sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CAPÍTULO 4

Bruna era uma mulher muito interessante. Alta, magra, tinha um corpo atlético, moldado por anos de dança e yoga. Era aficionada por boa alimentação e tinha um consumismo que se chocava com sua personalidade quase natureba. Se existisse hippie de shopping, seria a Bruna. Sempre falava baixo, com calma e muita classe. Mas apesar da sua habitual tranqüilidade, hoje ela estava nitidamente agitada.
As duas amigas se encontraram na porta do prédio e logo depois seguiram para o Cafeína Café, na esquina.

Pediram dois cafés, o de Bruna, descafeinado, o que Lucila até achou bom, pois se a amiga ficasse ainda mais agitada, ia ter um “treco” ali mesmo. Lucila preferiu um cappuccino, afinal, chocolate sempre conforta nos momentos difíceis.
Antes mesmo dos cafés chegarem, sem rodeios, Bruna despejou:
- Vou me separar!– disse com convicção, apesar da voz trêmula – Não posso mais ficar casada com um homem como o Juca. Ele não é nada do que parece! Ele um mentiroso! Uma farsa!

Seus olhos foram ficando avermelhados e suas mãos inquietas, gesticulavam sem parar. Lucila colocou suas mãos sobre a da amiga e tentando uma voz tranqüila, disse:
- Calma Bruna! Como ele é uma farsa? O Juca? Amiga, casamento é assim mesmo. É só uma crise, vai passar. Nós sabemos que homem fiel realmente é peça raríssima. Eu apostava no Juca, juro! Mas calma, que tudo dá pra se resolver conversando.

- Não tem conversa! Ele errou! Ele mentiu e me enganou todo esse tempo. Tudo que construímos é nada, é pó, é sujo – gritou Bruna, que nesse momento sem perceber, se tornou a atração dos clientes do café. E em seguida caiu aos prantos.
Lucila que sem saber o que falar, pediu uma água pro garçom e acariciava a mão da amiga. Depois do copo d’água, Bruna conseguiu se controlar e voltar a respirar. Lucila então pediu que contasse o que estava acontecendo. Bruna respirou fundo e contou tudo o que havia descoberto sobre o marido.

O marido de Bruna realmente era um cretino, um mentiroso. Era terrível pensar como ele pode enganar todo mundo, por tanto tempo. E principalmente fazer tudo isso, ali, na cara da própria esposa, que cega de amor, não desconfiou de nada.

Ao ouvir a história Lucila sentiu uma tristeza enorme e um grande medo de confirmar que realmente não existe nenhum homem correto no mundo. Nem mesmo o Juca, que conquistou a todos com seu bom humor, seu sorriso largo e principalmente pelo esbanjador carinho com que tratava Bruna. Era tudo fingimento, agora nada mais valia. E neste momento Lucila precisava ser forte e o pior: concordar e apoiar a decisão da amiga em se separar. O que Juca fez realmente não tinha perdão.

As duas ainda ficaram um tempo caminhando por Ipanema. Apesar da preocupação em achar seu vestido, Lucila sabia que não era o momento para isso. Apenas acompanhou a amiga segurando na sua mão.
Andaram ainda mais um pouco até que Bruna falou:
- Descobri tudo isso hoje de manhã. Foi um choque. Saí de casa e tentei manter minha rotina..Vim pra aula de feng shui, mas no caminho pensei pra quê eu queria aprender feng shui se nem casa eu tenho mais? Foi aí que te liguei

- Claro que tem casa! Ou você vai deixar o Juca no apartamento? A casa é sua também! Você tem direitos, sabia?

- Eu sei, Lú. Mas não quero nada dele. Não consigo imaginar entrar naquela casa de novo. Ali era um lar e hoje descobri que é falso, que foi construído em cima de mentiras. Daqui vou pro escritório do Juca dizer tudo que está entalado na minha garganta! Pra ele e pra vaca da assistente dele. Manoela! Cheia de sorrisos, de boas intenções....uma mentirosa, que nem ele!

- Bruna, você não deveria ir agora. Vai lá pra casa, você se acalma, pensa. Toma um banho, pedimos uma pizza. Sorvete! Que tal? Amanhã você procura o Juca. Não é melhor? Vai acabar perdendo a razão fazendo um barraco na empresa dele.

- Mas é justamente um belo barraco que eu quero fazer! E vai ser agora. Vamos comigo?

Lucila não tinha como negar. E na verdade, nem queria. Já que essa era a decisão de Bruna, ela não perderia esta cena por nada. Ver Bruna gritar com alguém já seria inédito. Mas vê-la gritar com Juca e com a tal assistente, também lhe daria um enorme conforto. Apesar de saber que não era a atitude mais correta, entendia Bruna e possivelmente teria a mesma reação.

Então, foram as duas para o escritório de Juca.

4 comentários:

  1. e como que aconteceu??

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  2. SEMANA QUE VEM...TEM MAIS!!!!!!TEM MUITA COISA PRA ACONTECER AINDA...

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  3. tá muito bom, babi. tô curiosa pra saber o que vem por aí!
    parabéns!
    bjs,
    Mari

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  4. Tô adorannndo...
    Beijos !!!!

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