. Comia obrigada pelas enfermeiras, que diante da sua recusa intensificaram o mix de vitaminas. Não sentia nada na verdade. Nenhuma vontade, fome ou sono. Queria somente saber de Marcelo. Mas até isso ela já não queria tanto. Tinha medo de saber a verdade e talvez a ausência de pensamentos que se forçava a ter, a confortassem mais.
Bruna ficou um bom tempo sozinha na sala. Aguardando conforme o pedido do policial. Não sabia direito o que aconteceria com ela. Não se importava. De repente a porta da sala abriu. Era uma pequena fresta por onde entrou o outro policial. Ele era um homem mais velho, com um ar mais impaciente. Ele colocou a cabeça através da fresta da porta e disse em um inglês quase incompreensível:
- A senhora tem visita.
Bruna arregalou os olhos e pela primeira vez olhou para o policial. Ficou quieta observando ansiosamente o movimento da porta. Sabia que só poderia ser Marcelo. Finalmente ele viria levá-la pra casa, tirá-la daquele pesadelo.
A porta então abriu e alguém entrou. Bruna chegou a sorrir, era como se tivesse ensaiado mentalmente um sorriso para quando Marcelo viesse. Então o homem falou:
- Não achei que ficaria feliz em me ver.
Bruna caiu em si. Apesar da familiaridade daquela voz, agora bem mais áspera, não era quem ela esperava, então com um tom quase irônico respondeu:
- Juca? Talvez seja saudade. Quem sabe.
Bruna se virou de lado, olhando para a parede e deixando claro que não queria conversa com Juca. Mesmo assim, ele fechou a porta e se sentou a sua frente. Seu rosto queimava e ele sentia que suas mãos estavam trêmulas. Tinha sonhado muito com aquele momento em que poderia dizer tudo o que pensava para Bruna. Xingar, gritar e mostrar como ela o tinha feito sofrer. Apesar disso, Juca olhou para Bruna com pena. Ver seu olhar perdido no nada, a mão ainda sobre a barriga, as olheiras e o cabelo preso sem cuidado. Era nítido o quanto aquela mulher estava sofrendo. A dor de Bruna doeu em Juca. Ele não esperava sentir isso. Ao contrário pensava que sentiria um gosto de vingança em ver que ela também tinha tido o que merecia.
Bruna continuava olhando para o nada. Juca engoliu algo que poderia ser até um choro. Virou se para ela:
- Eu sinto muito. De verdade. Sinceramente não imaginava que sentiria tanto.
Bruna segurou a cabeça com as mãos. As lágrimas começaram a cair. Não queria chorar. Não queria sentir nada, mas agora sentia. Olhou para Juca e falou:
- Dói muito. Era meu filho. Meu filho! E agora? Agora acabou. O que eu vou fazer?
Juca quis abraçá-la, mas se conteve. Apenas segurou o choro. Bruna continuou:
- Minha vida mudou nos últimos meses mais do que qualquer coisa. Não sei se fiz as escolhas certas. Talvez não. Mas meu filho era uma escolha certa. Disso eu tenho certeza. E o que aconteceu com ele....
Bruna não conseguiu mais falar. Nesse momento entrou o policial mais jovem perguntando a Juca se estava tudo bem. Juca respondeu que sim e pediu lenços de papel.
Juca tinha sido avisado pela Polícia Federal que Marcelo havia sido encontrado em Miami e que Bruna estava em poder da polícia local e provavelmente seria deportada par ser julgada no Brasil. Marcelo tinha conseguido fugir, mas com avisos em todas as fronteiras, acreditavam que ele não iria muito longe. Juca não pensou duas vezes, aceitou acompanhar o agente da PF até Miami para ver de perto todo o processo. Ou melhor, para dizer poucas e boas para Bruna e Marcelo.
Mas não foi isso que aconteceu quando viu a fragilidade daquela que foi por tantos anos a mulher da sua vida. Juca havia desmontado. Sentia raiva por ter amolecido, mas não seria justo despejar em Bruna toda sua raiva num momento tão triste como este.
Os dois ainda ficaram alguns minutos sozinhos na sala, até que o agente brasileiro da PF entrou para explicar a situação em Bruna se encontrava:
- Boa tarde, Dona Bruna Andrade. Antes de mais nada gostaria de dar meus sentimentos pelo acontecido. Apesar deste momento dramático, não posso deixar de fazer meu trabalho.
Bruna suspirou, olhou para o agente e perguntou:
- O que o senhor quer de mim? É só falar. Eu respondo tudo o que o senhor quiser.
O agente olhou para Juca e continuou:
- Primeiro vamos cuidar da sua extradição. Estamos pedindo sua extradição para ser julgada no Brasil. A senhora tem direito a um advogado brasileiro para cuidar do seu caso.
Juca o interrrompeu:
- Eu cuido disso.
O agente não entendeu, mas prosseguiu:
- Dependendo da orientação do seu advogado ele pode dificultar o processo de extradição.
Bruna olhou pra Juca e disse:
- Eu quero voltar pro Brasil. Não interessa o que aconteça comigo. Eu quero voltar.
O agente sabia que talvez esta não fosse a melhor opção para Bruna, mas era de seu interesse e da sua corporação levar Bruna para o Brasil. Ainda ficou um tempo explicando alguns trâmites até que perguntou:
- Agora a senhora sabe da sua situação. Quando for julgada, existe condições que podem aliviar sua pena. Por exemplo, se nos ajudar a encontrar o Sr. Marcelo Zacaro. A senhora sabe onde ele está?
- Não.
- Se a senhora nos ajudar, isso também ajudará no seu processo. A senhora me entendeu?
- Entendi. Mas eu não sei onde ele está. E nem porque não veio saber como eu estava quando perdi nosso filho!
O agente percebeu que havia raiva naquele comentário e se aproveitou:
- A senhora me desculpe a franqueza, mas deve ser pelo mesmo motivo que ele colocou vários imóveis e bens em seu nome. Agora a senhora terá que nos explicar como conseguiu adquiri-los e não ele.
Bruna não acreditou no que ouvia. Tinha realmente assinado alguns papéis, mas nunca pensou que precisaria desconfiar de alguma coisa. O agente tentou mais uma vez:
- A senhora pensa com calma. Não existe nenhum lugar onde o Sr. Marcelo possa estar?
Bruna pensou por um tempo e teve um “estalo”:
- O barco! Vocês procuraram o barco?
- Não encontramos nenhum barco registrado em nome dele ou em seu nome.
- Não está registrado. Me lembro que Marcelo comentou que não iria registrar o iate. Ele colocou em nome de um amigo mexicano que trabalhava com ele no projeto da operadora de turismo.
O agente anotou o nome e todos os dados que Bruna sabia sobre o mexicano e saiu da sala agitado. Bruna e Juca se olharam. Por alguns instantes Bruna sentiu um arrependimento imenso. Mas depois pensou que não tinha feito tudo isso à toa, mesmo agora sendo tão difícil sentir o tamanho do amor que ela tinha por Marcelo.
Juca desviou o olhar, mesmo sem querer parar de olhar para Bruna.
- Imigração?
O rapaz respondeu que não. Era um carro da polícia especial de Miami. Nem ele sabia dizer o nome da unidade.
Diante disso Consuelo não sabia o que fazer. Sendo ilegal no país não poderia procurar a patroa nas delegacias de Miami, muito menos nessa tal de polícia especial. Então, fez o que sempre fazia quando precisava de ajuda: rezou.
Bruna não parecia preocupada com seu destino. Ao contrário, sua apatia dava um ar de desdém a tudo que acontecia a sua volta. Chegou na delegacia acompanhada por dois indivíduos bem vestidos, de terno. Não pareceriam policiais se não fosse pelos distintivos pendurados no pescoço e as armas encaixadas numa espécie de coldre sobre o peito. Apesar do silêncio absoluto no carro, eles foram gentis todo o tempo. Assim que chegaram, um deles abriu a porta e ofereceu ajuda para que Bruna saísse do carro. A apoiou até a entrada e por todo percurso nos corredores do prédio. Parecia uma cena de um filme policial americano. Todos aqueles homens com seus copos de café, falando alto, às vezes rindo. Poucos sentados em suas mesas, a maioria de pé discutindo alguma coisa. Bruna chamou atenção do grupo quando entrou. Apesar do seu abatimento, era uma mulher bonita, que se destacava especialmente em um ambiente tão masculino quanto aquele.
O policial abriu a porta de uma sala onde havia uma mesa e duas cadeiras. Era ladeada por uma grande janela de espelho e apenas um bebedor. Bruna se sentou ali e recusou a água ou o café oferecidos. Havia passado alguns dias no hospital e já não ligava em não comer. Comia obrigada pelas enfermeiras, que diante da sua recusa intensificaram o mix de vitaminas. Não sentia nada na verdade. Nenhuma vontade, fome ou sono. Queria somente saber de Marcelo. Mas até isso ela já não queria tanto. Tinha medo de saber a verdade e talvez a ausência de pensamentos que se forçava a ter, a confortassem mais.
Bruna ficou um bom tempo sozinha na sala. Aguardando conforme o pedido do policial. Não sabia direito o que aconteceria com ela. Não se importava. De repente a porta da sala abriu. Era uma pequena fresta por onde entrou o outro policial. Ele era um homem mais velho, com um ar mais impaciente. Ele colocou a cabeça através da fresta da porta e disse em um inglês quase incompreensível:
- A senhora tem visita.
Bruna arregalou os olhos e pela primeira vez olhou para o policial. Ficou quieta observando ansiosamente o movimento da porta. Sabia que só poderia ser Marcelo. Finalmente ele viria levá-la pra casa, tirá-la daquele pesadelo.
A porta então abriu e alguém entrou. Bruna chegou a sorrir, era como se tivesse ensaiado mentalmente um sorriso para quando Marcelo viesse. Então o homem falou:
- Não achei que ficaria feliz em me ver.
Bruna caiu em si. Apesar da familiaridade daquela voz, agora bem mais áspera, não era quem ela esperava, então com um tom quase irônico respondeu:
- Juca? Talvez seja saudade. Quem sabe.
Bruna se virou de lado, olhando para a parede e deixando claro que não queria conversa com Juca. Mesmo assim, ele fechou a porta e se sentou a sua frente. Seu rosto queimava e ele sentia que suas mãos estavam trêmulas. Tinha sonhado muito com aquele momento em que poderia dizer tudo o que pensava para Bruna. Xingar, gritar e mostrar como ela o tinha feito sofrer. Apesar disso, Juca olhou para Bruna com pena. Ver seu olhar perdido no nada, a mão ainda sobre a barriga, as olheiras e o cabelo preso sem cuidado. Era nítido o quanto aquela mulher estava sofrendo. A dor de Bruna doeu em Juca. Ele não esperava sentir isso. Ao contrário pensava que sentiria um gosto de vingança em ver que ela também tinha tido o que merecia.
Bruna continuava olhando para o nada. Juca engoliu algo que poderia ser até um choro. Virou se para ela:
- Eu sinto muito. De verdade. Sinceramente não imaginava que sentiria tanto.
Bruna segurou a cabeça com as mãos. As lágrimas começaram a cair. Não queria chorar. Não queria sentir nada, mas agora sentia. Olhou para Juca e falou:
- Dói muito. Era meu filho. Meu filho! E agora? Agora acabou. O que eu vou fazer?
Juca quis abraçá-la, mas se conteve. Apenas segurou o choro. Bruna continuou:
- Minha vida mudou nos últimos meses mais do que qualquer coisa. Não sei se fiz as escolhas certas. Talvez não. Mas meu filho era uma escolha certa. Disso eu tenho certeza. E o que aconteceu com ele....
Bruna não conseguiu mais falar. Nesse momento entrou o policial mais jovem perguntando a Juca se estava tudo bem. Juca respondeu que sim e pediu lenços de papel.
Juca tinha sido avisado pela Polícia Federal que Marcelo havia sido encontrado em Miami e que Bruna estava em poder da polícia local e provavelmente seria deportada par ser julgada no Brasil. Marcelo tinha conseguido fugir, mas com avisos em todas as fronteiras, acreditavam que ele não iria muito longe. Juca não pensou duas vezes, aceitou acompanhar o agente da PF até Miami para ver de perto todo o processo. Ou melhor, para dizer poucas e boas para Bruna e Marcelo.
Mas não foi isso que aconteceu quando viu a fragilidade daquela que foi por tantos anos a mulher da sua vida. Juca havia desmontado. Sentia raiva por ter amolecido, mas não seria justo despejar em Bruna toda sua raiva num momento tão triste como este.
Os dois ainda ficaram alguns minutos sozinhos na sala, até que o agente brasileiro da PF entrou para explicar a situação em Bruna se encontrava:
- Boa tarde, Dona Bruna Andrade. Antes de mais nada gostaria de dar meus sentimentos pelo acontecido. Apesar deste momento dramático, não posso deixar de fazer meu trabalho.
Bruna suspirou, olhou para o agente e perguntou:
- O que o senhor quer de mim? É só falar. Eu respondo tudo o que o senhor quiser.
O agente olhou para Juca e continuou:
- Primeiro vamos cuidar da sua extradição. Estamos pedindo sua extradição para ser julgada no Brasil. A senhora tem direito a um advogado brasileiro para cuidar do seu caso.
Juca o interrrompeu:
- Eu cuido disso.
O agente não entendeu, mas prosseguiu:
- Dependendo da orientação do seu advogado ele pode dificultar o processo de extradição.
Bruna olhou pra Juca e disse:
- Eu quero voltar pro Brasil. Não interessa o que aconteça comigo. Eu quero voltar.
O agente sabia que talvez esta não fosse a melhor opção para Bruna, mas era de seu interesse e da sua corporação levar Bruna para o Brasil. Ainda ficou um tempo explicando alguns trâmites até que perguntou:
- Agora a senhora sabe da sua situação. Quando for julgada, existe condições que podem aliviar sua pena. Por exemplo, se nos ajudar a encontrar o Sr. Marcelo Zacaro. A senhora sabe onde ele está?
- Não.
- Se a senhora nos ajudar, isso também ajudará no seu processo. A senhora me entendeu?
- Entendi. Mas eu não sei onde ele está. E nem porque não veio saber como eu estava quando perdi nosso filho!
O agente percebeu que havia raiva naquele comentário e se aproveitou:
- A senhora me desculpe a franqueza, mas deve ser pelo mesmo motivo que ele colocou vários imóveis e bens em seu nome. Agora a senhora terá que nos explicar como conseguiu adquiri-los e não ele.
Bruna não acreditou no que ouvia. Tinha realmente assinado alguns papéis, mas nunca pensou que precisaria desconfiar de alguma coisa. O agente tentou mais uma vez:
- A senhora pensa com calma. Não existe nenhum lugar onde o Sr. Marcelo possa estar?
Bruna pensou por um tempo e teve um “estalo”:
- O barco! Vocês procuraram o barco?
- Não encontramos nenhum barco registrado em nome dele ou em seu nome.
- Não está registrado. Me lembro que Marcelo comentou que não iria registrar o iate. Ele colocou em nome de um amigo mexicano que trabalhava com ele no projeto da operadora de turismo.
O agente anotou o nome e todos os dados que Bruna sabia sobre o mexicano e saiu da sala agitado. Bruna e Juca se olharam. Por alguns instantes Bruna sentiu um arrependimento imenso. Mas depois pensou que não tinha feito tudo isso à toa, mesmo agora sendo tão difícil sentir o tamanho do amor que ela tinha por Marcelo.
Juca desviou o olhar, mesmo sem querer parar de olhar para Bruna.
Marcadores:
aborto,
amor,
Barbara Ferreira,
blog feminino,
blognovela,
deportação,
dor,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
novela on line,
prisão,
traição,
trinta anos
quinta-feira, 7 de maio de 2009
CAPÍTULO 32
Já eram quase duas horas da manhã, quando Bruna ouviu um barulho na porta. Correu até o pé da escada e viu que era Marcelo entrando trôpego. Bruna não acreditou. Primeiro voltou pro quarto e pensou em fingir que dormia. Mas o sangue quente não a deixou engolir as horas de preocupação, de ligações não antendidas, que Marcelo tinha a feito passar.
Bruna desceu a escada determinana, marchando. Logo que Marcelo olhou pra cima, ela falou:
- Não acredito que você não podia me dar ao menos um telefonema.
Marcelo sacodiu a cabeça como alguém que não queria ouvir toda aquela ladainha. Estava bêbado, o que dificultava sua fala, mas mesmo assim puxou ar dos pulmões e falou. Ou melhor gritou:
- Pode parar! Bruna! Bruna! Bruna! Pára! Eu durmo no sofá, é isso? Sem bronca! Não tenho saco pra isso não! Tá ouvindo? Saco... exxxposa. É isso! Dá nisso!
Apesar de enrolar a língua, sua voz era enfática, calaria qualquer um. Principalmente Bruna. Ela olhava e não entendia a cena, a voz, a atitude não era do homem da sua vida, do seu grande amor. Então um enjôo tomou conta de Bruna. Sua vista começou a escurecer. Se segurou com força no corrimão, no alto da escada. Suas mãos estavam frias e suadas. Lá embaixo só enxergava o vulto de Marcelo. Não conseguiu falar nada. Apenas desmaiou.
Todos os vizinhos olhavam das suas varandas o tumulto da casa 9. Carros de polícia, ambulância. Isso sem falar na fuga de todos os empregados pela janela dos fundos quando descobriram que o carro da polícia estava vindo pra casa 9. Todos eles eram ilegais e morriam de medo de serem deportados. Consuelo, apesar do pavor em ser deportada, não conseguiu fugir e deixar sua querida patroa sozinha ali no chão. Marcelo estava bêbado demais pra fazer qualquer coisa, por isso, sem pensar, ligou para ambulância.
Quando os paramédicos entraram, Bruna ainda estava desacordada. Marcelo sentando no último degrau da escada, cabeça baixa apoiada pelos braços. Estava tonto e agora sentia vontade de vomitar. Olhava para os paramédicos e via que eles perguntavam alguma coisa. Não conseguia entender. Consuelo entrou e respondeu todas as perguntas em seu inglês confuso.
A polícia entrou e Consuelo respirou fundo. Olhou para Marcelo que agora tentava se levantar. Uma dupla de policiais se apresentou a Marcelo que os olhava com cara de quem nada entendia. Um dos dois olhou para Consuelo e perguntou:
- Ele é o dono da casa?
Consuelo respondeu que sim e informou que ele acabava de chegar de uma festa e que quando chegou encontrou a esposa no chão e logo ligou chamando ajuda.
O policial mais alto fazia cara de quem não acreditava na história e olhava fixamente para aquele homem bêbado. Ele o conhecia de algum lugar. Seu parceiro, mais atencioso ouvia atentamente a história de Consuelo. Enquanto isso, Bruna era erguida em uma maca. Consuelo correu e perguntou:
- Pra onde vocês vão a levar? Seu Marcelo, pelo amor de Deus. O senhor precisa ir com ela. Dona Bruna não pode ir sozinha.
O policial bonzinho permitiu que Consuelo acompanhasse Bruna na ambulância. Sabia que o marido não tinha condições de ajudar em nada. Insistiu em ver os documentos de Marcelo que só apontou para o alto da escada. O policial bonzinho riu e achou melhor deixar pra lá. O outro não gostou. Pediu um minuto e subiu as escadas. Não achou a carteira de Marcelo, apenas a de Bruna.
- Brasileira? E pelo jeito ilegal.
Desceu com o documento na mão. Procurou em toda a sala os documentos de Marcelo, e nada. Queria deter Marcelo até que ele apresentasse alguma identificação. Mas seu parceiro recebeu uma emergência pelo rádio e saíram da casa ameaçando voltar.
O porre de Marcelo era maior do que a preocupação no retorno dos policiais. Marcelo se jogou no sofá e dormiu.
A ambulância voava na Ocean Drive. Consuelo segurava a mão da patroa e rezava. Rezava por ela, por Bruna e até por Marcelo. Tinha medo de ser deportada. Mas tinha ainda mais medo do sangue que manchava a camisola de Bruna.
Antes de chegarem ao hospital, Bruna acordou. Sentia dores e olhou com desespero para Consuelo que tentou a acalmar:
- Calma! Calma Dona Bruna. Está tudo bem, os doutores já vão cuidar da senhora, viu? Tá cheio de médico bacana aqui.
Bruna tentou falar, mas sentia uma pontada em sua barriga. Passava a mão sobre ela como se pudesse se certificar que estava tudo bem com o seu bebê. Mas não podia. Olhou em volta e não viu Marcelo. Então, veio a cabeça a última cena de que se lembrava: Marcelo bêbado e gritando com ela.
Chegaram ao hospital e Bruna foi levada. Consuelo respirou fundo. Sabia que não podia entrar. Enquanto ensaiava sua fuga, viu que era observada por um dos enfermeiros. Disfarçou mexendo na bolsa. O rapaz se aproximou e disse em bom castelhano:
- Olá! A senhora que é a acompanhante da gestante que foi para emergência?
Consuelo não sabia o que responder. O rapaz com sua prancheta na mão, prosseguiu:
- O hospital exige que se preencha uma ficha com os dados do paciente e acompanhante. A senhora trabalha pra ela?
Consuelo respondeu que sim. Ainda muito assustada prestava atenção no rapaz:
- Sei. Isso é exigido se a pessoa tiver um acompanhante. Como a senhora veio junto na ambulância não tenho como dizer na ficha dela que ela não tem acompanhante. A senhora me entende?
Mais um vez Consuelo respondeu que sim, sacudindo a cabeça. O rapaz colocou a mão no seu ombro e disse sorrindo:
- Mas os paramédicos são meus amigos. A gente dá um jeitinho. Só tem uma condição.
Consuelo se agitou e respondeu:
- Meu filho, eu tÔ aqui pra ganhar a vida. Você acha que se eu tivesse algum dinheiro estaria aqui?
O rapaz riu e a interrompeu:
- A condição não é essa, Dona Consuelo.
Consuelo se perguntou se havia tido seu nome àquele rapaz.
- A condição é que a senhora me dê um abraço. Não está me reconhecendo? Sou eu Ramirez, filho da sua prima Maria.
Consuelo não acreditou. Era muita sorte encontrar um parente querido, ainda mais numa situação como esta. Os dois se abraçaram e Ramirez conseguiu omitir a presença da prima nos relatórios do hospital. Consuelo permaneceu por perto e sabia noticiais da patroa pelo primo.
Umas duas horas depois, Ramirez apareceu com uma cara não muito boa. Consuelo sabia o que isso significava e logo perguntou:
- É o bebê? Ela perdeu o bebê?
Ramirez com um tom fúnebre respondeu que sim e disse:
- Sinto muito. Mas não é só isso prima. A sua patroa e o marido são procurados pela polícia do Brasil. A senhora sabia? Ela vai ser presa, assim que tiver alta. Acho melhor a senhora não ficar por perto. Sem Green Card e a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, né?
- Meu Deus. Pobre Dona Bruna. Ela tava tão feliz com seu bebê. Eu achava que tinha alguma coisa errada, mas não achava que era tão grave. Ramirez, vou até a casa tentar buscar minhas coisas. Já estou com seu telefone. Eu te ligo pra saber notícia da moça, tudo bem?
- A senhora vai pra onde? Tem onde ficar? Pode ficar lá em casa, prima. Vou te dar o endereço e avisar a minha esposa.
Consuelo foi até a mansão e levou um susto. A casa estava revirada e nenhum sinal de Marcelo. Ela subiu até o quarto do casal e o closet de Marcelo estava praticamente vazio, assim como não haviam quase papéis sobre a escrivaninha. Consuelo pegou suas coisas e saiu. Sabia que não veria mais o Dr. Marcelo.
Bruna desceu a escada determinana, marchando. Logo que Marcelo olhou pra cima, ela falou:
- Não acredito que você não podia me dar ao menos um telefonema.
Marcelo sacodiu a cabeça como alguém que não queria ouvir toda aquela ladainha. Estava bêbado, o que dificultava sua fala, mas mesmo assim puxou ar dos pulmões e falou. Ou melhor gritou:
- Pode parar! Bruna! Bruna! Bruna! Pára! Eu durmo no sofá, é isso? Sem bronca! Não tenho saco pra isso não! Tá ouvindo? Saco... exxxposa. É isso! Dá nisso!
Apesar de enrolar a língua, sua voz era enfática, calaria qualquer um. Principalmente Bruna. Ela olhava e não entendia a cena, a voz, a atitude não era do homem da sua vida, do seu grande amor. Então um enjôo tomou conta de Bruna. Sua vista começou a escurecer. Se segurou com força no corrimão, no alto da escada. Suas mãos estavam frias e suadas. Lá embaixo só enxergava o vulto de Marcelo. Não conseguiu falar nada. Apenas desmaiou.
Todos os vizinhos olhavam das suas varandas o tumulto da casa 9. Carros de polícia, ambulância. Isso sem falar na fuga de todos os empregados pela janela dos fundos quando descobriram que o carro da polícia estava vindo pra casa 9. Todos eles eram ilegais e morriam de medo de serem deportados. Consuelo, apesar do pavor em ser deportada, não conseguiu fugir e deixar sua querida patroa sozinha ali no chão. Marcelo estava bêbado demais pra fazer qualquer coisa, por isso, sem pensar, ligou para ambulância.
Quando os paramédicos entraram, Bruna ainda estava desacordada. Marcelo sentando no último degrau da escada, cabeça baixa apoiada pelos braços. Estava tonto e agora sentia vontade de vomitar. Olhava para os paramédicos e via que eles perguntavam alguma coisa. Não conseguia entender. Consuelo entrou e respondeu todas as perguntas em seu inglês confuso.
A polícia entrou e Consuelo respirou fundo. Olhou para Marcelo que agora tentava se levantar. Uma dupla de policiais se apresentou a Marcelo que os olhava com cara de quem nada entendia. Um dos dois olhou para Consuelo e perguntou:
- Ele é o dono da casa?
Consuelo respondeu que sim e informou que ele acabava de chegar de uma festa e que quando chegou encontrou a esposa no chão e logo ligou chamando ajuda.
O policial mais alto fazia cara de quem não acreditava na história e olhava fixamente para aquele homem bêbado. Ele o conhecia de algum lugar. Seu parceiro, mais atencioso ouvia atentamente a história de Consuelo. Enquanto isso, Bruna era erguida em uma maca. Consuelo correu e perguntou:
- Pra onde vocês vão a levar? Seu Marcelo, pelo amor de Deus. O senhor precisa ir com ela. Dona Bruna não pode ir sozinha.
O policial bonzinho permitiu que Consuelo acompanhasse Bruna na ambulância. Sabia que o marido não tinha condições de ajudar em nada. Insistiu em ver os documentos de Marcelo que só apontou para o alto da escada. O policial bonzinho riu e achou melhor deixar pra lá. O outro não gostou. Pediu um minuto e subiu as escadas. Não achou a carteira de Marcelo, apenas a de Bruna.
- Brasileira? E pelo jeito ilegal.
Desceu com o documento na mão. Procurou em toda a sala os documentos de Marcelo, e nada. Queria deter Marcelo até que ele apresentasse alguma identificação. Mas seu parceiro recebeu uma emergência pelo rádio e saíram da casa ameaçando voltar.
O porre de Marcelo era maior do que a preocupação no retorno dos policiais. Marcelo se jogou no sofá e dormiu.
A ambulância voava na Ocean Drive. Consuelo segurava a mão da patroa e rezava. Rezava por ela, por Bruna e até por Marcelo. Tinha medo de ser deportada. Mas tinha ainda mais medo do sangue que manchava a camisola de Bruna.
Antes de chegarem ao hospital, Bruna acordou. Sentia dores e olhou com desespero para Consuelo que tentou a acalmar:
- Calma! Calma Dona Bruna. Está tudo bem, os doutores já vão cuidar da senhora, viu? Tá cheio de médico bacana aqui.
Bruna tentou falar, mas sentia uma pontada em sua barriga. Passava a mão sobre ela como se pudesse se certificar que estava tudo bem com o seu bebê. Mas não podia. Olhou em volta e não viu Marcelo. Então, veio a cabeça a última cena de que se lembrava: Marcelo bêbado e gritando com ela.
Chegaram ao hospital e Bruna foi levada. Consuelo respirou fundo. Sabia que não podia entrar. Enquanto ensaiava sua fuga, viu que era observada por um dos enfermeiros. Disfarçou mexendo na bolsa. O rapaz se aproximou e disse em bom castelhano:
- Olá! A senhora que é a acompanhante da gestante que foi para emergência?
Consuelo não sabia o que responder. O rapaz com sua prancheta na mão, prosseguiu:
- O hospital exige que se preencha uma ficha com os dados do paciente e acompanhante. A senhora trabalha pra ela?
Consuelo respondeu que sim. Ainda muito assustada prestava atenção no rapaz:
- Sei. Isso é exigido se a pessoa tiver um acompanhante. Como a senhora veio junto na ambulância não tenho como dizer na ficha dela que ela não tem acompanhante. A senhora me entende?
Mais um vez Consuelo respondeu que sim, sacudindo a cabeça. O rapaz colocou a mão no seu ombro e disse sorrindo:
- Mas os paramédicos são meus amigos. A gente dá um jeitinho. Só tem uma condição.
Consuelo se agitou e respondeu:
- Meu filho, eu tÔ aqui pra ganhar a vida. Você acha que se eu tivesse algum dinheiro estaria aqui?
O rapaz riu e a interrompeu:
- A condição não é essa, Dona Consuelo.
Consuelo se perguntou se havia tido seu nome àquele rapaz.
- A condição é que a senhora me dê um abraço. Não está me reconhecendo? Sou eu Ramirez, filho da sua prima Maria.
Consuelo não acreditou. Era muita sorte encontrar um parente querido, ainda mais numa situação como esta. Os dois se abraçaram e Ramirez conseguiu omitir a presença da prima nos relatórios do hospital. Consuelo permaneceu por perto e sabia noticiais da patroa pelo primo.
Umas duas horas depois, Ramirez apareceu com uma cara não muito boa. Consuelo sabia o que isso significava e logo perguntou:
- É o bebê? Ela perdeu o bebê?
Ramirez com um tom fúnebre respondeu que sim e disse:
- Sinto muito. Mas não é só isso prima. A sua patroa e o marido são procurados pela polícia do Brasil. A senhora sabia? Ela vai ser presa, assim que tiver alta. Acho melhor a senhora não ficar por perto. Sem Green Card e a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, né?
- Meu Deus. Pobre Dona Bruna. Ela tava tão feliz com seu bebê. Eu achava que tinha alguma coisa errada, mas não achava que era tão grave. Ramirez, vou até a casa tentar buscar minhas coisas. Já estou com seu telefone. Eu te ligo pra saber notícia da moça, tudo bem?
- A senhora vai pra onde? Tem onde ficar? Pode ficar lá em casa, prima. Vou te dar o endereço e avisar a minha esposa.
Consuelo foi até a mansão e levou um susto. A casa estava revirada e nenhum sinal de Marcelo. Ela subiu até o quarto do casal e o closet de Marcelo estava praticamente vazio, assim como não haviam quase papéis sobre a escrivaninha. Consuelo pegou suas coisas e saiu. Sabia que não veria mais o Dr. Marcelo.
Marcadores:
blog feminino,
blognovela,
deportação,
feminino,
hospital,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela on line,
webnovela
Assinar:
Postagens (Atom)