Bruna entrou no apartamento e sentiu algo que há muito tempo não sentia: se sentia em casa. Nem no apartamento de Marcelo ou na mansão em Miami conseguia ficar tão a vontade como estava agora. Aquela era sua casa. Ou tinha sido. Lá havia passado ótimos momentos. Momentos com Juca, com ela mesma, com os amigos.
Amigos. Não tinha mais amigos, não tinha coragem nem de tentar reconquistá-los. Traíra a confiança de suas melhores amigas. Usou Lucila, sabia disso.
No momento em que tudo aconteceu, não percebia o tamanho da sua própria traição. Não percebeu como foi baixa, dissimulada, cruel. Agora tinha vergonha de si mesma e aceitava estar sozinha sob pena de seus próprios erros.
Sentou-se na beirada da cama. Apesar de sentir em casa, não se sentia livre para se esparramar naquela cama. Voltou pra sala, onde as lembranças eram mais amenas. Pegou um porta-retrato com uma foto de seu casamento. Ela e Juca lindos, felizes, olhos brilhantes, caras rosadas, cheios de amor. “- Acabou” – pensou em sua certeza.
Estava cansada e com fome. Resolveu tomar um banho e preparar algo para comer. Ainda enrolada na toalha, foi até a cozinha ver o que encontrava. Encontrou Juca. Sentando na mesa, cabeça baixa, parecia não saber direito que estava fazendo. E não sabia.
Bruna se assustou, mas logo ficou calma. A presença de Juca lhe dava muita paz. Como se eles tivessem voltado ao passado, Bruna caminhou tranqüilamente até a dispensa e perguntou:
- Está com fome?
Juca entrou no mesmo clima. Sacudiu a cabeça dizendo que sim. E os dois juntos, sem explicarem nada, começaram a preparar o almoço. Conversaram amenidades, riram, arrumaram a mesa. Comeram juntos com uma conversa gostosa, sem pretensões. Nenhum dos dois sabia como e porque isso acontecia, mas deixaram fluir. Juca que não tinha certeza de como tinha ido parar ali, agora tirava os sapatos. Estava em sua casa, com alguém que se parecia com sua esposa. Não houve carícias de casal. Na verdade nem se tocaram. Apenas conversaram e também dividiram o mesmo silêncio. Ficaram a tarde juntos e a noite também. Dormiram no sofá da sala com a TV ligada. Era tudo muito tranqüilo, muito normal. Parecia que nada havia mudado.
No dia seguinte, os dois seguiram sua rotina, ignorando os últimos meses. Bruna tentou por algumas vezes falar com Juca sobre o que estava acontecendo. Ele sempre mudava de assunto. Quando estava pronto para ir para a JAEH, Bruna insistiu mais uma vez:
- Juca, não podemos fingir que nada aconteceu. Precisamos conversar.
Juca se irritou, respondeu ríspido:
- Quem foi o lesado da situação fui eu não foi? Então eu decido quando quero conversar, Bruna.
Bruna também gritou:
- Eu te fiz mal. Muito mal. O maior mal que eu poderia de fazer, eu sei disso! Mas eu também sofri, também levei meu troco. Me apaixonei por um canalha, perdi um filho, perdi meus amigos, minhas referências, minha ética. Agora estou aqui recebendo seu carinho. Um carinho de que preciso, mas sei que não mereço. Sinto o mesmo amor por você que sentia há meses, mas ele tem marcas, tem cicatrizes. Você sabe disso e não podemos fingir que nada aconteceu. Como você vai passar por cima de tudo que eu te fiz passar?
Juca se sentou novamente, largou sua pasta. Começou a chorar. Sabia que Bruna estava certa. Podia fingir que nada aconteceu apenas por alguns dias. Certamente em algum momento, alguma palavra, algum gesto, alguma coisa o lembraria de Marcelo, dos dois juntos, da dor. Ele amava Bruna, mas não conseguia perdoá-la.
Bruna interpretava o choro de Juca:
- Você não me perdoou, não é? Eu sei. Eu entendo e acho que também não conseguiria passar por cima de tudo. Eu quero voltar a nossa vida. Quero muito! Mais do que tudo! Mas não posso! A culpa, o sentimento de remorso e a falta do seu perdão, não vão nos permitir sermos felizes de novo.
Juca desabou, mas soluçando falou:
- Eu não entendo. O que aconteceu? Porque você fez isso comigo? Eu sei que não merecia. Éramos felizes, não éramos?
- Éramos muito felizes, Juca. Não me faltava nada, nem material, nem amor, nem nada. Nunca esperei que nosso casamento fosse uma eterna história romântica, sabia que um dia as coisas iam esfriar. Estava pronta pra isso, teria seu companheirismo, sua amizade e nosso amor. Já seria suficiente. Mas me enganei. Quando vi a possibilidade de transbordar novamente romantismo e paixão em minha vida, não resisti. Marcelo apareceu, se mostrou mais presente, mais apaixonado, mais disponível. Eu me encantei por ele. Fui manipulada em meu romantismo.
Juca nunca imaginou compreender Bruna. Mas compreendeu. A conhecia tão bem, que sabia o quanto era romântica, o quanto precisava disso. Foi assim que a conquistou, com o mais puro romantismo. Entendia o que havia acontecido, se culpava por ter deixado acontecer, mas também sabia que o casamento chegaria a ter dias mais amenos e também não achava isso ruim. Se perguntava se perdoaria Bruna algum dia. Se conseguiria confiar nela novamente.
Os dois ficaram um tempo em silêncio. Não havia mais nada pra ser dito. Juca reafirmou que o apartamento seria dela. Ele voltaria a seu flat.
Antes de sair, Juca a olhou pra Bruna com ternura. Bruna retribuiu e disse:
- Quando quiser, se quiser, como quiser. Podemos tentar.
Juca balançou a cabeça e saiu.
Nos dias que seguiram, eles se falavam por telefone. Depois começaram a almoçar juntos em um ou outro restaurante. Foram ao cinema. Eram bons amigos.
Na Bahia outro casal também adormeceu junto. Mas dormiram exaustos, cansados de se sentirem felizes, de se amarem. Lucila recuperou suas forças e também as extinguiu nos braços de Cadu. Os dois não conversaram, não acertaram os pontos. Não houve DR*, apenas seguiram seus instintos, exatamente como na primeira noite que ficaram juntos.
O dia acordou ensolarado, como se espera de um dia na Bahia. Os dois se olharam amassados, riram com a intimidade de quem nunca acordou junto. Se abraçaram, se beijaram e se amaram novamente. Lucila em alguns momentos achava que ia acordar, que tudo não passava de um sonho.
No seu íntimo confundia Cadú com outra pessoa. Não sabia direito quem ele era. Mas o Cadú piadista, às vezes sem graça, descombinado, largado não era o mesmo Cadu que a puxava pelos cabelos, que a beijava com delicadeza. Era difícil entender que eles eram um só. Lucila sabia, em sua experiência, que entre quatro paredes as pessoas se revelam novas pessoas. Mas também conhecia o Cadú que a consolou no calçadão de Copacabana, que foi seu amigo. O Cadú companheiro de trabalho, inteligente, esperto, ativo e que duplava com ela como ninguém. Todos esses “cadus” eram aquele homem que estava ao seu lado agora. Não era um príncipe encantado, não era perfeito, nem lindo, nem o melhor amante do mundo. Era o homem que ela queria agora. Pra agora e pra sempre. Ou para quanto o sempre durasse.
* discutir a relação
Mostrando postagens com marcador traição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador traição. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 23 de junho de 2009
CAPÍTULO 48
Marcadores:
aborto,
amor,
Barbara Ferreira,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
novela no blog,
novelaonline,
romance,
traição,
trinta anos,
webnovela
segunda-feira, 15 de junho de 2009
CAPÍTULO 45
De roupa nova e já pronta, Lucila esperava pela ligação de Cadu. Eram amigos, então é claro, ele não iria a buscar em casa. Não era um encontro romântico! Era apenas um jantar de bons amigos.
Cadu ligou dizendo que já estava indo para o restaurante. Lucila saiu de casa logo depois. Os dois chegaram na mesma hora. Cadu elogiou Lucila, que retribuiu o elogio. E não era mentira. Cadu estava mesmo bonito. Claro, que de novo vestia uma calça jeans e uma camiseta branca, seguindo outra vez o conselho de Lucila. Mas estava com um novo ar, algo diferente que nem Lucila conseguia identificar o que era.
Os dois pareciam se conhecer há muito tempo. Ambos falaram de suas vidas com muita tranqüilidade. Até as piadinhas de Cadu não atrapalhavam a conversa. Os dois conversaram a noite inteira e por fim Cadu perguntou a Lucila:
- Então amanhã você vai conversar com Rafa?
- Vou. Não sei como, mas não estou nervosa. E pra falar a verdade, nem sei o que vou dizer.
- Seja sincera. Conte a ele o que você está sentindo.
- É eu farei isso. Acho que nossa relação recomeçará muito mais forte se eu for sincera com ele como ele foi comigo.
Cadu engasgou:
- Recomeçará? Eu entendi que você tinha descoberto que não gostava mais dele.
- É, mas eu acho que eu e Rafa merecemos tentar. São muitos anos, muita história. Você acha que eu estou errada?
- Não. Se é o que você quer...
Cadu saiu do jantar menos animado. Não tinha percebido o quanto a idéia de Lucila continuar seu namoro tinha o abatido. Mas ao mesmo tempo estava feliz em ter tido uma noite tão agradável. Lucila era um delicioso presente. Uma mulher incrível. Uma excelente amiga. Ficaria feliz a vendo feliz. Ela merecia.
Mesmo descumprindo o combinado, Rafa ligou pra Lucila quando ela chegava em casa.
- Oi amor. Eu sei que não era pra eu ligar, mas estou com saudade.
- Tudo bem Rafa. Já estou chegando em casa. Amanhã nos vemos, certo?
- Não pode ser agora?
Quando Lucila saiu do carro viu Rafa parado na garagem. Trazia um buquê de rosas vermelhas. Lucila agradeceu. Tinha gostado da surpresa. Mas há poucos dias, teria se sentido a mulher mais feliz do mundo. Agora, ela apenas tinha gostado.
Os dois subiram. Lucila não queria transar com Rafa antes de conversarem. Queria ser honesta, abrir o jogo. Disfarçou pegando um copo de água na cozinha enquanto pensava no que fazer. Rafa se aproximou, bem mais tímido do que usual. Lucila o parou:
- Rafa, calma. Na verdade, eu não pretendia te ver hoje. Eu queria conversar com você amanhã, mas também não acho justo ficar fazendo mistério.
Os dois se sentaram na mesa da cozinha. Lucila não se lembrava de estar tão calma sobre um assunto tão sério, em anos. Rafa estava tenso. Mas Lucila conduziu como se falasse com uma criança. Falou por muito tempo sem nenhuma interrupção do namorado:
- Rafa, acho que não preciso te dizer que desde que me entendo por gente fui apaixonada por você. No nosso primeiro namoro éramos muito novos, vinte anos. Por quase todo o tempo não percebia nada de errado em nosso namoro, até que amadureci. Então percebi que nem tudo era tão bonito quanto parecia. Tentamos, nos separamos, voltamos. Acreditei que você tivesse amadurecido até que no casamento de Bruna...bom, você sabe. Achei que não podia mais me submeter a um relacionamento onde não havia confiança, sinceridade. Até que por causa da confusão de Bruna, nos reencontramos.E apesar do seu deslize, acho que acertamos a mão. Aliás, você acertou. Fez a coisa certa, foi sincero. E eu me senti dona da situação, sentia orgulho em te ver tão, tão... tão meu. Meu como nunca senti que fosse. Por sorte, percebi a tempo que estava sendo uma babaca contigo. Dominando você, usando o sentimento que você teve coragem de me mostrar. Mas junto com isso também percebi que meu sentimento por você não era mais o mesmo. Não é mais o mesmo.
- Lú, a gente se ama.
- Não sei, Rafa. Acho que não. Mas, não estou aqui pra terminar com você. Eu quero que dê certo. Quero me apaixonar de novo por você. Tenho certeza de que com a maturidade que você agora tem, vai dar certo, você vai ver.
Lucila não tinha esta certeza, mas não sabia como continuar aquela conversa. Então abraçou Rafa, que ainda atordoado com tudo que tinha ouvido, mal correspondeu. Os dois apenas dormiram juntos, abraçados.
Alguns dias se passaram e a rotina dos dois era sempre a mesma. Se encontravam depois do trabalho, às vezes jantavam fora, outras iam ao cinema. Rafa nitidamente se empenhava para reconquistar a namorada e Lucila também fazia o que podia pra sentir aquela paixão, que agora teimava em se esconder.
O trabalho no escritório seguia bem. Lucila e Cadu se encontravam com freqüência e os dois faziam uma bela dupla. Cadu não perguntava mais sobre o relacionamento de Lucila. O que era ótimo, pois ela também não tinha vontade de falar. Era como se Cadu e Lucila retrocedessem em sua amizade e tivessem voltado a ser apenas bons colegas de trabalho.
Na inauguração da casa de Itaipava, o cliente decidiu oferecer uma festa na própria casa para seus amigos e claro, para a equipe envolvida. Lucila, Cadu e Bardot eram os convidados de honra. Os três reservaram uma pousada e foram juntos para Itaipava.
Como era esperado, a festa estava deslumbrante. Lucila e Cadu estavam muito orgulhosos de seu trabalho. Beberam, dançaram, comemoraram. Talvez por conta da bebida voltaram a se tratar como aqueles amigos que jantaram juntos numa noite. Lucila ria das piadas sem graça de Cadu e mais uma vez achava ele bastante atraente.
Em momento da noite, Bardot se aproximou de Lucila e disse:
- Lucila, Lucila! Há tempo não te vejo tão brilhante, hein? Sabia que você e Cadu fazem um belo casal? Uma dupla do barulho! No trabalho, no amor....
- Que isso, Bardot! Imagina! Somos só amigos e eu tenho namorado, você sabe.
- Sei, sei. O famoso Rafa. Tá feliz?
Lucila não respondeu. Cadu chegou em seguida e a puxou pra dançar. Primeiro Lucila tentou escapar, mas depois, embalada pela música, se deixou levar.
Já eram altas horas da madrugada. Bardot já tinha ido embora. Cadu e Lucila estavam cansados e resolveram ir para a pousada. No caminho conversavam sem parar, nem eles entendiam como podiam ter tanto assunto e ser sempre tão bom. Quando chegaram na pousada, cada um foi para seu quarto. Lucila não sabia bem porque, mas achou melhor se despedir de longe.
Lucila entrou em seu quarto e ficou relembrando os bons momentos da sua noite. Alguém bateu na porta. Lucila abriu. Era Cadu que a puxou e lhe deu um beijo na boca. O beijo era meio desajeitado, molhado demais, mas Lucila não se importou.
Os dois se entregaram ao tesão. Um tesão completamente inesperado, imprevisível. Cadu era cuidadoso, romântico, atencioso. Não era um furacão como Rafa, mas era doce, meigo e tinha sua pegada. Eles se entrosaram tão bem na cama como nas conversas.
Quando terminaram, Cadu olhou Lucila nos olhos e disse:
- Você é uma mulher apaixonante.
Lucila respondeu:
- Você também.
Cadu ligou dizendo que já estava indo para o restaurante. Lucila saiu de casa logo depois. Os dois chegaram na mesma hora. Cadu elogiou Lucila, que retribuiu o elogio. E não era mentira. Cadu estava mesmo bonito. Claro, que de novo vestia uma calça jeans e uma camiseta branca, seguindo outra vez o conselho de Lucila. Mas estava com um novo ar, algo diferente que nem Lucila conseguia identificar o que era.
Os dois pareciam se conhecer há muito tempo. Ambos falaram de suas vidas com muita tranqüilidade. Até as piadinhas de Cadu não atrapalhavam a conversa. Os dois conversaram a noite inteira e por fim Cadu perguntou a Lucila:
- Então amanhã você vai conversar com Rafa?
- Vou. Não sei como, mas não estou nervosa. E pra falar a verdade, nem sei o que vou dizer.
- Seja sincera. Conte a ele o que você está sentindo.
- É eu farei isso. Acho que nossa relação recomeçará muito mais forte se eu for sincera com ele como ele foi comigo.
Cadu engasgou:
- Recomeçará? Eu entendi que você tinha descoberto que não gostava mais dele.
- É, mas eu acho que eu e Rafa merecemos tentar. São muitos anos, muita história. Você acha que eu estou errada?
- Não. Se é o que você quer...
Cadu saiu do jantar menos animado. Não tinha percebido o quanto a idéia de Lucila continuar seu namoro tinha o abatido. Mas ao mesmo tempo estava feliz em ter tido uma noite tão agradável. Lucila era um delicioso presente. Uma mulher incrível. Uma excelente amiga. Ficaria feliz a vendo feliz. Ela merecia.
Mesmo descumprindo o combinado, Rafa ligou pra Lucila quando ela chegava em casa.
- Oi amor. Eu sei que não era pra eu ligar, mas estou com saudade.
- Tudo bem Rafa. Já estou chegando em casa. Amanhã nos vemos, certo?
- Não pode ser agora?
Quando Lucila saiu do carro viu Rafa parado na garagem. Trazia um buquê de rosas vermelhas. Lucila agradeceu. Tinha gostado da surpresa. Mas há poucos dias, teria se sentido a mulher mais feliz do mundo. Agora, ela apenas tinha gostado.
Os dois subiram. Lucila não queria transar com Rafa antes de conversarem. Queria ser honesta, abrir o jogo. Disfarçou pegando um copo de água na cozinha enquanto pensava no que fazer. Rafa se aproximou, bem mais tímido do que usual. Lucila o parou:
- Rafa, calma. Na verdade, eu não pretendia te ver hoje. Eu queria conversar com você amanhã, mas também não acho justo ficar fazendo mistério.
Os dois se sentaram na mesa da cozinha. Lucila não se lembrava de estar tão calma sobre um assunto tão sério, em anos. Rafa estava tenso. Mas Lucila conduziu como se falasse com uma criança. Falou por muito tempo sem nenhuma interrupção do namorado:
- Rafa, acho que não preciso te dizer que desde que me entendo por gente fui apaixonada por você. No nosso primeiro namoro éramos muito novos, vinte anos. Por quase todo o tempo não percebia nada de errado em nosso namoro, até que amadureci. Então percebi que nem tudo era tão bonito quanto parecia. Tentamos, nos separamos, voltamos. Acreditei que você tivesse amadurecido até que no casamento de Bruna...bom, você sabe. Achei que não podia mais me submeter a um relacionamento onde não havia confiança, sinceridade. Até que por causa da confusão de Bruna, nos reencontramos.E apesar do seu deslize, acho que acertamos a mão. Aliás, você acertou. Fez a coisa certa, foi sincero. E eu me senti dona da situação, sentia orgulho em te ver tão, tão... tão meu. Meu como nunca senti que fosse. Por sorte, percebi a tempo que estava sendo uma babaca contigo. Dominando você, usando o sentimento que você teve coragem de me mostrar. Mas junto com isso também percebi que meu sentimento por você não era mais o mesmo. Não é mais o mesmo.
- Lú, a gente se ama.
- Não sei, Rafa. Acho que não. Mas, não estou aqui pra terminar com você. Eu quero que dê certo. Quero me apaixonar de novo por você. Tenho certeza de que com a maturidade que você agora tem, vai dar certo, você vai ver.
Lucila não tinha esta certeza, mas não sabia como continuar aquela conversa. Então abraçou Rafa, que ainda atordoado com tudo que tinha ouvido, mal correspondeu. Os dois apenas dormiram juntos, abraçados.
Alguns dias se passaram e a rotina dos dois era sempre a mesma. Se encontravam depois do trabalho, às vezes jantavam fora, outras iam ao cinema. Rafa nitidamente se empenhava para reconquistar a namorada e Lucila também fazia o que podia pra sentir aquela paixão, que agora teimava em se esconder.
O trabalho no escritório seguia bem. Lucila e Cadu se encontravam com freqüência e os dois faziam uma bela dupla. Cadu não perguntava mais sobre o relacionamento de Lucila. O que era ótimo, pois ela também não tinha vontade de falar. Era como se Cadu e Lucila retrocedessem em sua amizade e tivessem voltado a ser apenas bons colegas de trabalho.
Na inauguração da casa de Itaipava, o cliente decidiu oferecer uma festa na própria casa para seus amigos e claro, para a equipe envolvida. Lucila, Cadu e Bardot eram os convidados de honra. Os três reservaram uma pousada e foram juntos para Itaipava.
Como era esperado, a festa estava deslumbrante. Lucila e Cadu estavam muito orgulhosos de seu trabalho. Beberam, dançaram, comemoraram. Talvez por conta da bebida voltaram a se tratar como aqueles amigos que jantaram juntos numa noite. Lucila ria das piadas sem graça de Cadu e mais uma vez achava ele bastante atraente.
Em momento da noite, Bardot se aproximou de Lucila e disse:
- Lucila, Lucila! Há tempo não te vejo tão brilhante, hein? Sabia que você e Cadu fazem um belo casal? Uma dupla do barulho! No trabalho, no amor....
- Que isso, Bardot! Imagina! Somos só amigos e eu tenho namorado, você sabe.
- Sei, sei. O famoso Rafa. Tá feliz?
Lucila não respondeu. Cadu chegou em seguida e a puxou pra dançar. Primeiro Lucila tentou escapar, mas depois, embalada pela música, se deixou levar.
Já eram altas horas da madrugada. Bardot já tinha ido embora. Cadu e Lucila estavam cansados e resolveram ir para a pousada. No caminho conversavam sem parar, nem eles entendiam como podiam ter tanto assunto e ser sempre tão bom. Quando chegaram na pousada, cada um foi para seu quarto. Lucila não sabia bem porque, mas achou melhor se despedir de longe.
Lucila entrou em seu quarto e ficou relembrando os bons momentos da sua noite. Alguém bateu na porta. Lucila abriu. Era Cadu que a puxou e lhe deu um beijo na boca. O beijo era meio desajeitado, molhado demais, mas Lucila não se importou.
Os dois se entregaram ao tesão. Um tesão completamente inesperado, imprevisível. Cadu era cuidadoso, romântico, atencioso. Não era um furacão como Rafa, mas era doce, meigo e tinha sua pegada. Eles se entrosaram tão bem na cama como nas conversas.
Quando terminaram, Cadu olhou Lucila nos olhos e disse:
- Você é uma mulher apaixonante.
Lucila respondeu:
- Você também.
Marcadores:
Barbara Ferreira,
blog feminino,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
tesão,
traição,
trinta anos,
webnovela
terça-feira, 9 de junho de 2009
CAPÍTULO 44
Lucila não dormiu. Não parava de pensar nas palavras de Ana. Revia seu comportamento desde o jantar com Rafa, o dia em que ouviu dele próprio que tinha sido infiel. Nem ela sabia como havia lidado com tudo isso. Era um estranho sentimento. Em todos os seus namoros com Rafa, sempre o forçou a dizer a verdade e nunca conseguiu. E agora que sabia a verdade, não soube lidar com ela. Ao contrário Lucila suprimiu a infidelidade e apenas enxergou um Rafa submisso, humilde, desesperado pelo seu amor. Era louco isso tudo. No que ela havia se tornado? E o pior: no que o sentimento que ela tinha por Rafa havia se transformado?
“Nada” – pensou. Ela não sentia nada. Apenas orgulho, orgulho de vê-lo passar pelo que ele sempre a fez passar. Será que todo o amor que ela sempre achou ter por se resumia a um simples desejo de vingança?
Que mulher nunca sonhou em ver o ex namorado suplicando pelo seu amor e ter o gostinho de dizer um redondo não? Seria nisso que toda aquela paixão de uma vida inteira teria se transformado? Rafa só seria atraente se fosse um desafio?
Lucila rolou na cama até o dia amanhecer. Desistiu de dormir e se levantou. Era pouco mais de seis horas e Lucila decidiu ir caminhar na praia. Colocou seu tênis, um short e se foi. Copacabana já estava movimentada. Diversos velhinhos faziam seus exercícios matutinos. Lucila os acompanhava.
Enquanto caminhava achou que alguém tinha gritado seu nome. Não podia ser. Não aquela hora da manhã. Mas não era impressão. Um homem acenava. Lucila não enxergava quem era, estava contra o sol. Lucila espremeu os olhos e o reconheceu. Era Cadu que corria na orla. Ele veio em sua direção e Lucila não pode deixar de reparar no belo corpo do rapaz. Ela nunca imaginaria que por baixo daquelas roupas maltrapilhas e descombinadas pudesse ter um homem tão, tão...gostoso.
Cadu chegou perto de Lucila. Estava suado, seu cabelo como sempre despenteado, agora combinava com seu visual de atleta. Ele observou Lucila, como se surpreendesse com sua aparência.
- Oi Lú. Não sabia que você também gostava de acordar cedo.
Lucila sorriu. Tentou disfarçar, mas sabia que seria em vão. A ressaca física e moral da noite anterior estavam estampadas no seu rosto. Sem rodeios, Cadu disse:
- Não dormiu não é?
Lucila sacudiu a cabeça afirmativamente. Cadu a levou para um banco próximo onde os dois se sentaram. Ele a olhou com carinho como se quisesse saber dizer a frase perfeita para animá-la. Não sabia. Então, arriscou ser sincero:
- Desculpe me intrometer. Mas eu ontem percebi algo estranho em você. Sei que não nos conhecemos muito bem, mas você estava... diferente.
- É eu sei. Estava insuportável, não é?
Cadu não respondeu. E o ditado “quem cala consente” nunca foi tão apropriado. Ele tentou ajudar:
- Às vezes temos maus momentos. Acontece com todo mundo.
Lucila exausta e com a sensibilidade a flor da pele, começou a chorar. Entre seus soluços falou:
- Eu passei os últimos anos da minha vida procurando um grande amor. Sempre desconfiei que já tinha achado e que por circunstâncias da vida, eu tive que me afastar. Agora finalmente estávamos novamente juntos e eu consegui o que sempre queria de Rafa: sua sinceridade. Sinto que finalmente Rafa sente por mim o que eu sempre desejei que ele sentisse. Mas...
Lucila voltou a soluçar como uma criança. Cadu, meio desajeitado a abraçou. Apesar do suor no seu corpo, Lucila se aconchegou em seu peito. Precisava de um ombro amigo. Entre soluços continuou:
- Cadu, eu não sei. Mas eu acho que tudo que eu sentia por Rafa era uma ilusão. Fazia parte da minha imaginação.
Cadu a abraçou novamente, tirou o cabelo do seu rosto e a afagou como uma criança.
Lucila se sentia perdida. Não entendia toda aquela confusão de sentimentos. Mas a verdade era que Lucila caía na real: Rafa era muito mais interessante quando era um desafio. Vê-lo aos seus pés a fez perder todo o encanto. Conseguia entender o peso da traição de uma forma completamente racional. Via tudo com uma clareza impossível de existir no coração de uma mulher apaixonada.
Como se adivinhasse o que se passava na cabeça da amiga, Cadu disse:
- Tem vezes que nós buscamos fantasias para nos sentirmos vivos. Foi o que aconteceu em meu último relacionamento. Ignorei todos os sinais que ela me deu de que a relação não ia a diante. Cismei como um louco de seguir em frente, me forçando a acreditar que eu estava apaixonado e o pior: que era correspondido. Foi muito difícil pra mim admitir que me enganei, que me sabotei gratuitamente. Não se culpe, não se exija além do que você pode ir. A carência não é apenas uma palavra cafona e pejorativa, ela perigosa, mexe com os olhos, os ouvidos e com o coração da gente.
Lucila não imaginava que logo Cadu, que conhecia há poucos dias, pudesse ser tão incrivelmente sensível ao perceber o que se passava com ela. Cadu continuou com sua fala macia:
- Nós não somos mais crianças. Nossos amigos estão casando, alguns até se separando. Outros tem filhos e a sociedade, nossa família e até estes mesmos amigos começam a nos ver como vítimas, como os infelizes solteiros. E nós vestimos esta carapuça. Nos comportamos de forma irracional pra conseguir.... pra conseguir um amor.
Lucila sorriu. Era sua história, era descrição sincera dos seus sentimentos. Cadu se levantou e foi até o quiosque da praia. Lucila o observava de longe. Ainda estava absorvida pelas palavras de Cadu. Era como se ele conseguisse a ver por dentro. Já se sentia melhor e acreditava que não tinha mais que carregar nenhum peso por sentir o que sentia. Estava mais leve.
Cadu voltou trazendo duas águas de coco. Foram muito bem-vindas, já que Lucila não colocava nada no estômago desde a noite anterior. Os dois tomaram os cocos em silêncio. Quando acabou Cadu disse:
- Que tal marcarmos uma reunião em meu escritório durante a manhã?
Lucila não entendeu. Ele estava mesmo virando a chave e falando de trabalho e ainda mais marcando uma reunião com ela, que não tinha pregado o olho a noite inteira, pra daqui há algumas horas?
Cadu riu diante da cara de espanto de Lucila e continuou:
- Você liga pra Bardot, sua chefe, e diz que tem uma reunião comigo até o almoço. Que tal? Assim, você descansa e recupera o sono de que você precisa.
- Ahhh. Você me assustou. É eu acho que uma mentirinha não faz mal, né? Além do mais eu não seria capaz de fazer nada do jeito que estou.
- Então tá combinado! Descanse e se você estiver melhor, à noite podemos sair pra espairecer. Acho que nós como solteiros carentes assumidos merecemos um pouco de diversão, não é?
Lucila rindo concordou. E fez como combinado. Foi pra casa e dormiu algumas horas. Foi o que precisava pra se recuperar. Quando acordou, tinham duas ligações de Rafa. Não queria resolver nada sobre Rafa ainda, mas também não queria ser ainda mais filha da mãe com ele. Então ligou de volta:
- Oi Rafa. Desculpa não ter te atendido antes.
- Tudo bem meu amor. Como você está?
- Estou bem. Mas preciso te pedir uma coisa.
- Qualquer coisa, Lú.
- Preciso de um tempo pra mim, não quero mais agir de forma tão idiota. Sei que você vai dizer que não, mas eu sei. Então, me dê até amanhã, ok? Eu combinei um jantar hoje com uma pessoa amiga. Preciso disso. E prometo que amanhã nós vamos nos sentar e colocar tudo no lugar está bem?
- Mas o que aconteceu? Aconteceu alguma coisa? Eu fiz algo de errado? Me desculpe eu não queria...
Lucila o interrompeu. A humilhação que Rafa se permitia, agora a machucava. Se sentia ainda mais horrível.
- Rafa, você não fez nada. Por favor. Não faça isso. Eu só quero um dia pra mim, ok?
Rafa não se conformou, mas com o pavor que agora sentia em magoar e perder Lucila, nem ele entendia a forma como agia. Nunca tinha se sentido tão frágil, tão fora do controle e parecia que pela primeira vez sentia algo parecido com ciúme.
Lucila trabalhou tranqüila durante a tarde. Antes de ir pra casa parou no shopping com a desculpa de que comprar a deixaria melhor, mas na verdade queria vestir algo novo no jantar com Cadu.
“Nada” – pensou. Ela não sentia nada. Apenas orgulho, orgulho de vê-lo passar pelo que ele sempre a fez passar. Será que todo o amor que ela sempre achou ter por se resumia a um simples desejo de vingança?
Que mulher nunca sonhou em ver o ex namorado suplicando pelo seu amor e ter o gostinho de dizer um redondo não? Seria nisso que toda aquela paixão de uma vida inteira teria se transformado? Rafa só seria atraente se fosse um desafio?
Lucila rolou na cama até o dia amanhecer. Desistiu de dormir e se levantou. Era pouco mais de seis horas e Lucila decidiu ir caminhar na praia. Colocou seu tênis, um short e se foi. Copacabana já estava movimentada. Diversos velhinhos faziam seus exercícios matutinos. Lucila os acompanhava.
Enquanto caminhava achou que alguém tinha gritado seu nome. Não podia ser. Não aquela hora da manhã. Mas não era impressão. Um homem acenava. Lucila não enxergava quem era, estava contra o sol. Lucila espremeu os olhos e o reconheceu. Era Cadu que corria na orla. Ele veio em sua direção e Lucila não pode deixar de reparar no belo corpo do rapaz. Ela nunca imaginaria que por baixo daquelas roupas maltrapilhas e descombinadas pudesse ter um homem tão, tão...gostoso.
Cadu chegou perto de Lucila. Estava suado, seu cabelo como sempre despenteado, agora combinava com seu visual de atleta. Ele observou Lucila, como se surpreendesse com sua aparência.
- Oi Lú. Não sabia que você também gostava de acordar cedo.
Lucila sorriu. Tentou disfarçar, mas sabia que seria em vão. A ressaca física e moral da noite anterior estavam estampadas no seu rosto. Sem rodeios, Cadu disse:
- Não dormiu não é?
Lucila sacudiu a cabeça afirmativamente. Cadu a levou para um banco próximo onde os dois se sentaram. Ele a olhou com carinho como se quisesse saber dizer a frase perfeita para animá-la. Não sabia. Então, arriscou ser sincero:
- Desculpe me intrometer. Mas eu ontem percebi algo estranho em você. Sei que não nos conhecemos muito bem, mas você estava... diferente.
- É eu sei. Estava insuportável, não é?
Cadu não respondeu. E o ditado “quem cala consente” nunca foi tão apropriado. Ele tentou ajudar:
- Às vezes temos maus momentos. Acontece com todo mundo.
Lucila exausta e com a sensibilidade a flor da pele, começou a chorar. Entre seus soluços falou:
- Eu passei os últimos anos da minha vida procurando um grande amor. Sempre desconfiei que já tinha achado e que por circunstâncias da vida, eu tive que me afastar. Agora finalmente estávamos novamente juntos e eu consegui o que sempre queria de Rafa: sua sinceridade. Sinto que finalmente Rafa sente por mim o que eu sempre desejei que ele sentisse. Mas...
Lucila voltou a soluçar como uma criança. Cadu, meio desajeitado a abraçou. Apesar do suor no seu corpo, Lucila se aconchegou em seu peito. Precisava de um ombro amigo. Entre soluços continuou:
- Cadu, eu não sei. Mas eu acho que tudo que eu sentia por Rafa era uma ilusão. Fazia parte da minha imaginação.
Cadu a abraçou novamente, tirou o cabelo do seu rosto e a afagou como uma criança.
Lucila se sentia perdida. Não entendia toda aquela confusão de sentimentos. Mas a verdade era que Lucila caía na real: Rafa era muito mais interessante quando era um desafio. Vê-lo aos seus pés a fez perder todo o encanto. Conseguia entender o peso da traição de uma forma completamente racional. Via tudo com uma clareza impossível de existir no coração de uma mulher apaixonada.
Como se adivinhasse o que se passava na cabeça da amiga, Cadu disse:
- Tem vezes que nós buscamos fantasias para nos sentirmos vivos. Foi o que aconteceu em meu último relacionamento. Ignorei todos os sinais que ela me deu de que a relação não ia a diante. Cismei como um louco de seguir em frente, me forçando a acreditar que eu estava apaixonado e o pior: que era correspondido. Foi muito difícil pra mim admitir que me enganei, que me sabotei gratuitamente. Não se culpe, não se exija além do que você pode ir. A carência não é apenas uma palavra cafona e pejorativa, ela perigosa, mexe com os olhos, os ouvidos e com o coração da gente.
Lucila não imaginava que logo Cadu, que conhecia há poucos dias, pudesse ser tão incrivelmente sensível ao perceber o que se passava com ela. Cadu continuou com sua fala macia:
- Nós não somos mais crianças. Nossos amigos estão casando, alguns até se separando. Outros tem filhos e a sociedade, nossa família e até estes mesmos amigos começam a nos ver como vítimas, como os infelizes solteiros. E nós vestimos esta carapuça. Nos comportamos de forma irracional pra conseguir.... pra conseguir um amor.
Lucila sorriu. Era sua história, era descrição sincera dos seus sentimentos. Cadu se levantou e foi até o quiosque da praia. Lucila o observava de longe. Ainda estava absorvida pelas palavras de Cadu. Era como se ele conseguisse a ver por dentro. Já se sentia melhor e acreditava que não tinha mais que carregar nenhum peso por sentir o que sentia. Estava mais leve.
Cadu voltou trazendo duas águas de coco. Foram muito bem-vindas, já que Lucila não colocava nada no estômago desde a noite anterior. Os dois tomaram os cocos em silêncio. Quando acabou Cadu disse:
- Que tal marcarmos uma reunião em meu escritório durante a manhã?
Lucila não entendeu. Ele estava mesmo virando a chave e falando de trabalho e ainda mais marcando uma reunião com ela, que não tinha pregado o olho a noite inteira, pra daqui há algumas horas?
Cadu riu diante da cara de espanto de Lucila e continuou:
- Você liga pra Bardot, sua chefe, e diz que tem uma reunião comigo até o almoço. Que tal? Assim, você descansa e recupera o sono de que você precisa.
- Ahhh. Você me assustou. É eu acho que uma mentirinha não faz mal, né? Além do mais eu não seria capaz de fazer nada do jeito que estou.
- Então tá combinado! Descanse e se você estiver melhor, à noite podemos sair pra espairecer. Acho que nós como solteiros carentes assumidos merecemos um pouco de diversão, não é?
Lucila rindo concordou. E fez como combinado. Foi pra casa e dormiu algumas horas. Foi o que precisava pra se recuperar. Quando acordou, tinham duas ligações de Rafa. Não queria resolver nada sobre Rafa ainda, mas também não queria ser ainda mais filha da mãe com ele. Então ligou de volta:
- Oi Rafa. Desculpa não ter te atendido antes.
- Tudo bem meu amor. Como você está?
- Estou bem. Mas preciso te pedir uma coisa.
- Qualquer coisa, Lú.
- Preciso de um tempo pra mim, não quero mais agir de forma tão idiota. Sei que você vai dizer que não, mas eu sei. Então, me dê até amanhã, ok? Eu combinei um jantar hoje com uma pessoa amiga. Preciso disso. E prometo que amanhã nós vamos nos sentar e colocar tudo no lugar está bem?
- Mas o que aconteceu? Aconteceu alguma coisa? Eu fiz algo de errado? Me desculpe eu não queria...
Lucila o interrompeu. A humilhação que Rafa se permitia, agora a machucava. Se sentia ainda mais horrível.
- Rafa, você não fez nada. Por favor. Não faça isso. Eu só quero um dia pra mim, ok?
Rafa não se conformou, mas com o pavor que agora sentia em magoar e perder Lucila, nem ele entendia a forma como agia. Nunca tinha se sentido tão frágil, tão fora do controle e parecia que pela primeira vez sentia algo parecido com ciúme.
Lucila trabalhou tranqüila durante a tarde. Antes de ir pra casa parou no shopping com a desculpa de que comprar a deixaria melhor, mas na verdade queria vestir algo novo no jantar com Cadu.
Marcadores:
Barbara Ferreira,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
romance,
traição,
trinta anos
domingo, 7 de junho de 2009
CAPÍTULO 42
Até Rafa, que não tinha nenhum tipo de pudor quando o assunto era sexo, se impressionou com a postura de Lucila na cama. Depois de arrancar as roupas de Rafa, Lucila se mostrou bem mais atrevida do que o normal. Era dona da situação, estava no comando e isso aumentava ainda mais seu tesão. Rafa, apesar de um pouco assustado, não podia negar que era uma maravilhosa surpresa ver sua namorada tão sexy e segura de si. Mas de alguma foram isso mexia com seu brios de homem acostumado ao comando.
Foi uma noite intensa, que acabou com os dois extasiados na cama. Rafa ainda não entendia muito bem tudo que acontecia, mas sabia que o melhor era deixar levar.
Lucila se levantou, colou um hobby e antes de entrar no banheiro falou para o namorado:
- Meu amor, melhor você ir. Já é tarde e amanhã tenho que acordar cedo. Preciso dormir bem, tenho uma importante reunião logo cedo.
- Melhor eu ir? Ir pra casa?
- Isso.
Lucila entrou no banheiro e Rafa confuso começou a catar suas roupas pela casa. Não entendia porque tinha que ir embora. Eles sempre dormiam juntos. Mas estava em desvantagem, então obedeceu.
Ela o levou até a porta, se despediram com um beijo quente. Lucila disse:
- Obrigada! Precisava relaxar.
E fechou a porta. Rafa ficou parado esperando o elevador. Definitivamente aquela não era a Lucila que ele conhecia.
Lucila teve uma maravilhosa noite de sono. Acordou absurdamente bem disposta e cheia de idéias para seu novo projeto da casa de Itaipava. Mesmo do caminho para o escritório ligou para Cadu. Tinha que dividir com ele as idéias que tinha. Os dois marcaram um almoço para discutirem as idéias.
No almoço Lucila falava sem parar. Sua criatividade estava a mil por hora. Contava seus planos, fazia anotações. Cadu apenas ouvia e concordava com um sacudir de cabeça. Depois que comeram, Cadu finalmente abriu a boca:
- Lucila, suas idéias são ótimas. Desculpe se não demonstrei entusiasmo, mas não tem nada a ver com suas propostas. Eu que não estou muito bem.
Lucila que até então não tinha parado para olhar Cadú, reparou que ele estava ainda mais esculhambado do que o normal. Fora suas roupas amassadas e descombinadas, tinha olheiras profundas e um ar de total desamparo. Lucila perguntou:
- Aconteceu alguma coisa Cadu? Você está tão abatido.
- Aconteceu sim. Eu nem sei como estou de pé. Estou arrasado. Minha namorada terminou comigo. Não entendo. Não sei o que eu fiz.
Cadu começou a chorar, como se fosse uma criança. Lucila em princípio havia se arrependido de perguntar o que havia acontecido. Não queria que nada atrapalhasse seu momento tão criativo. Mas aos poucos foi sentindo pena de Cadu. Era óbvio que aquele namoro não duraria muito. Mas ele por algum motivo, não havia percebido isso.
Lucila tentou confortá-lo. Mentiu ao dizer que o achava um cara muito interessante e que tinha certeza de que não faltariam boas opções para ele.
Ele agradeceu o carinho de Lucila e se desculpou pelo papelão. Disse que tiraria a tarde de folga para se recuperar e que no dia seguinte procuraria Lucila para detalharem o projeto. Lucila compreendeu e como sua mais nova amiga o fez prometer que não ligaria para a ex.
Alguns dias se passaram e Lucila e Rafa mantinham sua nova relação. Lucila dizia onde e quando queria vê-lo e ele prontamente atendia. Cadu também parecia bem melhor, mais disposto e falava ter conseguido se reerguer por causa da ajuda da nova amiga.
Lucila então teve uma idéia brilhante: iria apresentar Carla, sua amiga de trabalho ao Cadu. Como ela ainda não tinha pensado nisso? Carla vivia cada dia da sua vida pela esperança de arrumar um namorado. Estava tão desesperada que nem se importaria com a aparência de Cadu.
Cadu por sua vez era tão carente, que cairia como uma luva à obsessão louca de Carla. Estava resolvido! Eles seriam um casal perfeito!
Lucila resolveu fazer um queijos e vinhos em seu apartamento. Convidaria Ana e André que tinham acabado de chegar de viagem, Carla, Cadu e claro ela e Rafa. Ligou pra Rafa pedindo para que ele providenciasse os vinhos, enquanto ela cuidaria dos petiscos. Lucila não contou seu plano para Carla ou Cadu, queria que fosse uma surpresa. Os dois certamente se apaixonariam assim que se olhassem.
Os dois confirmaram a presença. Estava tudo certo. Lucila arrumou a casa, decorou com velas acesas e contou seu plano para Rafa e Ana, que seriam seus cúmplices na missão de unir mais um casal feliz.
Os primeiros a chegar foram Ana e André, que trouxeram lembrancinhas da viagem e tinham muita história pra contar. Lucila dava as coordenadas dos últimos detalhes e Rafa obedecia. Ana percebeu a mudança da amiga e principalmente a total obediência de Rafa.
O segundo a chegar foi Cadu. Seguindo os conselhos de Lucila, ele vestia uma calça jeans e uma camiseta branca lisa, sem nenhum estampa de Che Guevara ou algo parecido que ele costumava usar. Lucila o olhou e viu que tinha feito um bom trabalho. Ele estava até bonito. Tinha aparado o cabelo e feito a barba. Sorriu aberto quando Lucila abriu a porta e pareceu surpreso quando viu que haviam outras pessoas no apartamento.
Logo depois, o porteiro avisou que Carla estava subindo. Rafa que a recebeu. Quando abriu a porta não entendeu. Carla estava acompanhada de um rapaz. Rafa olhou para Lucila que sem perceber foi totalmente indiscreta:
- Carla? Você não disse que vinha acompanhada!
Carla ficou sem graça e mais ainda seu par. Ana vendo a situação constrangedora disfarçou:
- AHHAHAHA. Essa nossa amiga, né Carla! Tão ciumenta. Aposto que vai brigar com você por não ter contado sobre seu amigo. Ela é assim com todo mundo. Não liga não.
Lucila sorriu amarelo.
A noite transcorreu de uma forma curiosa. Ana e André abismados com o novo comportamento de Lucila, que falava alto, cortava os assunto dos outros, parecia se achar melhor do que os outros e dava comandos à Rafa que surpreendentemente cumpria sem reclamar.
Cadu estava completamente calado, louco para ir embora. Se achava mais uma vez um completo idiota. Como podia ter imaginado que Lucila tinha o chamado para um encontro a dois. Claro que não.
Carla dando atenção, como sempre excessiva, ao seu novo casinho, que parecia procurar o botão de eject.
No final da noite, só Lucila parecia feliz com seu queijos e vinhos, apesar de seus planos iniciais não terem dado certo.
Todos começaram a ir embora e Rafa também se despediu, já sabendo que não era do desejo de sua namorada que ele dormisse por ali. Ficaram Ana e Lucila arrumando as coisas. Ana não resistiu e falou:
- O que está acontecendo Lucila? Você está tão.. tão...tão...insuportável. Foi extremamente desagradável como todo mundo esta noite. E o Rafa? O que aconteceu pra você tratar ele assim?
Sem papas na língua, Lucila respondeu em seu tom mais arrogante:
- O que aconteceu? Ele me traiu. E se quiser ficar comigo, vai ter que agüentar.
- Ele te traiu e você se tornou uma vaca! Ah que ótimo! Uma bela maneira de se vingar dele é sendo insuportável com seus amigos. E eu duvido que você esteja feliz sendo assim. Pensa bem se é isso que você quer ser.
Ana e André foram embora e Lucila pela primeira vez desde o maldito jantar com Rafa, se deu conta do que estava acontecendo. Ana mais uma vez estava certa: ela não estava feliz.
Foi uma noite intensa, que acabou com os dois extasiados na cama. Rafa ainda não entendia muito bem tudo que acontecia, mas sabia que o melhor era deixar levar.
Lucila se levantou, colou um hobby e antes de entrar no banheiro falou para o namorado:
- Meu amor, melhor você ir. Já é tarde e amanhã tenho que acordar cedo. Preciso dormir bem, tenho uma importante reunião logo cedo.
- Melhor eu ir? Ir pra casa?
- Isso.
Lucila entrou no banheiro e Rafa confuso começou a catar suas roupas pela casa. Não entendia porque tinha que ir embora. Eles sempre dormiam juntos. Mas estava em desvantagem, então obedeceu.
Ela o levou até a porta, se despediram com um beijo quente. Lucila disse:
- Obrigada! Precisava relaxar.
E fechou a porta. Rafa ficou parado esperando o elevador. Definitivamente aquela não era a Lucila que ele conhecia.
Lucila teve uma maravilhosa noite de sono. Acordou absurdamente bem disposta e cheia de idéias para seu novo projeto da casa de Itaipava. Mesmo do caminho para o escritório ligou para Cadu. Tinha que dividir com ele as idéias que tinha. Os dois marcaram um almoço para discutirem as idéias.
No almoço Lucila falava sem parar. Sua criatividade estava a mil por hora. Contava seus planos, fazia anotações. Cadu apenas ouvia e concordava com um sacudir de cabeça. Depois que comeram, Cadu finalmente abriu a boca:
- Lucila, suas idéias são ótimas. Desculpe se não demonstrei entusiasmo, mas não tem nada a ver com suas propostas. Eu que não estou muito bem.
Lucila que até então não tinha parado para olhar Cadú, reparou que ele estava ainda mais esculhambado do que o normal. Fora suas roupas amassadas e descombinadas, tinha olheiras profundas e um ar de total desamparo. Lucila perguntou:
- Aconteceu alguma coisa Cadu? Você está tão abatido.
- Aconteceu sim. Eu nem sei como estou de pé. Estou arrasado. Minha namorada terminou comigo. Não entendo. Não sei o que eu fiz.
Cadu começou a chorar, como se fosse uma criança. Lucila em princípio havia se arrependido de perguntar o que havia acontecido. Não queria que nada atrapalhasse seu momento tão criativo. Mas aos poucos foi sentindo pena de Cadu. Era óbvio que aquele namoro não duraria muito. Mas ele por algum motivo, não havia percebido isso.
Lucila tentou confortá-lo. Mentiu ao dizer que o achava um cara muito interessante e que tinha certeza de que não faltariam boas opções para ele.
Ele agradeceu o carinho de Lucila e se desculpou pelo papelão. Disse que tiraria a tarde de folga para se recuperar e que no dia seguinte procuraria Lucila para detalharem o projeto. Lucila compreendeu e como sua mais nova amiga o fez prometer que não ligaria para a ex.
Alguns dias se passaram e Lucila e Rafa mantinham sua nova relação. Lucila dizia onde e quando queria vê-lo e ele prontamente atendia. Cadu também parecia bem melhor, mais disposto e falava ter conseguido se reerguer por causa da ajuda da nova amiga.
Lucila então teve uma idéia brilhante: iria apresentar Carla, sua amiga de trabalho ao Cadu. Como ela ainda não tinha pensado nisso? Carla vivia cada dia da sua vida pela esperança de arrumar um namorado. Estava tão desesperada que nem se importaria com a aparência de Cadu.
Cadu por sua vez era tão carente, que cairia como uma luva à obsessão louca de Carla. Estava resolvido! Eles seriam um casal perfeito!
Lucila resolveu fazer um queijos e vinhos em seu apartamento. Convidaria Ana e André que tinham acabado de chegar de viagem, Carla, Cadu e claro ela e Rafa. Ligou pra Rafa pedindo para que ele providenciasse os vinhos, enquanto ela cuidaria dos petiscos. Lucila não contou seu plano para Carla ou Cadu, queria que fosse uma surpresa. Os dois certamente se apaixonariam assim que se olhassem.
Os dois confirmaram a presença. Estava tudo certo. Lucila arrumou a casa, decorou com velas acesas e contou seu plano para Rafa e Ana, que seriam seus cúmplices na missão de unir mais um casal feliz.
Os primeiros a chegar foram Ana e André, que trouxeram lembrancinhas da viagem e tinham muita história pra contar. Lucila dava as coordenadas dos últimos detalhes e Rafa obedecia. Ana percebeu a mudança da amiga e principalmente a total obediência de Rafa.
O segundo a chegar foi Cadu. Seguindo os conselhos de Lucila, ele vestia uma calça jeans e uma camiseta branca lisa, sem nenhum estampa de Che Guevara ou algo parecido que ele costumava usar. Lucila o olhou e viu que tinha feito um bom trabalho. Ele estava até bonito. Tinha aparado o cabelo e feito a barba. Sorriu aberto quando Lucila abriu a porta e pareceu surpreso quando viu que haviam outras pessoas no apartamento.
Logo depois, o porteiro avisou que Carla estava subindo. Rafa que a recebeu. Quando abriu a porta não entendeu. Carla estava acompanhada de um rapaz. Rafa olhou para Lucila que sem perceber foi totalmente indiscreta:
- Carla? Você não disse que vinha acompanhada!
Carla ficou sem graça e mais ainda seu par. Ana vendo a situação constrangedora disfarçou:
- AHHAHAHA. Essa nossa amiga, né Carla! Tão ciumenta. Aposto que vai brigar com você por não ter contado sobre seu amigo. Ela é assim com todo mundo. Não liga não.
Lucila sorriu amarelo.
A noite transcorreu de uma forma curiosa. Ana e André abismados com o novo comportamento de Lucila, que falava alto, cortava os assunto dos outros, parecia se achar melhor do que os outros e dava comandos à Rafa que surpreendentemente cumpria sem reclamar.
Cadu estava completamente calado, louco para ir embora. Se achava mais uma vez um completo idiota. Como podia ter imaginado que Lucila tinha o chamado para um encontro a dois. Claro que não.
Carla dando atenção, como sempre excessiva, ao seu novo casinho, que parecia procurar o botão de eject.
No final da noite, só Lucila parecia feliz com seu queijos e vinhos, apesar de seus planos iniciais não terem dado certo.
Todos começaram a ir embora e Rafa também se despediu, já sabendo que não era do desejo de sua namorada que ele dormisse por ali. Ficaram Ana e Lucila arrumando as coisas. Ana não resistiu e falou:
- O que está acontecendo Lucila? Você está tão.. tão...tão...insuportável. Foi extremamente desagradável como todo mundo esta noite. E o Rafa? O que aconteceu pra você tratar ele assim?
Sem papas na língua, Lucila respondeu em seu tom mais arrogante:
- O que aconteceu? Ele me traiu. E se quiser ficar comigo, vai ter que agüentar.
- Ele te traiu e você se tornou uma vaca! Ah que ótimo! Uma bela maneira de se vingar dele é sendo insuportável com seus amigos. E eu duvido que você esteja feliz sendo assim. Pensa bem se é isso que você quer ser.
Ana e André foram embora e Lucila pela primeira vez desde o maldito jantar com Rafa, se deu conta do que estava acontecendo. Ana mais uma vez estava certa: ela não estava feliz.
Marcadores:
amor,
Barbara Ferreira,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
traição,
trinta anos
sexta-feira, 5 de junho de 2009
CAPÍTULO 41
Conforme havia combinado com Consuelo, logo na manhã seguinte, eles se encontraram com o advogado para discutir sobre as possibilidades de negociarem o depoimento de Consuelo em troca de seu visto permanente.
O advogado afirmava que se Consuelo pudesse identificar o provável assassino da Dra. Joana, isso seria um grande salto no caso e que era comum conseguirem esse tipo de negociação, visto que Consuelo vivia sozinha, sem família. Neste ponto da conversa, Consuelo interrompeu o advogado:
- O senhor me desculpe. Mas não vivo sozinha. Encontrei meu primo Ramirez que já tem o grenn card e vive com sua mulher aqui em Miami.
- Claro, claro. O que eu quero dizer, Dona Consuelo, é que a senhora só pede o visto para a senhora, não para sua família. Isso torna mais fácil, inclusive para senhora trazer seus filhos depois.
Consuelo se iluminou. Nunca havia pensado nessa possibilidade. Viver em Miami, a cidade dos sonhos, junto com seus filhos. Eles poderiam estudar, aprender inglês e se tornarem alguém na vida.
Juca sorriu, interpretando o olhar de Consuelo. Imaginava como deveria ser dura sua vida, longe de seus filhos, de suas raízes. Ele tinha sido bruscamente separado de sua família: Bruna. Sabia o quanto era triste, sofrido. Num ímpeto de solidariedade, Juca sugeriu:
- Vamos pedir a vinda dos filhos de Consuelo também. Ambos com o Green Card. Se não conseguirmos, baixamos a proposta para o visto apenas de Consuelo. Precisamos pedir alto primeiro. É base de qualquer negociação.
O advogado se assustou. Ainda argumentou que poderia ser uma jogada arriscada. Juca não deu bola. Repetiu que queria que a proposta para a Polícia de Miami incluísse a vinda dos filhos de Consuelo e afirmava que isso seria simples, se comprovassem o assassinato.
Consuelo sorria para Juca. Pensava em seus filhos. Pensava em como Dona Bruna tinha deixado aquele santo homem pra trás.
Na delegacia, o agente brasileiro organizava os depoimentos de Marcelo, que só falaria na presença de seu advogado, e de Bruna. Enquanto aguardava ser chamado, Marcelo ocuparia uma cela próxima a de Bruna.
Bruna lia quando ouviu uma grande movimentação no corredor. Andou até as grades e viu Marcelo sendo colocado em uma das celas. Seu ódio foi tanto que começou a gritar:
- Desgraçado! Filho da puta! Você ia me deixar aqui? Ia? Seu filho da mãe!
Ouvindo os gritos de Bruna, Marcelo parou antes de entrar no único ponto em que os dois podiam se ver. Ele se virou pra ela e disse com um ar totalmente debochado:
- Deus sabe o que faz! Eu não poderia ter um filho com uma mulher tão sem classe como você.
Dito isso, entrou em sua cela. Bruna não podia mais vê-lo, o que não a impediu de continuar o xingando. Se ela ainda tinha dúvidas sobre o caráter de Marcelo, ele tinha as tirado agora. Sabia que agora estava sozinha nessa.
Passado um tempo após seu acesso de raiva, Bruna não se sentia tão viva há tempos. Tinha sede de vingança. Queria acabar com Marcelo. Tudo na sua mente se tornou muito claro. Voltou ao passado e viu um filme de sua história com Marcelo.
Bruna vivia muito bem com Juca. Eram felizes. Ela havia deixado a JAHE, empresa de Juca, logo depois que se casaram e se dedicou a fazer o que realmente gostava. Fazia cursos, yoga, dança e ainda se preparava para começar um projeto social com patrocínio da empresa do marido.
Ela e Juca tinham uma vida social bem intensa. Muitos jantares ligados as relações de trabalho de Juca, viagens, congressos. No início Bruna adorava acompanhá-lo, mas com o passar do tempo o fazia apenas para agradar ao marido, que na sua opinião, merecia este sacrifício.
Algumas vezes se sentia entediada com sua vida e sempre que isso acontecia, pensava em voltar a trabalhar. Juca sempre desrecomendava e sugeria que ela começasse algum novo curso ou focasse no projeto social que ainda estava no papel. Assim, Bruna se matriculava em um novo curso e a mudança de rotina logo surtia efeito e ela se sentia melhor.
Numa vez em que acompanhava o marido em um congresso em Porto Alegre, Bruna teve mais contato com Marcelo Zacaro. Claro, eles já se conheciam desde de a época que Bruna trabalhava na JAEH, mas nunca tinham conversado. Bruna se surpreendeu com a simpatia de Marcelo, sua cultura e a educação que ele exibia. Era extremamente charmoso e isso era bem observado pelas esposas dos demais executivos.
Bruna achava ridículo ver todas aquelas mulheres se derretendo para ele. – Elas não tem vergonha na cara? – Marcelo se mostrava sem graça com essa situação e sempre que podia se refugiava em sua nova amiga: Bruna.
Com os constantes compromissos de Juca, nos quatro dias de congresso, Marcelo foi sua maior companhia. Sempre a procurava sugerindo irem conhecer algum lugar da cidade ou somente para jogarem conversa fora no lobby do hotel.
Juca parecia não se incomodar com a amizade dos dois, talvez por saber que Marcelo fosse namorado secreto de sua assistente Manú.
Manú sim, que ao saber da amizade dos dois ficou claramente incomodada. Bruna não sabia da relação dos dois, então atribuía isso à óbvia antipatia que Manú sempre teve com ela.
Depois de Porto Alegre, como por mágica, Marcelo e Bruna sempre se cruzavam sem querer. Era uma coincidência atrás da outra. Uma vez na saída da academia de Bruna, outra nas proximidades de seu curso de feng shui e até uma vez que Marcelo sem querer fechou o carro de Bruna, provocando a maior confusão na rua. Os dois riam sempre deste dia, relembrando como tinha sido divertida a tarde pós batida.
Bruna lembrava de tudo em detalhes. E agora desconfiava da veracidade de tantas coincidências. Tentava descobrir em que momento exato Juca deixou de ser tão importante dando lugar à Marcelo. Não sabia ao certo. Marcelo ia cada vez mais participando da sua vida e Juca cada vez menos, nem sempre por culpa dele, a própria Bruna já não dava tanta importância para a companhia de Juca.
Um dia quando já tinha certeza de seu casamento não era mais o mesmo, Bruna discutiu com Juca, como sempre por uma besteira. Saiu de casa à noite, sem destino. Quando parou em um bar, deu de cara com Marcelo que por mais uma incrível coincidência estava sentado no balcão. Os dois beberam a noite toda. Marcelo contava histórias divertidas e Bruna ria. Ela se sentia bem, livre. Em um momento da noite, Marcelo pegou na sua mão. Bruna sentiu um frio na barriga. Algo que não sentia há muitos anos. Ele a beijou. Naquele momento, Bruna como romântica irrecuperável que era, sabia que estava loucamente apaixonada por aquele homem.
Os dois começaram a ter um caso. Se encontravam as escondidas todos os dias. Primeiro em motéis na Barra, depois Bruna começou a ir ao apartamento de Marcelo. Foi numa destas idas que Bruna achou uma pasta com documentos que comprovavam o esquema da JAEH com o governo. Bruna questionou Marcelo sobre aquilo e ele, de uma forma que hoje Bruna não sabia como, conseguiu convencer Bruna de que ele tinha sido envolvido naquilo pelo seu pai. Waldemar Zacaro sempre fora ligado à política. Era um velho lobo, que por toda sua vida aparecia envolvido em alguns escândalos, mas logo depois sempre estava em um bom cargo novamente. Bruna acreditou que a influência do pai havia prejudicado o discernimento de Marcelo, que agora se dizia arrependido.
Bruna acreditou. E concordou em simular toda aquela história contra Juca para inocentar seu novo amor. Marcelo garantia que Juca não seria prejudicado e que ao acusá-lo, Bruna apenas arrumaria um motivo para o divórcio sem ter que revelar nada sobre Marcelo.
Lembrando de tudo, Bruna se sentiu uma completa idiota. Chorou. Chorou de raiva de si mesma, da sua burrice, da sua cegueira e do que deixou pra trás. Tinha vergonha do que tinha feito Juca passar. Pensava em Lucila e Ana. Como ela pode ter envolvido suas melhores amigas nisso? Olhou a data em seu relógio e concluiu que a essa altura Ana já estaria casada e em lua de mel. Como gostaria de ter ido ao casamento de Ana. Como gostaria de voltar no tempo.
O advogado afirmava que se Consuelo pudesse identificar o provável assassino da Dra. Joana, isso seria um grande salto no caso e que era comum conseguirem esse tipo de negociação, visto que Consuelo vivia sozinha, sem família. Neste ponto da conversa, Consuelo interrompeu o advogado:
- O senhor me desculpe. Mas não vivo sozinha. Encontrei meu primo Ramirez que já tem o grenn card e vive com sua mulher aqui em Miami.
- Claro, claro. O que eu quero dizer, Dona Consuelo, é que a senhora só pede o visto para a senhora, não para sua família. Isso torna mais fácil, inclusive para senhora trazer seus filhos depois.
Consuelo se iluminou. Nunca havia pensado nessa possibilidade. Viver em Miami, a cidade dos sonhos, junto com seus filhos. Eles poderiam estudar, aprender inglês e se tornarem alguém na vida.
Juca sorriu, interpretando o olhar de Consuelo. Imaginava como deveria ser dura sua vida, longe de seus filhos, de suas raízes. Ele tinha sido bruscamente separado de sua família: Bruna. Sabia o quanto era triste, sofrido. Num ímpeto de solidariedade, Juca sugeriu:
- Vamos pedir a vinda dos filhos de Consuelo também. Ambos com o Green Card. Se não conseguirmos, baixamos a proposta para o visto apenas de Consuelo. Precisamos pedir alto primeiro. É base de qualquer negociação.
O advogado se assustou. Ainda argumentou que poderia ser uma jogada arriscada. Juca não deu bola. Repetiu que queria que a proposta para a Polícia de Miami incluísse a vinda dos filhos de Consuelo e afirmava que isso seria simples, se comprovassem o assassinato.
Consuelo sorria para Juca. Pensava em seus filhos. Pensava em como Dona Bruna tinha deixado aquele santo homem pra trás.
Na delegacia, o agente brasileiro organizava os depoimentos de Marcelo, que só falaria na presença de seu advogado, e de Bruna. Enquanto aguardava ser chamado, Marcelo ocuparia uma cela próxima a de Bruna.
Bruna lia quando ouviu uma grande movimentação no corredor. Andou até as grades e viu Marcelo sendo colocado em uma das celas. Seu ódio foi tanto que começou a gritar:
- Desgraçado! Filho da puta! Você ia me deixar aqui? Ia? Seu filho da mãe!
Ouvindo os gritos de Bruna, Marcelo parou antes de entrar no único ponto em que os dois podiam se ver. Ele se virou pra ela e disse com um ar totalmente debochado:
- Deus sabe o que faz! Eu não poderia ter um filho com uma mulher tão sem classe como você.
Dito isso, entrou em sua cela. Bruna não podia mais vê-lo, o que não a impediu de continuar o xingando. Se ela ainda tinha dúvidas sobre o caráter de Marcelo, ele tinha as tirado agora. Sabia que agora estava sozinha nessa.
Passado um tempo após seu acesso de raiva, Bruna não se sentia tão viva há tempos. Tinha sede de vingança. Queria acabar com Marcelo. Tudo na sua mente se tornou muito claro. Voltou ao passado e viu um filme de sua história com Marcelo.
Bruna vivia muito bem com Juca. Eram felizes. Ela havia deixado a JAHE, empresa de Juca, logo depois que se casaram e se dedicou a fazer o que realmente gostava. Fazia cursos, yoga, dança e ainda se preparava para começar um projeto social com patrocínio da empresa do marido.
Ela e Juca tinham uma vida social bem intensa. Muitos jantares ligados as relações de trabalho de Juca, viagens, congressos. No início Bruna adorava acompanhá-lo, mas com o passar do tempo o fazia apenas para agradar ao marido, que na sua opinião, merecia este sacrifício.
Algumas vezes se sentia entediada com sua vida e sempre que isso acontecia, pensava em voltar a trabalhar. Juca sempre desrecomendava e sugeria que ela começasse algum novo curso ou focasse no projeto social que ainda estava no papel. Assim, Bruna se matriculava em um novo curso e a mudança de rotina logo surtia efeito e ela se sentia melhor.
Numa vez em que acompanhava o marido em um congresso em Porto Alegre, Bruna teve mais contato com Marcelo Zacaro. Claro, eles já se conheciam desde de a época que Bruna trabalhava na JAEH, mas nunca tinham conversado. Bruna se surpreendeu com a simpatia de Marcelo, sua cultura e a educação que ele exibia. Era extremamente charmoso e isso era bem observado pelas esposas dos demais executivos.
Bruna achava ridículo ver todas aquelas mulheres se derretendo para ele. – Elas não tem vergonha na cara? – Marcelo se mostrava sem graça com essa situação e sempre que podia se refugiava em sua nova amiga: Bruna.
Com os constantes compromissos de Juca, nos quatro dias de congresso, Marcelo foi sua maior companhia. Sempre a procurava sugerindo irem conhecer algum lugar da cidade ou somente para jogarem conversa fora no lobby do hotel.
Juca parecia não se incomodar com a amizade dos dois, talvez por saber que Marcelo fosse namorado secreto de sua assistente Manú.
Manú sim, que ao saber da amizade dos dois ficou claramente incomodada. Bruna não sabia da relação dos dois, então atribuía isso à óbvia antipatia que Manú sempre teve com ela.
Depois de Porto Alegre, como por mágica, Marcelo e Bruna sempre se cruzavam sem querer. Era uma coincidência atrás da outra. Uma vez na saída da academia de Bruna, outra nas proximidades de seu curso de feng shui e até uma vez que Marcelo sem querer fechou o carro de Bruna, provocando a maior confusão na rua. Os dois riam sempre deste dia, relembrando como tinha sido divertida a tarde pós batida.
Bruna lembrava de tudo em detalhes. E agora desconfiava da veracidade de tantas coincidências. Tentava descobrir em que momento exato Juca deixou de ser tão importante dando lugar à Marcelo. Não sabia ao certo. Marcelo ia cada vez mais participando da sua vida e Juca cada vez menos, nem sempre por culpa dele, a própria Bruna já não dava tanta importância para a companhia de Juca.
Um dia quando já tinha certeza de seu casamento não era mais o mesmo, Bruna discutiu com Juca, como sempre por uma besteira. Saiu de casa à noite, sem destino. Quando parou em um bar, deu de cara com Marcelo que por mais uma incrível coincidência estava sentado no balcão. Os dois beberam a noite toda. Marcelo contava histórias divertidas e Bruna ria. Ela se sentia bem, livre. Em um momento da noite, Marcelo pegou na sua mão. Bruna sentiu um frio na barriga. Algo que não sentia há muitos anos. Ele a beijou. Naquele momento, Bruna como romântica irrecuperável que era, sabia que estava loucamente apaixonada por aquele homem.
Os dois começaram a ter um caso. Se encontravam as escondidas todos os dias. Primeiro em motéis na Barra, depois Bruna começou a ir ao apartamento de Marcelo. Foi numa destas idas que Bruna achou uma pasta com documentos que comprovavam o esquema da JAEH com o governo. Bruna questionou Marcelo sobre aquilo e ele, de uma forma que hoje Bruna não sabia como, conseguiu convencer Bruna de que ele tinha sido envolvido naquilo pelo seu pai. Waldemar Zacaro sempre fora ligado à política. Era um velho lobo, que por toda sua vida aparecia envolvido em alguns escândalos, mas logo depois sempre estava em um bom cargo novamente. Bruna acreditou que a influência do pai havia prejudicado o discernimento de Marcelo, que agora se dizia arrependido.
Bruna acreditou. E concordou em simular toda aquela história contra Juca para inocentar seu novo amor. Marcelo garantia que Juca não seria prejudicado e que ao acusá-lo, Bruna apenas arrumaria um motivo para o divórcio sem ter que revelar nada sobre Marcelo.
Lembrando de tudo, Bruna se sentiu uma completa idiota. Chorou. Chorou de raiva de si mesma, da sua burrice, da sua cegueira e do que deixou pra trás. Tinha vergonha do que tinha feito Juca passar. Pensava em Lucila e Ana. Como ela pode ter envolvido suas melhores amigas nisso? Olhou a data em seu relógio e concluiu que a essa altura Ana já estaria casada e em lua de mel. Como gostaria de ter ido ao casamento de Ana. Como gostaria de voltar no tempo.
Marcadores:
amor,
Barbara Ferreira,
lucila,
lucila 33,
novela no blog,
novela on line,
novelaonline,
traição
quinta-feira, 28 de maio de 2009
CAPÍTULO 38
Depois de uma exaustiva viagem ouvindo Carlos Eduardo tagarelar pela estrada, eles finalmente chegaram em Araras. Antes passaram na pousada para deixar as malas e depois seguiram para a obra.
A casa era realmente magnífica. Lucila tinha que reconhecer que o que aquele engenheiro tinha de chato, tinha também de talentoso. Era impossível não se empolgar em trabalhar num projeto como aquele.
Carlos Eduardo ou Cadu – como pediu pra ser chamado - mostrou todo o imóvel e fez suas considerações a respeito de cada ambiente. Lucila se surpreendeu com sua competência, ele realmente sabia o que estava falando e tinha idéias incríveis. Valeria a pena agüentar aquele hippie chato, se fosse pra fazer um bom trabalho.
Os dois discutiram idéias, fizeram anotações, tiraram fotos. A hora passou e nenhum dos dois percebeu. Então, foram almoçar em um restaurante bem charmoso próximo a casa.
Se não fosse pelo senso de humor duvidoso, Cadu seria uma boa companhia. Mas sua mania insuportável de fazer piada com absolutamente tudo, irritava Lucila. Eram trocadilhos sem graça, piadas batidas. Só ele mesmo achava graça. No início, Lucila pra ser simpática, ainda sorria. Com o passar do tempo, preferia fingir não ter ouvido. Mas isso não inibia Cadu, que inventava logo uma nova piada.
Enquanto almoçavam, o celular de Lucila tocou. Era Rafa. Ela não atendeu. Não queria falar com ele naquele momento. Logo depois foi o telefone de Cadu que tocou. Ele atendeu:
- Oie minha bijujujuca!!!!!!!!!
"Bijujujuca”???? - Lucila prendeu o riso e fingiu não prestar atenção na conversa em tom infantil que seu colega tinha ao telefone. Lucila pensava quem poderia ser essa “bijujujuca” que agüentava essa voz irritante e ainda encarava esse modelito descombinado de Cadú? Ele desligou e falou:
- Desculpa, não podia deixar de atender.
Lucila falou que tudo bem e voltou ao assunto do projeto. Como se a ignorasse, Cadu, voltou no assunto anterior. Ele queria falar sobre sua bijujujuca. Era importante pra ele. Interrompendo Lucila, disse:
- Desculpa te interromper, mas custo a voltar ao meu normal quando falo com essa mulher. A mulher da minha vida. Você entende?
Lucila arregalou os olhos e balançou a cabeça concordando, apesar de que não tinha a menor idéia do que Cadú estivesse falando. Ele continuou:
- Eu falo com ela e perco o foco. Me desculpe. Ahh... quem manda ter uma namorada tão especial, não é? Você tem namorado?
Lucila sem graça, não esperava ter que dividir detalhes da sua vida particular com aquele chato. Respondeu secamente:
- Tenho. Mas voltando ao projeto, Cadu. Eu pensei em esquadrias de alumínio. O que você acha?
Cadu demorou um tempo para voltar ao normal. Como ele mesmo havia dito, falar com sua namorada parecia mesmo o tirar do sério.
O almoço acabou e os dois pediram a conta. Voltariam para a casa para fechar mais alguns detalhes. Tinham pouco tempo pra decidir tudo.
Enquanto isso, Rafa estacionava seu carro em frente a um prédio na Barra da Tijuca. Não precisou se anunciar, o porteiro parecia o conhecer. Ele subiu e abriu a porta com sua própria chave. Não havia ninguém em casa, então apenas colocou o anel sobre a mesa. Pensou em aproveitar para deixar também as chaves, mas desistiu.
No caminho de volta para o escritório, tentou mais uma vez ligar para Lucila, que de novo não atendeu. Deixou um recado simpático, apesar de já estar de saco cheio daquela situação. Sabia que tinha que agüentar. Por sorte Lucila nem se lembraria do anel. Estava bêbada, talvez as lembranças estivessem confusas. Rafa torcia para isso. Não saberia explicar como o anel de Silvia estava na sua casa.
Silvia era mais velha que Rafa. A relação dos dois sempre foi tranqüila, nenhum dos dois esperava mais do que o outro poderia dar. Porém, um pouco depois de Rafa reencontrar Lucila, Silvia contou que havia se separado. A partir daí a relação dos dois mudou. Silvia não queria apenas exclusividade, queria começar uma nova vida com Rafa. Ela o culpava pelo fim do seu casamento, se dizia apaixonada e que não podia mais manter a relação com seu marido. Rafa pulou fora. Não era mais do jeito que ele queria. Ainda mais quando começou a namorar Lucila, queria fazer tudo direito. Lucila merecia isso.
Porém, Silvia parecia uma pedra no sapato de Rafa. Quase arruinou tudo quando o fez perder a hora justo no dia do casamento de Ana. Rafa acreditava que não tinha culpa, foi vítima da situação.
Ele já havia rompido com Silvia. Pelo menos na cabeça dele, o fato de não atender mais as ligações de Silvia, deixava claro que ele não queria mais nada com ela. No dia do casamento de Ana e André, era quase hora do almoço e Rafa desceu pra comprar alguma coisa pra comer. Quando voltou encontrou Silvia no corredor do prédio. Ela chorava, gritava. Estava totalmente descontrolada. Rafa, desesperado a colocou para dentro. Foi buscar um pouco d’água e quando voltou Silvia estava só de calcinha deitada no seu sofá.
Como Silvia estava com objetivo claro de ter Rafa de volta, a "brincadeira" foi até tarde. Rafa só se deu conta da hora quando Lucila telefonou várias vezes. Nas primeiras vezes, ele não pôde atender, mas depois percebeu a fria que havia se metido. Correu para se arrumar, pedindo que Silvia fosse embora. Ela se negava. Depois de muito tempo e de uma certa agressividade, Rafa conseguiu sair vestindo seu fraque e levando Silvia pra fora do apartamento.
No caminho para a igreja Rafa até se arrependeu. Mas sabia que não podia se cobrar tanto. Pois ele não teve culpa. Foi obrigado a ceder aos seus desejos animais de macho reprodutor, nada além disso.
Já de volta ao escritório, Rafa tentou mais uma vez falar com Lucila. Desta vez, ela atendeu:
- Oi Rafa.
- Oie meu amor. Estou louco de saudades. Quando você volta?
- Acho que até amanhã conseguiremos terminar tudo.
- Conseguiremos?
- Sim. Estou eu e o Cadú.
- Cadú?
-É! O engenheiro do cliente. Gente boa ele.
- Ah.. gente boa? Que bom, que bom.
- Bom, estamos indo tomar um banho pra jantar. Amanhã te ligo.
- Tá bem, meu amor. Te adoro, viu?
Lucila desligou. Ainda não conseguia fazer declarações de amor. Entrou no chuveiro e resolveu arrumar mentalmente tudo que precisava pensar. Lembrava do anel. Lembrava do atraso de Rafa e a sua justificativa de ter trabalhado no sábado. Então decidiu que desta vez iria pôr tudo em pratos limpos. Precisava saber se Rafa estava ou não falando a verdade.
Logo que saiu do banho, pegou o celular e ligou para o escritório de Rafa. Falseando a voz pediu para falar com Gabriel, o sócio de Rafa que ela odiava especialmente por ele só a chamar de Lucilda. Gabriel atendeu:
- Eu!
- Oi Gabriel, é Lucila. Tudo bem?
- Lucilda!!!!!!!!!! Olá gatona! Tudo bem? Quer falar com o varão do seu namorado?
- Não! Não precisa. Na verdade quero uma ajuda. Eu emprestei meu carro pro Rafa ir pro escritório no sábado. Ele tá todo arranhado. Não queria preocupar Rafa com isso, então pensei em ligar pro estacionamento e resolver. Eles devem ter registro dos carros, não é?
- Sábado? Ahh... bom, Lucilda eu não tenho não. Mas vou te passar pra minha “secretina” e ela te arruma isso aí, tá bem?
Lucila esperou até que a secretária arrumasse o telefone. Ficou olhando pro papel. Sabia que se Rafa tivesse mentido, ela teria que tomar uma atitude. Ligou pro estacionamento e deu os dados do carro de Rafa. Não havia registro do carro no sábado. Lucila se apegou na idéia de que Rafa poderia ter ido sem o carro. Sabia que isso era praticamente impossível, mas precisava ter essa esperança. Perguntaria pra ele assim que voltasse.
A casa era realmente magnífica. Lucila tinha que reconhecer que o que aquele engenheiro tinha de chato, tinha também de talentoso. Era impossível não se empolgar em trabalhar num projeto como aquele.
Carlos Eduardo ou Cadu – como pediu pra ser chamado - mostrou todo o imóvel e fez suas considerações a respeito de cada ambiente. Lucila se surpreendeu com sua competência, ele realmente sabia o que estava falando e tinha idéias incríveis. Valeria a pena agüentar aquele hippie chato, se fosse pra fazer um bom trabalho.
Os dois discutiram idéias, fizeram anotações, tiraram fotos. A hora passou e nenhum dos dois percebeu. Então, foram almoçar em um restaurante bem charmoso próximo a casa.
Se não fosse pelo senso de humor duvidoso, Cadu seria uma boa companhia. Mas sua mania insuportável de fazer piada com absolutamente tudo, irritava Lucila. Eram trocadilhos sem graça, piadas batidas. Só ele mesmo achava graça. No início, Lucila pra ser simpática, ainda sorria. Com o passar do tempo, preferia fingir não ter ouvido. Mas isso não inibia Cadu, que inventava logo uma nova piada.
Enquanto almoçavam, o celular de Lucila tocou. Era Rafa. Ela não atendeu. Não queria falar com ele naquele momento. Logo depois foi o telefone de Cadu que tocou. Ele atendeu:
- Oie minha bijujujuca!!!!!!!!!
"Bijujujuca”???? - Lucila prendeu o riso e fingiu não prestar atenção na conversa em tom infantil que seu colega tinha ao telefone. Lucila pensava quem poderia ser essa “bijujujuca” que agüentava essa voz irritante e ainda encarava esse modelito descombinado de Cadú? Ele desligou e falou:
- Desculpa, não podia deixar de atender.
Lucila falou que tudo bem e voltou ao assunto do projeto. Como se a ignorasse, Cadu, voltou no assunto anterior. Ele queria falar sobre sua bijujujuca. Era importante pra ele. Interrompendo Lucila, disse:
- Desculpa te interromper, mas custo a voltar ao meu normal quando falo com essa mulher. A mulher da minha vida. Você entende?
Lucila arregalou os olhos e balançou a cabeça concordando, apesar de que não tinha a menor idéia do que Cadú estivesse falando. Ele continuou:
- Eu falo com ela e perco o foco. Me desculpe. Ahh... quem manda ter uma namorada tão especial, não é? Você tem namorado?
Lucila sem graça, não esperava ter que dividir detalhes da sua vida particular com aquele chato. Respondeu secamente:
- Tenho. Mas voltando ao projeto, Cadu. Eu pensei em esquadrias de alumínio. O que você acha?
Cadu demorou um tempo para voltar ao normal. Como ele mesmo havia dito, falar com sua namorada parecia mesmo o tirar do sério.
O almoço acabou e os dois pediram a conta. Voltariam para a casa para fechar mais alguns detalhes. Tinham pouco tempo pra decidir tudo.
Enquanto isso, Rafa estacionava seu carro em frente a um prédio na Barra da Tijuca. Não precisou se anunciar, o porteiro parecia o conhecer. Ele subiu e abriu a porta com sua própria chave. Não havia ninguém em casa, então apenas colocou o anel sobre a mesa. Pensou em aproveitar para deixar também as chaves, mas desistiu.
No caminho de volta para o escritório, tentou mais uma vez ligar para Lucila, que de novo não atendeu. Deixou um recado simpático, apesar de já estar de saco cheio daquela situação. Sabia que tinha que agüentar. Por sorte Lucila nem se lembraria do anel. Estava bêbada, talvez as lembranças estivessem confusas. Rafa torcia para isso. Não saberia explicar como o anel de Silvia estava na sua casa.
Silvia era mais velha que Rafa. A relação dos dois sempre foi tranqüila, nenhum dos dois esperava mais do que o outro poderia dar. Porém, um pouco depois de Rafa reencontrar Lucila, Silvia contou que havia se separado. A partir daí a relação dos dois mudou. Silvia não queria apenas exclusividade, queria começar uma nova vida com Rafa. Ela o culpava pelo fim do seu casamento, se dizia apaixonada e que não podia mais manter a relação com seu marido. Rafa pulou fora. Não era mais do jeito que ele queria. Ainda mais quando começou a namorar Lucila, queria fazer tudo direito. Lucila merecia isso.
Porém, Silvia parecia uma pedra no sapato de Rafa. Quase arruinou tudo quando o fez perder a hora justo no dia do casamento de Ana. Rafa acreditava que não tinha culpa, foi vítima da situação.
Ele já havia rompido com Silvia. Pelo menos na cabeça dele, o fato de não atender mais as ligações de Silvia, deixava claro que ele não queria mais nada com ela. No dia do casamento de Ana e André, era quase hora do almoço e Rafa desceu pra comprar alguma coisa pra comer. Quando voltou encontrou Silvia no corredor do prédio. Ela chorava, gritava. Estava totalmente descontrolada. Rafa, desesperado a colocou para dentro. Foi buscar um pouco d’água e quando voltou Silvia estava só de calcinha deitada no seu sofá.
Como Silvia estava com objetivo claro de ter Rafa de volta, a "brincadeira" foi até tarde. Rafa só se deu conta da hora quando Lucila telefonou várias vezes. Nas primeiras vezes, ele não pôde atender, mas depois percebeu a fria que havia se metido. Correu para se arrumar, pedindo que Silvia fosse embora. Ela se negava. Depois de muito tempo e de uma certa agressividade, Rafa conseguiu sair vestindo seu fraque e levando Silvia pra fora do apartamento.
No caminho para a igreja Rafa até se arrependeu. Mas sabia que não podia se cobrar tanto. Pois ele não teve culpa. Foi obrigado a ceder aos seus desejos animais de macho reprodutor, nada além disso.
Já de volta ao escritório, Rafa tentou mais uma vez falar com Lucila. Desta vez, ela atendeu:
- Oi Rafa.
- Oie meu amor. Estou louco de saudades. Quando você volta?
- Acho que até amanhã conseguiremos terminar tudo.
- Conseguiremos?
- Sim. Estou eu e o Cadú.
- Cadú?
-É! O engenheiro do cliente. Gente boa ele.
- Ah.. gente boa? Que bom, que bom.
- Bom, estamos indo tomar um banho pra jantar. Amanhã te ligo.
- Tá bem, meu amor. Te adoro, viu?
Lucila desligou. Ainda não conseguia fazer declarações de amor. Entrou no chuveiro e resolveu arrumar mentalmente tudo que precisava pensar. Lembrava do anel. Lembrava do atraso de Rafa e a sua justificativa de ter trabalhado no sábado. Então decidiu que desta vez iria pôr tudo em pratos limpos. Precisava saber se Rafa estava ou não falando a verdade.
Logo que saiu do banho, pegou o celular e ligou para o escritório de Rafa. Falseando a voz pediu para falar com Gabriel, o sócio de Rafa que ela odiava especialmente por ele só a chamar de Lucilda. Gabriel atendeu:
- Eu!
- Oi Gabriel, é Lucila. Tudo bem?
- Lucilda!!!!!!!!!! Olá gatona! Tudo bem? Quer falar com o varão do seu namorado?
- Não! Não precisa. Na verdade quero uma ajuda. Eu emprestei meu carro pro Rafa ir pro escritório no sábado. Ele tá todo arranhado. Não queria preocupar Rafa com isso, então pensei em ligar pro estacionamento e resolver. Eles devem ter registro dos carros, não é?
- Sábado? Ahh... bom, Lucilda eu não tenho não. Mas vou te passar pra minha “secretina” e ela te arruma isso aí, tá bem?
Lucila esperou até que a secretária arrumasse o telefone. Ficou olhando pro papel. Sabia que se Rafa tivesse mentido, ela teria que tomar uma atitude. Ligou pro estacionamento e deu os dados do carro de Rafa. Não havia registro do carro no sábado. Lucila se apegou na idéia de que Rafa poderia ter ido sem o carro. Sabia que isso era praticamente impossível, mas precisava ter essa esperança. Perguntaria pra ele assim que voltasse.
Marcadores:
amor,
Barbara Ferreira,
blog feminino,
blognovela,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
namoro,
novela no blog,
novela on line,
traição,
trinta anos
sexta-feira, 15 de maio de 2009
CAPÍTULO 34
Consuelo voltou dias depois para visitar Bruna, mas ela já não estava mais no hospital. Segundo o rapaz que alternava o turno com seu primo Ramirez, ela tinha tido alta e tinha sido levada por um carro da polícia. Consuelo assustada perguntou:
- Imigração?
O rapaz respondeu que não. Era um carro da polícia especial de Miami. Nem ele sabia dizer o nome da unidade.
Diante disso Consuelo não sabia o que fazer. Sendo ilegal no país não poderia procurar a patroa nas delegacias de Miami, muito menos nessa tal de polícia especial. Então, fez o que sempre fazia quando precisava de ajuda: rezou.
Bruna não parecia preocupada com seu destino. Ao contrário, sua apatia dava um ar de desdém a tudo que acontecia a sua volta. Chegou na delegacia acompanhada por dois indivíduos bem vestidos, de terno. Não pareceriam policiais se não fosse pelos distintivos pendurados no pescoço e as armas encaixadas numa espécie de coldre sobre o peito. Apesar do silêncio absoluto no carro, eles foram gentis todo o tempo. Assim que chegaram, um deles abriu a porta e ofereceu ajuda para que Bruna saísse do carro. A apoiou até a entrada e por todo percurso nos corredores do prédio. Parecia uma cena de um filme policial americano. Todos aqueles homens com seus copos de café, falando alto, às vezes rindo. Poucos sentados em suas mesas, a maioria de pé discutindo alguma coisa. Bruna chamou atenção do grupo quando entrou. Apesar do seu abatimento, era uma mulher bonita, que se destacava especialmente em um ambiente tão masculino quanto aquele.
O policial abriu a porta de uma sala onde havia uma mesa e duas cadeiras. Era ladeada por uma grande janela de espelho e apenas um bebedor. Bruna se sentou ali e recusou a água ou o café oferecidos. Havia passado alguns dias no hospital e já não ligava em não comer. Comia obrigada pelas enfermeiras, que diante da sua recusa intensificaram o mix de vitaminas. Não sentia nada na verdade. Nenhuma vontade, fome ou sono. Queria somente saber de Marcelo. Mas até isso ela já não queria tanto. Tinha medo de saber a verdade e talvez a ausência de pensamentos que se forçava a ter, a confortassem mais.
Bruna ficou um bom tempo sozinha na sala. Aguardando conforme o pedido do policial. Não sabia direito o que aconteceria com ela. Não se importava. De repente a porta da sala abriu. Era uma pequena fresta por onde entrou o outro policial. Ele era um homem mais velho, com um ar mais impaciente. Ele colocou a cabeça através da fresta da porta e disse em um inglês quase incompreensível:
- A senhora tem visita.
Bruna arregalou os olhos e pela primeira vez olhou para o policial. Ficou quieta observando ansiosamente o movimento da porta. Sabia que só poderia ser Marcelo. Finalmente ele viria levá-la pra casa, tirá-la daquele pesadelo.
A porta então abriu e alguém entrou. Bruna chegou a sorrir, era como se tivesse ensaiado mentalmente um sorriso para quando Marcelo viesse. Então o homem falou:
- Não achei que ficaria feliz em me ver.
Bruna caiu em si. Apesar da familiaridade daquela voz, agora bem mais áspera, não era quem ela esperava, então com um tom quase irônico respondeu:
- Juca? Talvez seja saudade. Quem sabe.
Bruna se virou de lado, olhando para a parede e deixando claro que não queria conversa com Juca. Mesmo assim, ele fechou a porta e se sentou a sua frente. Seu rosto queimava e ele sentia que suas mãos estavam trêmulas. Tinha sonhado muito com aquele momento em que poderia dizer tudo o que pensava para Bruna. Xingar, gritar e mostrar como ela o tinha feito sofrer. Apesar disso, Juca olhou para Bruna com pena. Ver seu olhar perdido no nada, a mão ainda sobre a barriga, as olheiras e o cabelo preso sem cuidado. Era nítido o quanto aquela mulher estava sofrendo. A dor de Bruna doeu em Juca. Ele não esperava sentir isso. Ao contrário pensava que sentiria um gosto de vingança em ver que ela também tinha tido o que merecia.
Bruna continuava olhando para o nada. Juca engoliu algo que poderia ser até um choro. Virou se para ela:
- Eu sinto muito. De verdade. Sinceramente não imaginava que sentiria tanto.
Bruna segurou a cabeça com as mãos. As lágrimas começaram a cair. Não queria chorar. Não queria sentir nada, mas agora sentia. Olhou para Juca e falou:
- Dói muito. Era meu filho. Meu filho! E agora? Agora acabou. O que eu vou fazer?
Juca quis abraçá-la, mas se conteve. Apenas segurou o choro. Bruna continuou:
- Minha vida mudou nos últimos meses mais do que qualquer coisa. Não sei se fiz as escolhas certas. Talvez não. Mas meu filho era uma escolha certa. Disso eu tenho certeza. E o que aconteceu com ele....
Bruna não conseguiu mais falar. Nesse momento entrou o policial mais jovem perguntando a Juca se estava tudo bem. Juca respondeu que sim e pediu lenços de papel.
Juca tinha sido avisado pela Polícia Federal que Marcelo havia sido encontrado em Miami e que Bruna estava em poder da polícia local e provavelmente seria deportada par ser julgada no Brasil. Marcelo tinha conseguido fugir, mas com avisos em todas as fronteiras, acreditavam que ele não iria muito longe. Juca não pensou duas vezes, aceitou acompanhar o agente da PF até Miami para ver de perto todo o processo. Ou melhor, para dizer poucas e boas para Bruna e Marcelo.
Mas não foi isso que aconteceu quando viu a fragilidade daquela que foi por tantos anos a mulher da sua vida. Juca havia desmontado. Sentia raiva por ter amolecido, mas não seria justo despejar em Bruna toda sua raiva num momento tão triste como este.
Os dois ainda ficaram alguns minutos sozinhos na sala, até que o agente brasileiro da PF entrou para explicar a situação em Bruna se encontrava:
- Boa tarde, Dona Bruna Andrade. Antes de mais nada gostaria de dar meus sentimentos pelo acontecido. Apesar deste momento dramático, não posso deixar de fazer meu trabalho.
Bruna suspirou, olhou para o agente e perguntou:
- O que o senhor quer de mim? É só falar. Eu respondo tudo o que o senhor quiser.
O agente olhou para Juca e continuou:
- Primeiro vamos cuidar da sua extradição. Estamos pedindo sua extradição para ser julgada no Brasil. A senhora tem direito a um advogado brasileiro para cuidar do seu caso.
Juca o interrrompeu:
- Eu cuido disso.
O agente não entendeu, mas prosseguiu:
- Dependendo da orientação do seu advogado ele pode dificultar o processo de extradição.
Bruna olhou pra Juca e disse:
- Eu quero voltar pro Brasil. Não interessa o que aconteça comigo. Eu quero voltar.
O agente sabia que talvez esta não fosse a melhor opção para Bruna, mas era de seu interesse e da sua corporação levar Bruna para o Brasil. Ainda ficou um tempo explicando alguns trâmites até que perguntou:
- Agora a senhora sabe da sua situação. Quando for julgada, existe condições que podem aliviar sua pena. Por exemplo, se nos ajudar a encontrar o Sr. Marcelo Zacaro. A senhora sabe onde ele está?
- Não.
- Se a senhora nos ajudar, isso também ajudará no seu processo. A senhora me entendeu?
- Entendi. Mas eu não sei onde ele está. E nem porque não veio saber como eu estava quando perdi nosso filho!
O agente percebeu que havia raiva naquele comentário e se aproveitou:
- A senhora me desculpe a franqueza, mas deve ser pelo mesmo motivo que ele colocou vários imóveis e bens em seu nome. Agora a senhora terá que nos explicar como conseguiu adquiri-los e não ele.
Bruna não acreditou no que ouvia. Tinha realmente assinado alguns papéis, mas nunca pensou que precisaria desconfiar de alguma coisa. O agente tentou mais uma vez:
- A senhora pensa com calma. Não existe nenhum lugar onde o Sr. Marcelo possa estar?
Bruna pensou por um tempo e teve um “estalo”:
- O barco! Vocês procuraram o barco?
- Não encontramos nenhum barco registrado em nome dele ou em seu nome.
- Não está registrado. Me lembro que Marcelo comentou que não iria registrar o iate. Ele colocou em nome de um amigo mexicano que trabalhava com ele no projeto da operadora de turismo.
O agente anotou o nome e todos os dados que Bruna sabia sobre o mexicano e saiu da sala agitado. Bruna e Juca se olharam. Por alguns instantes Bruna sentiu um arrependimento imenso. Mas depois pensou que não tinha feito tudo isso à toa, mesmo agora sendo tão difícil sentir o tamanho do amor que ela tinha por Marcelo.
Juca desviou o olhar, mesmo sem querer parar de olhar para Bruna.
- Imigração?
O rapaz respondeu que não. Era um carro da polícia especial de Miami. Nem ele sabia dizer o nome da unidade.
Diante disso Consuelo não sabia o que fazer. Sendo ilegal no país não poderia procurar a patroa nas delegacias de Miami, muito menos nessa tal de polícia especial. Então, fez o que sempre fazia quando precisava de ajuda: rezou.
Bruna não parecia preocupada com seu destino. Ao contrário, sua apatia dava um ar de desdém a tudo que acontecia a sua volta. Chegou na delegacia acompanhada por dois indivíduos bem vestidos, de terno. Não pareceriam policiais se não fosse pelos distintivos pendurados no pescoço e as armas encaixadas numa espécie de coldre sobre o peito. Apesar do silêncio absoluto no carro, eles foram gentis todo o tempo. Assim que chegaram, um deles abriu a porta e ofereceu ajuda para que Bruna saísse do carro. A apoiou até a entrada e por todo percurso nos corredores do prédio. Parecia uma cena de um filme policial americano. Todos aqueles homens com seus copos de café, falando alto, às vezes rindo. Poucos sentados em suas mesas, a maioria de pé discutindo alguma coisa. Bruna chamou atenção do grupo quando entrou. Apesar do seu abatimento, era uma mulher bonita, que se destacava especialmente em um ambiente tão masculino quanto aquele.
O policial abriu a porta de uma sala onde havia uma mesa e duas cadeiras. Era ladeada por uma grande janela de espelho e apenas um bebedor. Bruna se sentou ali e recusou a água ou o café oferecidos. Havia passado alguns dias no hospital e já não ligava em não comer. Comia obrigada pelas enfermeiras, que diante da sua recusa intensificaram o mix de vitaminas. Não sentia nada na verdade. Nenhuma vontade, fome ou sono. Queria somente saber de Marcelo. Mas até isso ela já não queria tanto. Tinha medo de saber a verdade e talvez a ausência de pensamentos que se forçava a ter, a confortassem mais.
Bruna ficou um bom tempo sozinha na sala. Aguardando conforme o pedido do policial. Não sabia direito o que aconteceria com ela. Não se importava. De repente a porta da sala abriu. Era uma pequena fresta por onde entrou o outro policial. Ele era um homem mais velho, com um ar mais impaciente. Ele colocou a cabeça através da fresta da porta e disse em um inglês quase incompreensível:
- A senhora tem visita.
Bruna arregalou os olhos e pela primeira vez olhou para o policial. Ficou quieta observando ansiosamente o movimento da porta. Sabia que só poderia ser Marcelo. Finalmente ele viria levá-la pra casa, tirá-la daquele pesadelo.
A porta então abriu e alguém entrou. Bruna chegou a sorrir, era como se tivesse ensaiado mentalmente um sorriso para quando Marcelo viesse. Então o homem falou:
- Não achei que ficaria feliz em me ver.
Bruna caiu em si. Apesar da familiaridade daquela voz, agora bem mais áspera, não era quem ela esperava, então com um tom quase irônico respondeu:
- Juca? Talvez seja saudade. Quem sabe.
Bruna se virou de lado, olhando para a parede e deixando claro que não queria conversa com Juca. Mesmo assim, ele fechou a porta e se sentou a sua frente. Seu rosto queimava e ele sentia que suas mãos estavam trêmulas. Tinha sonhado muito com aquele momento em que poderia dizer tudo o que pensava para Bruna. Xingar, gritar e mostrar como ela o tinha feito sofrer. Apesar disso, Juca olhou para Bruna com pena. Ver seu olhar perdido no nada, a mão ainda sobre a barriga, as olheiras e o cabelo preso sem cuidado. Era nítido o quanto aquela mulher estava sofrendo. A dor de Bruna doeu em Juca. Ele não esperava sentir isso. Ao contrário pensava que sentiria um gosto de vingança em ver que ela também tinha tido o que merecia.
Bruna continuava olhando para o nada. Juca engoliu algo que poderia ser até um choro. Virou se para ela:
- Eu sinto muito. De verdade. Sinceramente não imaginava que sentiria tanto.
Bruna segurou a cabeça com as mãos. As lágrimas começaram a cair. Não queria chorar. Não queria sentir nada, mas agora sentia. Olhou para Juca e falou:
- Dói muito. Era meu filho. Meu filho! E agora? Agora acabou. O que eu vou fazer?
Juca quis abraçá-la, mas se conteve. Apenas segurou o choro. Bruna continuou:
- Minha vida mudou nos últimos meses mais do que qualquer coisa. Não sei se fiz as escolhas certas. Talvez não. Mas meu filho era uma escolha certa. Disso eu tenho certeza. E o que aconteceu com ele....
Bruna não conseguiu mais falar. Nesse momento entrou o policial mais jovem perguntando a Juca se estava tudo bem. Juca respondeu que sim e pediu lenços de papel.
Juca tinha sido avisado pela Polícia Federal que Marcelo havia sido encontrado em Miami e que Bruna estava em poder da polícia local e provavelmente seria deportada par ser julgada no Brasil. Marcelo tinha conseguido fugir, mas com avisos em todas as fronteiras, acreditavam que ele não iria muito longe. Juca não pensou duas vezes, aceitou acompanhar o agente da PF até Miami para ver de perto todo o processo. Ou melhor, para dizer poucas e boas para Bruna e Marcelo.
Mas não foi isso que aconteceu quando viu a fragilidade daquela que foi por tantos anos a mulher da sua vida. Juca havia desmontado. Sentia raiva por ter amolecido, mas não seria justo despejar em Bruna toda sua raiva num momento tão triste como este.
Os dois ainda ficaram alguns minutos sozinhos na sala, até que o agente brasileiro da PF entrou para explicar a situação em Bruna se encontrava:
- Boa tarde, Dona Bruna Andrade. Antes de mais nada gostaria de dar meus sentimentos pelo acontecido. Apesar deste momento dramático, não posso deixar de fazer meu trabalho.
Bruna suspirou, olhou para o agente e perguntou:
- O que o senhor quer de mim? É só falar. Eu respondo tudo o que o senhor quiser.
O agente olhou para Juca e continuou:
- Primeiro vamos cuidar da sua extradição. Estamos pedindo sua extradição para ser julgada no Brasil. A senhora tem direito a um advogado brasileiro para cuidar do seu caso.
Juca o interrrompeu:
- Eu cuido disso.
O agente não entendeu, mas prosseguiu:
- Dependendo da orientação do seu advogado ele pode dificultar o processo de extradição.
Bruna olhou pra Juca e disse:
- Eu quero voltar pro Brasil. Não interessa o que aconteça comigo. Eu quero voltar.
O agente sabia que talvez esta não fosse a melhor opção para Bruna, mas era de seu interesse e da sua corporação levar Bruna para o Brasil. Ainda ficou um tempo explicando alguns trâmites até que perguntou:
- Agora a senhora sabe da sua situação. Quando for julgada, existe condições que podem aliviar sua pena. Por exemplo, se nos ajudar a encontrar o Sr. Marcelo Zacaro. A senhora sabe onde ele está?
- Não.
- Se a senhora nos ajudar, isso também ajudará no seu processo. A senhora me entendeu?
- Entendi. Mas eu não sei onde ele está. E nem porque não veio saber como eu estava quando perdi nosso filho!
O agente percebeu que havia raiva naquele comentário e se aproveitou:
- A senhora me desculpe a franqueza, mas deve ser pelo mesmo motivo que ele colocou vários imóveis e bens em seu nome. Agora a senhora terá que nos explicar como conseguiu adquiri-los e não ele.
Bruna não acreditou no que ouvia. Tinha realmente assinado alguns papéis, mas nunca pensou que precisaria desconfiar de alguma coisa. O agente tentou mais uma vez:
- A senhora pensa com calma. Não existe nenhum lugar onde o Sr. Marcelo possa estar?
Bruna pensou por um tempo e teve um “estalo”:
- O barco! Vocês procuraram o barco?
- Não encontramos nenhum barco registrado em nome dele ou em seu nome.
- Não está registrado. Me lembro que Marcelo comentou que não iria registrar o iate. Ele colocou em nome de um amigo mexicano que trabalhava com ele no projeto da operadora de turismo.
O agente anotou o nome e todos os dados que Bruna sabia sobre o mexicano e saiu da sala agitado. Bruna e Juca se olharam. Por alguns instantes Bruna sentiu um arrependimento imenso. Mas depois pensou que não tinha feito tudo isso à toa, mesmo agora sendo tão difícil sentir o tamanho do amor que ela tinha por Marcelo.
Juca desviou o olhar, mesmo sem querer parar de olhar para Bruna.
Marcadores:
aborto,
amor,
Barbara Ferreira,
blog feminino,
blognovela,
deportação,
dor,
lucila,
lucila 33,
lucila33,
novela on line,
prisão,
traição,
trinta anos
Assinar:
Postagens (Atom)