Bruna entrou no apartamento e sentiu algo que há muito tempo não sentia: se sentia em casa. Nem no apartamento de Marcelo ou na mansão em Miami conseguia ficar tão a vontade como estava agora. Aquela era sua casa. Ou tinha sido. Lá havia passado ótimos momentos. Momentos com Juca, com ela mesma, com os amigos.
Amigos. Não tinha mais amigos, não tinha coragem nem de tentar reconquistá-los. Traíra a confiança de suas melhores amigas. Usou Lucila, sabia disso.
No momento em que tudo aconteceu, não percebia o tamanho da sua própria traição. Não percebeu como foi baixa, dissimulada, cruel. Agora tinha vergonha de si mesma e aceitava estar sozinha sob pena de seus próprios erros.
Sentou-se na beirada da cama. Apesar de sentir em casa, não se sentia livre para se esparramar naquela cama. Voltou pra sala, onde as lembranças eram mais amenas. Pegou um porta-retrato com uma foto de seu casamento. Ela e Juca lindos, felizes, olhos brilhantes, caras rosadas, cheios de amor. “- Acabou” – pensou em sua certeza.
Estava cansada e com fome. Resolveu tomar um banho e preparar algo para comer. Ainda enrolada na toalha, foi até a cozinha ver o que encontrava. Encontrou Juca. Sentando na mesa, cabeça baixa, parecia não saber direito que estava fazendo. E não sabia.
Bruna se assustou, mas logo ficou calma. A presença de Juca lhe dava muita paz. Como se eles tivessem voltado ao passado, Bruna caminhou tranqüilamente até a dispensa e perguntou:
- Está com fome?
Juca entrou no mesmo clima. Sacudiu a cabeça dizendo que sim. E os dois juntos, sem explicarem nada, começaram a preparar o almoço. Conversaram amenidades, riram, arrumaram a mesa. Comeram juntos com uma conversa gostosa, sem pretensões. Nenhum dos dois sabia como e porque isso acontecia, mas deixaram fluir. Juca que não tinha certeza de como tinha ido parar ali, agora tirava os sapatos. Estava em sua casa, com alguém que se parecia com sua esposa. Não houve carícias de casal. Na verdade nem se tocaram. Apenas conversaram e também dividiram o mesmo silêncio. Ficaram a tarde juntos e a noite também. Dormiram no sofá da sala com a TV ligada. Era tudo muito tranqüilo, muito normal. Parecia que nada havia mudado.
No dia seguinte, os dois seguiram sua rotina, ignorando os últimos meses. Bruna tentou por algumas vezes falar com Juca sobre o que estava acontecendo. Ele sempre mudava de assunto. Quando estava pronto para ir para a JAEH, Bruna insistiu mais uma vez:
- Juca, não podemos fingir que nada aconteceu. Precisamos conversar.
Juca se irritou, respondeu ríspido:
- Quem foi o lesado da situação fui eu não foi? Então eu decido quando quero conversar, Bruna.
Bruna também gritou:
- Eu te fiz mal. Muito mal. O maior mal que eu poderia de fazer, eu sei disso! Mas eu também sofri, também levei meu troco. Me apaixonei por um canalha, perdi um filho, perdi meus amigos, minhas referências, minha ética. Agora estou aqui recebendo seu carinho. Um carinho de que preciso, mas sei que não mereço. Sinto o mesmo amor por você que sentia há meses, mas ele tem marcas, tem cicatrizes. Você sabe disso e não podemos fingir que nada aconteceu. Como você vai passar por cima de tudo que eu te fiz passar?
Juca se sentou novamente, largou sua pasta. Começou a chorar. Sabia que Bruna estava certa. Podia fingir que nada aconteceu apenas por alguns dias. Certamente em algum momento, alguma palavra, algum gesto, alguma coisa o lembraria de Marcelo, dos dois juntos, da dor. Ele amava Bruna, mas não conseguia perdoá-la.
Bruna interpretava o choro de Juca:
- Você não me perdoou, não é? Eu sei. Eu entendo e acho que também não conseguiria passar por cima de tudo. Eu quero voltar a nossa vida. Quero muito! Mais do que tudo! Mas não posso! A culpa, o sentimento de remorso e a falta do seu perdão, não vão nos permitir sermos felizes de novo.
Juca desabou, mas soluçando falou:
- Eu não entendo. O que aconteceu? Porque você fez isso comigo? Eu sei que não merecia. Éramos felizes, não éramos?
- Éramos muito felizes, Juca. Não me faltava nada, nem material, nem amor, nem nada. Nunca esperei que nosso casamento fosse uma eterna história romântica, sabia que um dia as coisas iam esfriar. Estava pronta pra isso, teria seu companheirismo, sua amizade e nosso amor. Já seria suficiente. Mas me enganei. Quando vi a possibilidade de transbordar novamente romantismo e paixão em minha vida, não resisti. Marcelo apareceu, se mostrou mais presente, mais apaixonado, mais disponível. Eu me encantei por ele. Fui manipulada em meu romantismo.
Juca nunca imaginou compreender Bruna. Mas compreendeu. A conhecia tão bem, que sabia o quanto era romântica, o quanto precisava disso. Foi assim que a conquistou, com o mais puro romantismo. Entendia o que havia acontecido, se culpava por ter deixado acontecer, mas também sabia que o casamento chegaria a ter dias mais amenos e também não achava isso ruim. Se perguntava se perdoaria Bruna algum dia. Se conseguiria confiar nela novamente.
Os dois ficaram um tempo em silêncio. Não havia mais nada pra ser dito. Juca reafirmou que o apartamento seria dela. Ele voltaria a seu flat.
Antes de sair, Juca a olhou pra Bruna com ternura. Bruna retribuiu e disse:
- Quando quiser, se quiser, como quiser. Podemos tentar.
Juca balançou a cabeça e saiu.
Nos dias que seguiram, eles se falavam por telefone. Depois começaram a almoçar juntos em um ou outro restaurante. Foram ao cinema. Eram bons amigos.
Na Bahia outro casal também adormeceu junto. Mas dormiram exaustos, cansados de se sentirem felizes, de se amarem. Lucila recuperou suas forças e também as extinguiu nos braços de Cadu. Os dois não conversaram, não acertaram os pontos. Não houve DR*, apenas seguiram seus instintos, exatamente como na primeira noite que ficaram juntos.
O dia acordou ensolarado, como se espera de um dia na Bahia. Os dois se olharam amassados, riram com a intimidade de quem nunca acordou junto. Se abraçaram, se beijaram e se amaram novamente. Lucila em alguns momentos achava que ia acordar, que tudo não passava de um sonho.
No seu íntimo confundia Cadú com outra pessoa. Não sabia direito quem ele era. Mas o Cadú piadista, às vezes sem graça, descombinado, largado não era o mesmo Cadu que a puxava pelos cabelos, que a beijava com delicadeza. Era difícil entender que eles eram um só. Lucila sabia, em sua experiência, que entre quatro paredes as pessoas se revelam novas pessoas. Mas também conhecia o Cadú que a consolou no calçadão de Copacabana, que foi seu amigo. O Cadú companheiro de trabalho, inteligente, esperto, ativo e que duplava com ela como ninguém. Todos esses “cadus” eram aquele homem que estava ao seu lado agora. Não era um príncipe encantado, não era perfeito, nem lindo, nem o melhor amante do mundo. Era o homem que ela queria agora. Pra agora e pra sempre. Ou para quanto o sempre durasse.
* discutir a relação
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terça-feira, 23 de junho de 2009
CAPÍTULO 48
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terça-feira, 9 de junho de 2009
CAPÍTULO 44
Lucila não dormiu. Não parava de pensar nas palavras de Ana. Revia seu comportamento desde o jantar com Rafa, o dia em que ouviu dele próprio que tinha sido infiel. Nem ela sabia como havia lidado com tudo isso. Era um estranho sentimento. Em todos os seus namoros com Rafa, sempre o forçou a dizer a verdade e nunca conseguiu. E agora que sabia a verdade, não soube lidar com ela. Ao contrário Lucila suprimiu a infidelidade e apenas enxergou um Rafa submisso, humilde, desesperado pelo seu amor. Era louco isso tudo. No que ela havia se tornado? E o pior: no que o sentimento que ela tinha por Rafa havia se transformado?
“Nada” – pensou. Ela não sentia nada. Apenas orgulho, orgulho de vê-lo passar pelo que ele sempre a fez passar. Será que todo o amor que ela sempre achou ter por se resumia a um simples desejo de vingança?
Que mulher nunca sonhou em ver o ex namorado suplicando pelo seu amor e ter o gostinho de dizer um redondo não? Seria nisso que toda aquela paixão de uma vida inteira teria se transformado? Rafa só seria atraente se fosse um desafio?
Lucila rolou na cama até o dia amanhecer. Desistiu de dormir e se levantou. Era pouco mais de seis horas e Lucila decidiu ir caminhar na praia. Colocou seu tênis, um short e se foi. Copacabana já estava movimentada. Diversos velhinhos faziam seus exercícios matutinos. Lucila os acompanhava.
Enquanto caminhava achou que alguém tinha gritado seu nome. Não podia ser. Não aquela hora da manhã. Mas não era impressão. Um homem acenava. Lucila não enxergava quem era, estava contra o sol. Lucila espremeu os olhos e o reconheceu. Era Cadu que corria na orla. Ele veio em sua direção e Lucila não pode deixar de reparar no belo corpo do rapaz. Ela nunca imaginaria que por baixo daquelas roupas maltrapilhas e descombinadas pudesse ter um homem tão, tão...gostoso.
Cadu chegou perto de Lucila. Estava suado, seu cabelo como sempre despenteado, agora combinava com seu visual de atleta. Ele observou Lucila, como se surpreendesse com sua aparência.
- Oi Lú. Não sabia que você também gostava de acordar cedo.
Lucila sorriu. Tentou disfarçar, mas sabia que seria em vão. A ressaca física e moral da noite anterior estavam estampadas no seu rosto. Sem rodeios, Cadu disse:
- Não dormiu não é?
Lucila sacudiu a cabeça afirmativamente. Cadu a levou para um banco próximo onde os dois se sentaram. Ele a olhou com carinho como se quisesse saber dizer a frase perfeita para animá-la. Não sabia. Então, arriscou ser sincero:
- Desculpe me intrometer. Mas eu ontem percebi algo estranho em você. Sei que não nos conhecemos muito bem, mas você estava... diferente.
- É eu sei. Estava insuportável, não é?
Cadu não respondeu. E o ditado “quem cala consente” nunca foi tão apropriado. Ele tentou ajudar:
- Às vezes temos maus momentos. Acontece com todo mundo.
Lucila exausta e com a sensibilidade a flor da pele, começou a chorar. Entre seus soluços falou:
- Eu passei os últimos anos da minha vida procurando um grande amor. Sempre desconfiei que já tinha achado e que por circunstâncias da vida, eu tive que me afastar. Agora finalmente estávamos novamente juntos e eu consegui o que sempre queria de Rafa: sua sinceridade. Sinto que finalmente Rafa sente por mim o que eu sempre desejei que ele sentisse. Mas...
Lucila voltou a soluçar como uma criança. Cadu, meio desajeitado a abraçou. Apesar do suor no seu corpo, Lucila se aconchegou em seu peito. Precisava de um ombro amigo. Entre soluços continuou:
- Cadu, eu não sei. Mas eu acho que tudo que eu sentia por Rafa era uma ilusão. Fazia parte da minha imaginação.
Cadu a abraçou novamente, tirou o cabelo do seu rosto e a afagou como uma criança.
Lucila se sentia perdida. Não entendia toda aquela confusão de sentimentos. Mas a verdade era que Lucila caía na real: Rafa era muito mais interessante quando era um desafio. Vê-lo aos seus pés a fez perder todo o encanto. Conseguia entender o peso da traição de uma forma completamente racional. Via tudo com uma clareza impossível de existir no coração de uma mulher apaixonada.
Como se adivinhasse o que se passava na cabeça da amiga, Cadu disse:
- Tem vezes que nós buscamos fantasias para nos sentirmos vivos. Foi o que aconteceu em meu último relacionamento. Ignorei todos os sinais que ela me deu de que a relação não ia a diante. Cismei como um louco de seguir em frente, me forçando a acreditar que eu estava apaixonado e o pior: que era correspondido. Foi muito difícil pra mim admitir que me enganei, que me sabotei gratuitamente. Não se culpe, não se exija além do que você pode ir. A carência não é apenas uma palavra cafona e pejorativa, ela perigosa, mexe com os olhos, os ouvidos e com o coração da gente.
Lucila não imaginava que logo Cadu, que conhecia há poucos dias, pudesse ser tão incrivelmente sensível ao perceber o que se passava com ela. Cadu continuou com sua fala macia:
- Nós não somos mais crianças. Nossos amigos estão casando, alguns até se separando. Outros tem filhos e a sociedade, nossa família e até estes mesmos amigos começam a nos ver como vítimas, como os infelizes solteiros. E nós vestimos esta carapuça. Nos comportamos de forma irracional pra conseguir.... pra conseguir um amor.
Lucila sorriu. Era sua história, era descrição sincera dos seus sentimentos. Cadu se levantou e foi até o quiosque da praia. Lucila o observava de longe. Ainda estava absorvida pelas palavras de Cadu. Era como se ele conseguisse a ver por dentro. Já se sentia melhor e acreditava que não tinha mais que carregar nenhum peso por sentir o que sentia. Estava mais leve.
Cadu voltou trazendo duas águas de coco. Foram muito bem-vindas, já que Lucila não colocava nada no estômago desde a noite anterior. Os dois tomaram os cocos em silêncio. Quando acabou Cadu disse:
- Que tal marcarmos uma reunião em meu escritório durante a manhã?
Lucila não entendeu. Ele estava mesmo virando a chave e falando de trabalho e ainda mais marcando uma reunião com ela, que não tinha pregado o olho a noite inteira, pra daqui há algumas horas?
Cadu riu diante da cara de espanto de Lucila e continuou:
- Você liga pra Bardot, sua chefe, e diz que tem uma reunião comigo até o almoço. Que tal? Assim, você descansa e recupera o sono de que você precisa.
- Ahhh. Você me assustou. É eu acho que uma mentirinha não faz mal, né? Além do mais eu não seria capaz de fazer nada do jeito que estou.
- Então tá combinado! Descanse e se você estiver melhor, à noite podemos sair pra espairecer. Acho que nós como solteiros carentes assumidos merecemos um pouco de diversão, não é?
Lucila rindo concordou. E fez como combinado. Foi pra casa e dormiu algumas horas. Foi o que precisava pra se recuperar. Quando acordou, tinham duas ligações de Rafa. Não queria resolver nada sobre Rafa ainda, mas também não queria ser ainda mais filha da mãe com ele. Então ligou de volta:
- Oi Rafa. Desculpa não ter te atendido antes.
- Tudo bem meu amor. Como você está?
- Estou bem. Mas preciso te pedir uma coisa.
- Qualquer coisa, Lú.
- Preciso de um tempo pra mim, não quero mais agir de forma tão idiota. Sei que você vai dizer que não, mas eu sei. Então, me dê até amanhã, ok? Eu combinei um jantar hoje com uma pessoa amiga. Preciso disso. E prometo que amanhã nós vamos nos sentar e colocar tudo no lugar está bem?
- Mas o que aconteceu? Aconteceu alguma coisa? Eu fiz algo de errado? Me desculpe eu não queria...
Lucila o interrompeu. A humilhação que Rafa se permitia, agora a machucava. Se sentia ainda mais horrível.
- Rafa, você não fez nada. Por favor. Não faça isso. Eu só quero um dia pra mim, ok?
Rafa não se conformou, mas com o pavor que agora sentia em magoar e perder Lucila, nem ele entendia a forma como agia. Nunca tinha se sentido tão frágil, tão fora do controle e parecia que pela primeira vez sentia algo parecido com ciúme.
Lucila trabalhou tranqüila durante a tarde. Antes de ir pra casa parou no shopping com a desculpa de que comprar a deixaria melhor, mas na verdade queria vestir algo novo no jantar com Cadu.
“Nada” – pensou. Ela não sentia nada. Apenas orgulho, orgulho de vê-lo passar pelo que ele sempre a fez passar. Será que todo o amor que ela sempre achou ter por se resumia a um simples desejo de vingança?
Que mulher nunca sonhou em ver o ex namorado suplicando pelo seu amor e ter o gostinho de dizer um redondo não? Seria nisso que toda aquela paixão de uma vida inteira teria se transformado? Rafa só seria atraente se fosse um desafio?
Lucila rolou na cama até o dia amanhecer. Desistiu de dormir e se levantou. Era pouco mais de seis horas e Lucila decidiu ir caminhar na praia. Colocou seu tênis, um short e se foi. Copacabana já estava movimentada. Diversos velhinhos faziam seus exercícios matutinos. Lucila os acompanhava.
Enquanto caminhava achou que alguém tinha gritado seu nome. Não podia ser. Não aquela hora da manhã. Mas não era impressão. Um homem acenava. Lucila não enxergava quem era, estava contra o sol. Lucila espremeu os olhos e o reconheceu. Era Cadu que corria na orla. Ele veio em sua direção e Lucila não pode deixar de reparar no belo corpo do rapaz. Ela nunca imaginaria que por baixo daquelas roupas maltrapilhas e descombinadas pudesse ter um homem tão, tão...gostoso.
Cadu chegou perto de Lucila. Estava suado, seu cabelo como sempre despenteado, agora combinava com seu visual de atleta. Ele observou Lucila, como se surpreendesse com sua aparência.
- Oi Lú. Não sabia que você também gostava de acordar cedo.
Lucila sorriu. Tentou disfarçar, mas sabia que seria em vão. A ressaca física e moral da noite anterior estavam estampadas no seu rosto. Sem rodeios, Cadu disse:
- Não dormiu não é?
Lucila sacudiu a cabeça afirmativamente. Cadu a levou para um banco próximo onde os dois se sentaram. Ele a olhou com carinho como se quisesse saber dizer a frase perfeita para animá-la. Não sabia. Então, arriscou ser sincero:
- Desculpe me intrometer. Mas eu ontem percebi algo estranho em você. Sei que não nos conhecemos muito bem, mas você estava... diferente.
- É eu sei. Estava insuportável, não é?
Cadu não respondeu. E o ditado “quem cala consente” nunca foi tão apropriado. Ele tentou ajudar:
- Às vezes temos maus momentos. Acontece com todo mundo.
Lucila exausta e com a sensibilidade a flor da pele, começou a chorar. Entre seus soluços falou:
- Eu passei os últimos anos da minha vida procurando um grande amor. Sempre desconfiei que já tinha achado e que por circunstâncias da vida, eu tive que me afastar. Agora finalmente estávamos novamente juntos e eu consegui o que sempre queria de Rafa: sua sinceridade. Sinto que finalmente Rafa sente por mim o que eu sempre desejei que ele sentisse. Mas...
Lucila voltou a soluçar como uma criança. Cadu, meio desajeitado a abraçou. Apesar do suor no seu corpo, Lucila se aconchegou em seu peito. Precisava de um ombro amigo. Entre soluços continuou:
- Cadu, eu não sei. Mas eu acho que tudo que eu sentia por Rafa era uma ilusão. Fazia parte da minha imaginação.
Cadu a abraçou novamente, tirou o cabelo do seu rosto e a afagou como uma criança.
Lucila se sentia perdida. Não entendia toda aquela confusão de sentimentos. Mas a verdade era que Lucila caía na real: Rafa era muito mais interessante quando era um desafio. Vê-lo aos seus pés a fez perder todo o encanto. Conseguia entender o peso da traição de uma forma completamente racional. Via tudo com uma clareza impossível de existir no coração de uma mulher apaixonada.
Como se adivinhasse o que se passava na cabeça da amiga, Cadu disse:
- Tem vezes que nós buscamos fantasias para nos sentirmos vivos. Foi o que aconteceu em meu último relacionamento. Ignorei todos os sinais que ela me deu de que a relação não ia a diante. Cismei como um louco de seguir em frente, me forçando a acreditar que eu estava apaixonado e o pior: que era correspondido. Foi muito difícil pra mim admitir que me enganei, que me sabotei gratuitamente. Não se culpe, não se exija além do que você pode ir. A carência não é apenas uma palavra cafona e pejorativa, ela perigosa, mexe com os olhos, os ouvidos e com o coração da gente.
Lucila não imaginava que logo Cadu, que conhecia há poucos dias, pudesse ser tão incrivelmente sensível ao perceber o que se passava com ela. Cadu continuou com sua fala macia:
- Nós não somos mais crianças. Nossos amigos estão casando, alguns até se separando. Outros tem filhos e a sociedade, nossa família e até estes mesmos amigos começam a nos ver como vítimas, como os infelizes solteiros. E nós vestimos esta carapuça. Nos comportamos de forma irracional pra conseguir.... pra conseguir um amor.
Lucila sorriu. Era sua história, era descrição sincera dos seus sentimentos. Cadu se levantou e foi até o quiosque da praia. Lucila o observava de longe. Ainda estava absorvida pelas palavras de Cadu. Era como se ele conseguisse a ver por dentro. Já se sentia melhor e acreditava que não tinha mais que carregar nenhum peso por sentir o que sentia. Estava mais leve.
Cadu voltou trazendo duas águas de coco. Foram muito bem-vindas, já que Lucila não colocava nada no estômago desde a noite anterior. Os dois tomaram os cocos em silêncio. Quando acabou Cadu disse:
- Que tal marcarmos uma reunião em meu escritório durante a manhã?
Lucila não entendeu. Ele estava mesmo virando a chave e falando de trabalho e ainda mais marcando uma reunião com ela, que não tinha pregado o olho a noite inteira, pra daqui há algumas horas?
Cadu riu diante da cara de espanto de Lucila e continuou:
- Você liga pra Bardot, sua chefe, e diz que tem uma reunião comigo até o almoço. Que tal? Assim, você descansa e recupera o sono de que você precisa.
- Ahhh. Você me assustou. É eu acho que uma mentirinha não faz mal, né? Além do mais eu não seria capaz de fazer nada do jeito que estou.
- Então tá combinado! Descanse e se você estiver melhor, à noite podemos sair pra espairecer. Acho que nós como solteiros carentes assumidos merecemos um pouco de diversão, não é?
Lucila rindo concordou. E fez como combinado. Foi pra casa e dormiu algumas horas. Foi o que precisava pra se recuperar. Quando acordou, tinham duas ligações de Rafa. Não queria resolver nada sobre Rafa ainda, mas também não queria ser ainda mais filha da mãe com ele. Então ligou de volta:
- Oi Rafa. Desculpa não ter te atendido antes.
- Tudo bem meu amor. Como você está?
- Estou bem. Mas preciso te pedir uma coisa.
- Qualquer coisa, Lú.
- Preciso de um tempo pra mim, não quero mais agir de forma tão idiota. Sei que você vai dizer que não, mas eu sei. Então, me dê até amanhã, ok? Eu combinei um jantar hoje com uma pessoa amiga. Preciso disso. E prometo que amanhã nós vamos nos sentar e colocar tudo no lugar está bem?
- Mas o que aconteceu? Aconteceu alguma coisa? Eu fiz algo de errado? Me desculpe eu não queria...
Lucila o interrompeu. A humilhação que Rafa se permitia, agora a machucava. Se sentia ainda mais horrível.
- Rafa, você não fez nada. Por favor. Não faça isso. Eu só quero um dia pra mim, ok?
Rafa não se conformou, mas com o pavor que agora sentia em magoar e perder Lucila, nem ele entendia a forma como agia. Nunca tinha se sentido tão frágil, tão fora do controle e parecia que pela primeira vez sentia algo parecido com ciúme.
Lucila trabalhou tranqüila durante a tarde. Antes de ir pra casa parou no shopping com a desculpa de que comprar a deixaria melhor, mas na verdade queria vestir algo novo no jantar com Cadu.
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terça-feira, 28 de abril de 2009
CAPÍTULO 30
Bruna e Marcelo saíram do cinema e foram jantar. Quem os olhava jamais pensaria que aquele casal era uma dupla de refugiados. A barriga de Bruna ainda reforçava o ar de família feliz. Os dois riam, eram carinhosos um com o outro. Apesar do jeito calado de Marcelo, ele a encantava. Sua sobriedade era um charme pra ela, era um toque de mistério na sua personalidade.
Depois do jantar, voltaram pra casa. Assim que entraram, Consuelo correu em direção à porta e entregou pra Marcelo o bilhete, em seguida falou:
- Dr. Marcelo eles vieram aqui, mas eu não os deixei entrar não, viu? Avisei que os senhores não estavam e ele pediram pra entregar esse bilhete.
Marcelo abriu o papel:
Marcelo,
Precisamos conversar. O círculo está fechando. Estamos no Royal Palm Hotel. Procure-nos com urgência.
Abraços,
Antônio e Joana
Depois que leu o guardou no bolso. Bruna perguntou:
- De quem é? O que é?
Ele fez um carinho na sua cabeça e respondeu com voz calma:
- Não se preocupe minha querida. São negócios.
Bruna não gostou da resposta, mas como tudo de estranho na sua vida atual, resolveu ignorar e se concentrar apenas nas coisas boas. Consuelo a olhava desconfiada, com cara de quem não entendia porque a patroa não insistia em saber o que era o tal papel.
Marcelo subiu as escadas e Bruna ficou olhando pra Consuelo, até que disse ríspida em resposta ao olhar desafiador da emprega:
- O que foi? Está precisando de mais alguma coisa? Olha, já jantamos. Quando terminar tudo pode se recolher.
Consuelo fez cara de quem não gostou. Pediu licença e foi pra cozinha. Pensava consigo mesma que por mais boazinhas que as patroas fossem na hora do aperto elas sempre descontavam nos empregados. Riu debochado como alguém que já está mais do que acostumada a ser tratada daquela forma.
Em seu escritório, Marcelo ligava para o Royal Palm Hotel. Marcou um encontro com os ex-funcionários da JAEH para o dia seguinte. Percebeu que eles estavam aflitos com o fato de que a Polícia Federal já ter os identificado como os cúmplices de Marcelo e Waldemar. Marcelo não sabia dos avanços da investigação e ficou furioso com a notícia.
Minutos depois, Bruna também subiu e o procurou no escritório:
- Oi amor, você não vem se deitar?
Marcelo estava sério, sentado em sua cadeira perdido em seus pensamentos e não gostou de ter sido interrompido. Em um lapso de raiva respondeu com grosseria:
- Você não pode se deitar sozinha um só dia?
Bruna se assustou com a reação do seu amor. Sua cara deve ter transparecido isso, pois imediatamente Marcelo tentou consertar:
- Desculpa meu amor. Estou nervoso. Já estou indo, tá bem?
Bruna assentiu com a cabeça e foi para o quarto. Dormiu antes que Marcelo aparecesse.
No dia seguinte quando acordou, Marcelo já havia saído da cama. Interfonou para cozinha e perguntou a Consuelo sobre Marcelo, que respondeu:
- Dona Bruna ele já saiu há um tempão. Tava com uma cara! Perguntei se ele queria tomar café e ele nem respondeu.
Bruna não sabia o que estava acontecendo. Mas sabia que não era algo bom que Marcelo não queria contar. Entendia que ele quisesse a poupar, afinal estava grávida.
Enquanto isso Marcelo se encontrava com Antônio e Joana. Ele não queria ser visto junto dos dois então os buscou no hotel e foram para um bistrô discreto. Chegando lá Antônio logo começou a desabafar:
- Marcelo, eles estão na nossa cola! Estão interrogando minha família, meus amigos. É uma questão de tempo para nos acharem. O que vamos fazer?
Marcelo irritado respondeu:
- Pra começar você poderia virar homem, né? Você achou o quê? Que a polícia não iria descobrir sobre vocês? E pelo jeito vocês querem mesmo se entregar. Como chegaram a Miami? Não me digam que usar seus nomes e passaportes verdadeiros?
Joana, bem mais durona do que Antônio, não deixou barato:
- Sinto muito se não somos delinqüentes como você e não temos documentos falsos, nomes falsos e tudo mais. Desculpe pela nossa ineficácia em ser falsários. Mas respondendo sua pergunta, viemos até o México de avião e até aqui de carro com um esquema para imigrantes, nem carimbaram nosso passaporte. Ninguém sabe que estamos nos EUA.
Marcelo ficou ainda mais irritado. Antônio estava apavorado e Joana estava firme e assim continuou:
- Temos um problema e como você mesmo nos garantiu, viemos aqui para que você possa resolver. Não é possível que nesta gama toda de corrupção você não conheça ninguém que possa molhar a mão pra nos livrar dessa.
Marcelo riu alto. Apesar do deboche, não sabia o que responder. Não tinha esses contatos, seu pai que tinha e agora não podia procurá-lo, certamente todas as ligações estariam grampeadas. Então pensou rápido. Precisava tirar eles de Miami.
- Vamos nos acalmar. Quando disse que vocês podiam confiar em mim, é porque podem. Temos algumas providências imediatas a tomar. Primeiro, não quero saber de ninguém aparecendo na minha casa, telefonando pra lá. Nada! Minha esposa não tem nada a ver com isso e ela está grávida. Entendido? Segundo, vocês fizeram check in nesse hotel, certo? Não vão voltar lá. Irão daqui direto pra outro estado, qualquer que seja, mais o mais longe daqui. – Tirando um bolo de dólares do bolso, entregou a Joana – isso aqui vai garantir uma viagem e uma estadia confortável a vocês até que baixe a poeira.
Joana pegou o dinheiro e colocou na bolsa. A idéia de continuar a viagem com Antônio não era das melhores. Ela não o agüentava mais vê-lo reclamar de tudo. Mas não tinha saída, também não queria ficar sozinha nesta situação. Pensava em seu marido e filhos e principalmente no que eles pensavam sobre ela. Antes que pudesse se emocionar com seu pensamentos, perguntou a Marcelo:
- E como você nos achará? Como saberemos que podemos sair da toca?
Marcelo anotou um endereço, uma caixa postal e entregou pra eles:
- Vocês vão escrever o contato de vocês e enviar para este endereço. Sem assinar, sem bilhetinhos, apenas o endereço e telefone que vocês irão estar.
Antônio ainda balbuciou algumas palavras sobre o pavor e arrependimento que sentia. Marcelo tentou tranqüilizá-lo afirmando que a PF não tem provas concretas contra eles e que quando tudo isso passasse eles seriam ricos e felizes.
Se despediram secamente. Marcelo voltou para o carro deixando os dois a procura de um transporte que os levasse para um lugar longe dali. Sabiam que não podiam levantar suspeitas, preencher fichas ou mostrar o passaporte. Os dois não tinham intimidade com esse tipo de transação. Ia ser uma tarefa difícil pra eles e Joana sabia que dependia dela conseguir o carro sem suspeitas.
Marcelo não voltou pra casa para o almoço e pela primeira vez não avisou Bruna. Ela ficou preocupadat, mas achou melhor não telefonar. Almoçou na cozinha na companhia de Consuelo, que atenta percebia o clima estranho do casal.
Depois do jantar, voltaram pra casa. Assim que entraram, Consuelo correu em direção à porta e entregou pra Marcelo o bilhete, em seguida falou:
- Dr. Marcelo eles vieram aqui, mas eu não os deixei entrar não, viu? Avisei que os senhores não estavam e ele pediram pra entregar esse bilhete.
Marcelo abriu o papel:
Marcelo,
Precisamos conversar. O círculo está fechando. Estamos no Royal Palm Hotel. Procure-nos com urgência.
Abraços,
Antônio e Joana
Depois que leu o guardou no bolso. Bruna perguntou:
- De quem é? O que é?
Ele fez um carinho na sua cabeça e respondeu com voz calma:
- Não se preocupe minha querida. São negócios.
Bruna não gostou da resposta, mas como tudo de estranho na sua vida atual, resolveu ignorar e se concentrar apenas nas coisas boas. Consuelo a olhava desconfiada, com cara de quem não entendia porque a patroa não insistia em saber o que era o tal papel.
Marcelo subiu as escadas e Bruna ficou olhando pra Consuelo, até que disse ríspida em resposta ao olhar desafiador da emprega:
- O que foi? Está precisando de mais alguma coisa? Olha, já jantamos. Quando terminar tudo pode se recolher.
Consuelo fez cara de quem não gostou. Pediu licença e foi pra cozinha. Pensava consigo mesma que por mais boazinhas que as patroas fossem na hora do aperto elas sempre descontavam nos empregados. Riu debochado como alguém que já está mais do que acostumada a ser tratada daquela forma.
Em seu escritório, Marcelo ligava para o Royal Palm Hotel. Marcou um encontro com os ex-funcionários da JAEH para o dia seguinte. Percebeu que eles estavam aflitos com o fato de que a Polícia Federal já ter os identificado como os cúmplices de Marcelo e Waldemar. Marcelo não sabia dos avanços da investigação e ficou furioso com a notícia.
Minutos depois, Bruna também subiu e o procurou no escritório:
- Oi amor, você não vem se deitar?
Marcelo estava sério, sentado em sua cadeira perdido em seus pensamentos e não gostou de ter sido interrompido. Em um lapso de raiva respondeu com grosseria:
- Você não pode se deitar sozinha um só dia?
Bruna se assustou com a reação do seu amor. Sua cara deve ter transparecido isso, pois imediatamente Marcelo tentou consertar:
- Desculpa meu amor. Estou nervoso. Já estou indo, tá bem?
Bruna assentiu com a cabeça e foi para o quarto. Dormiu antes que Marcelo aparecesse.
No dia seguinte quando acordou, Marcelo já havia saído da cama. Interfonou para cozinha e perguntou a Consuelo sobre Marcelo, que respondeu:
- Dona Bruna ele já saiu há um tempão. Tava com uma cara! Perguntei se ele queria tomar café e ele nem respondeu.
Bruna não sabia o que estava acontecendo. Mas sabia que não era algo bom que Marcelo não queria contar. Entendia que ele quisesse a poupar, afinal estava grávida.
Enquanto isso Marcelo se encontrava com Antônio e Joana. Ele não queria ser visto junto dos dois então os buscou no hotel e foram para um bistrô discreto. Chegando lá Antônio logo começou a desabafar:
- Marcelo, eles estão na nossa cola! Estão interrogando minha família, meus amigos. É uma questão de tempo para nos acharem. O que vamos fazer?
Marcelo irritado respondeu:
- Pra começar você poderia virar homem, né? Você achou o quê? Que a polícia não iria descobrir sobre vocês? E pelo jeito vocês querem mesmo se entregar. Como chegaram a Miami? Não me digam que usar seus nomes e passaportes verdadeiros?
Joana, bem mais durona do que Antônio, não deixou barato:
- Sinto muito se não somos delinqüentes como você e não temos documentos falsos, nomes falsos e tudo mais. Desculpe pela nossa ineficácia em ser falsários. Mas respondendo sua pergunta, viemos até o México de avião e até aqui de carro com um esquema para imigrantes, nem carimbaram nosso passaporte. Ninguém sabe que estamos nos EUA.
Marcelo ficou ainda mais irritado. Antônio estava apavorado e Joana estava firme e assim continuou:
- Temos um problema e como você mesmo nos garantiu, viemos aqui para que você possa resolver. Não é possível que nesta gama toda de corrupção você não conheça ninguém que possa molhar a mão pra nos livrar dessa.
Marcelo riu alto. Apesar do deboche, não sabia o que responder. Não tinha esses contatos, seu pai que tinha e agora não podia procurá-lo, certamente todas as ligações estariam grampeadas. Então pensou rápido. Precisava tirar eles de Miami.
- Vamos nos acalmar. Quando disse que vocês podiam confiar em mim, é porque podem. Temos algumas providências imediatas a tomar. Primeiro, não quero saber de ninguém aparecendo na minha casa, telefonando pra lá. Nada! Minha esposa não tem nada a ver com isso e ela está grávida. Entendido? Segundo, vocês fizeram check in nesse hotel, certo? Não vão voltar lá. Irão daqui direto pra outro estado, qualquer que seja, mais o mais longe daqui. – Tirando um bolo de dólares do bolso, entregou a Joana – isso aqui vai garantir uma viagem e uma estadia confortável a vocês até que baixe a poeira.
Joana pegou o dinheiro e colocou na bolsa. A idéia de continuar a viagem com Antônio não era das melhores. Ela não o agüentava mais vê-lo reclamar de tudo. Mas não tinha saída, também não queria ficar sozinha nesta situação. Pensava em seu marido e filhos e principalmente no que eles pensavam sobre ela. Antes que pudesse se emocionar com seu pensamentos, perguntou a Marcelo:
- E como você nos achará? Como saberemos que podemos sair da toca?
Marcelo anotou um endereço, uma caixa postal e entregou pra eles:
- Vocês vão escrever o contato de vocês e enviar para este endereço. Sem assinar, sem bilhetinhos, apenas o endereço e telefone que vocês irão estar.
Antônio ainda balbuciou algumas palavras sobre o pavor e arrependimento que sentia. Marcelo tentou tranqüilizá-lo afirmando que a PF não tem provas concretas contra eles e que quando tudo isso passasse eles seriam ricos e felizes.
Se despediram secamente. Marcelo voltou para o carro deixando os dois a procura de um transporte que os levasse para um lugar longe dali. Sabiam que não podiam levantar suspeitas, preencher fichas ou mostrar o passaporte. Os dois não tinham intimidade com esse tipo de transação. Ia ser uma tarefa difícil pra eles e Joana sabia que dependia dela conseguir o carro sem suspeitas.
Marcelo não voltou pra casa para o almoço e pela primeira vez não avisou Bruna. Ela ficou preocupadat, mas achou melhor não telefonar. Almoçou na cozinha na companhia de Consuelo, que atenta percebia o clima estranho do casal.
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