Estava quase tudo acertado com a Polícia Especial de Miami. Faltava apenas um retorno sobre os filhos de Consuelo. O advogado não tinha muitas esperanças sobre isso. Sabia que os EUA não poderiam abrir um precedente como este.
Consuelo estava assustada. Acompanhada por Juca se sentia um pouco mais segura, mas sabia que ele não poderia ficar todo o tempo ao seu lado e isso a deixava apavorada. Sabia de histórias de outros latinos com a polícia e o desfecho nem sempre era bom. Mesmo assim, sabia que precisava arriscar. Por Bruna e por ela mesma.
Juca pediu para que se acalmasse e contasse tudo como tinha feito pra ele, sem medo que tudo daria certo. Consuelo entrou acompanhada de seu advogado de Bruna, que agora também era seu advogado.
Juca ficou aguardando do lado de fora. Sabia que todos os depoimentos já haviam sido colhidos, inclusive o de Bruna, que agora apenas aguardava sua extradição para o Brasil, que seria no dia seguinte. Assim, ela seria julgada em seu país, pelas leis brasileiras. Juca tinha marcado sua passagem para o dia seguinte. Depois do depoimento de Consuelo e sua legalização, não teria mais no que ser útil. Além disso, precisava voltar para a JAEH. Desde que Manú se demitira não tinha ninguém a quem pudesse confiar sua empresa.
O depoimento durou pouco mais de uma hora. Primeiro saiu o advogado. Ele fazia um sinal de positivo. Logo depois Consuelo. Logo que viu Juca, correu em sua direção:
- Seu Juca! Seu Juca! Eles vão me dar o Green Card! E meus filhos poderão vir daqui há dois anos! O senhor acredita?
A alegria de Consuelo era enorme. Juca não entendia como podia ser bom ter que esperar dois longos anos para ter seus filhos. Mas para uma mulher que não sabia se os veria novamente, realmente isso era uma grande vitória.
Juca e o advogado foram buscar as últimas informações sobre o caso com o agente brasileiro. Ele informou que se o crime de assassinato se comprovasse dificilmente Marcelo conseguiria ser safar. Sobre a extradição, talvez acontecesse por Marcelo estar respondendo a outro crime no Brasil, era a fraude da JAEH.
O advogado ainda explicou mais alguns trâmites. Depois de ficar a par de tudo, Juca fez um último pedido. Queria ver Bruna antes de partir para o Brasil. Sabia que lá seria mais difícil para ele estar com ela. O agente da PF mais uma vez deixou claro que não entendia e muito menos concordava com todo o cuidado que Juca tinha com ela, mas deu um jeitinho brasileiro e conseguiu a visita.
Bruna estava de pé olhando para a pequena janela. Não havia vista, apenas um pedacinho de céu, que Bruna agora admirava. Desde que capturaram Marcelo ela só recebia visita de seu advogado e apesar da curiosidade, se continha em perguntar sobre Juca. Como já haviam se passado alguns dias, Bruna imaginava que Juca já tivesse retornado ao Brasil. Sua surpresa foi enorme quando ouviu sua voz:
- Bruna?
- Juca? Nossa que bom te ver! Achei... achei que você já tinha voltado pro Brasil.
O guarda abriu a porta da cela e Juca entrou. Bruna que desde seu confronto com Marcelo rezava por essa visita, não se conteve e o abraçou. Juca ficou desconfortável. Ele queria corresponder, mas não podia. Se manteve duro, braços arriados ao lado do corpo. Bruna percebeu que não foi correspondida e disse:
- Desculpe. Me desculpe, eu não devia. Mas desde que eu vi o Marcelo. Aquele cachorro! Eu me sinto completamente sozinha e só você, só você que...
Bruna parou de falar. Se sentou na beira da cama e apoiou a cabeça com as mãos por um tempo e repetiu:
- Juca, me desculpe. Eu só tenho que te agradecer por tudo que tem feito por mim, mesmo eu não merecendo. Obrigada.
No seu íntimo Juca concordou. Mas se sentia frágil diante de Bruna. Pensou em falar alguma coisa, mas Bruna foi mais rápida. Ela contou sobre o rápido encontro com Marcelo, que agora não estava mais naquela delegacia. Contou sobre o que pensou, o que sentia e reforçou:
- Eu quero te ajudar. Vamos colocar ele atrás das grades. Eu vou te ajudar a recuperar tudo. Eu prometo.
Definitivamente Bruna voltava a ser a mulher por quem Juca havia se apaixonado. Decidida, forte, mas com uma aparência frágil, feminina, linda. Pensava que nada do que Bruna queria ajudá-lo a recuperar era realmente importante. O maior bem que ele tinha perdido estava ali na sua frente.
Interrompidos pelo guarda que avisou que o tempo de visita havia acabado, Juca se apressou em contar que também voltaria para o Brasil no dia seguinte e que provavelmente os dois só se veriam sob juízo. Bruna concordou. O advogado já a havia informado de como seria sua volta.
Os dois se despediram de longe e Juca saiu da visão de Bruna.
Bruna chorou.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
CAPÍTULO 43
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
CAPÍTULO 39
Juca andava de um lado para o outro no quarto do hotel. Tinha medo de sair e o agente da PF telefonar informando a situação de Bruna, Marcelo e Antônio Carlos. Mas apesar de toda sua ansiedade, o agente não ligou durante todo o dia. Juca então resolveu telefonar para saber o que estava acontecendo.
- Fala seu Juca! Estamos quase com o pedido de deportação na mão. Assim que isso acontecer, levo os três delinqüentes pro Brasil, onde poderemos cuidar deles direitinho.
Juca não gostava que Bruna fosse vista como mais uma delinqüente. Mas tinha que se controlar, afinal a ultima coisa que queria agora era perder a razão. Com calma falou:
- O advogado de Bruna me informou que vai conseguir uma condição especial para ela, devido o trauma que passou e pela ajuda que deu para localizar o Marcelo.
- É verdade. A bonitinha deve ir antes pro Brasil.
Juca definitivamente não ia com a cara daquele policial. O jeito malandro com que tratava tudo e todos incomodava Juca. Especialmente quando se referia a Bruna. Irritado, Juca perguntou:
- Antes? Antes quando? Você está sabendo de alguma coisa e não quer me dizer?
O policial riu e respondeu ríspido:
- Dr. Juca, não esqueçamos que aqui eu sou a autoridade e o senhor é nada mais que um cidadão comum. Não vamos confundir o fato da PF permitir que o senhor viesse acompanhar o processo com participar do processo. Está entendido?
Juca respondeu que sim. Sabia que o agente estava certo, então tentou mais informações junto ao advogado que havia contratado para Bruna. Segundo ele, até o final da semana Bruna voltaria para o Brasil.
Depois de algumas horas, Juca não conseguia dormir, então zapeava os canais da TV. De repente o telefone do quarto tocou. Juca se assustou e atendeu correndo:
- Yes?
- Seu Juca? – disse uma voz feminina em um portunhol enrolado.
- Sim, sou eu. Quem é?
- Boa noite Seu Juca e desculpa incomodar a essa hora. Mas só agora consegui achar o senhor. Eu sou Consuelo, trabalhava para a Dona Bruna e do Seu Marcelo e gostaria de falar com o senhor. Estou aqui embaixo na frente do hotel.
Juca se vestiu e desceu. Ele e Consuelo foram para um café próximo e depois de devidamente apresentados, Consuelo começou a falar:
- Seu Juca, o que eu vou lhe contar é importante. Mas eu preciso pedir uma coisa.
- Hummm. Sabia que estava bom demais pra ser verdade. Quanto você quer?
- Assim, o senhor me ofende! Eu não quero nada! Eu só quero seu silêncio sobre uma coisa.
- Me desculpe, Consuelo. Estou de cabeça quente e tudo que tem acontecido na minha vida me faz crer que o mundo gira mesmo em torno de dinheiro. Sobre que coisa você está falando?
- Eu sou ilegal aqui em Miami. Se não fosse por isso, já tinha ido contar o que eu sei. Mas se eu for até a delegacia, eles me mandam de volta para Cuba. Eu não posso voltar. Preciso juntar dinheiro pros meus filhos.
Juca concordou em não denunciar Consuelo. Os dois combinaram que Juca consultaria o advogado para saber qual a melhor maneira de agir.
Juca pôs-se a ouvir o que a cubana falava. Enquanto ouvia, imaginava quem mais iria procurá-lo com uma prova contra Marcelo. Primeiro foi Antônio Carlos, agora Consuelo. Imaginava que com tudo isso, seria fácil manter Marcelo preso pelo resto dos seus dias.
Consuelo era educada, mas tinha um “trejeito” latino que era inegável. Falava gesticulando, às vezes aumentava a voz. Poderia se passar por uma brasileira, principalmente quando falava com emoção na voz:
- Seu Juca. Como está Dona Bruna? Ela está bem? Eu fiquei tão preocupada quando a levaram do hospital. Meu primo Ramirez, que encontrei aqui em Miami, descobriu pra mim sobre o senhor. Ele tem um amigo na policia que contou que o senhor era ex-marido da Dona Bruna e que estava aqui para ajudá-la.
Juca se assustou com o que ouviu. Como tinha passado essa percepção de que viera para Miami para ajudar Bruna? Não era verdade! Ele queria justiça! Mesmo que isso significasse prender também Bruna. Pensando rápido, Juca concluiu que o fato de ter contratado um advogado de defesa para Bruna, pudesse passar a impressão de que ele estava ajudando a ex-mulher. Mas ele sabia que não era verdade. Ele apenas contratou um advogado, nada mais.
Juca ia se defender e explicar que não veio para ajudar Bruna, mas achou que isso pudesse reprimir Consuelo e queria ouvir o que ela tinha para contar. Consuelo tomou mais um gole do seu café e disse com cara feia:
- Ôô povo que não sabe fazer um café, não é mesmo? Bom, seu Juca, o que eu tenho pra contar, eu antes contei pra esse meu primo e ele acha que pode ajudar na investigação do Dr. Marcelo. Pra falar a verdade, eu nunca fui com a cara dele. Ao contrário de Dona Bruna. Ela sim é um doce de pessoa. Não merecia passar por isso. Não mesmo!
Em um momento de extrema frieza, Juca pensou o contrário. Bruna estava pagando pelo que fizera a ele. Consuelo notou algo estranho na expressão de Juca, que disfarçou:
- Continue Dona Consuelo, por favor.
- Claro, claro. Bom, primeiro eu queria contar que a mulher do jornal, foi atrás do seu Marcelo.
- Mulher do jornal?
- É a mulher que apareceu morta. – Consuelo tirou um recorte dobrado de jornal da bolsa e mostrou e entregou para Juca. Era um jornal de quinta, especializado em atrocidades, tragédias e todo tipo de fofoca. Nele tinha a foto do corpo de Dra. Joana.
- Dra. Joana. Sim, eu sei que ela e o Dr. Antônio Carlos deixaram um bilhete, não é isso?
Antônio Carlos já havia contato isso para Juca, mas deixou a cubana continuar:
- Ah o senhor já sabe, né? Então tá bem. A segunda coisa é que eu vi o Dr. Marcelo entregando um envelope para um homem mal encarado e depois disse uma coisa muito estranha. Ele falou pro homem que era para parecer um assalto. Achei isso muito esquisito e quando vi a foto da mulher morta, achei que pudesse ter alguma ligação.
Juca se animou. Prender Marcelo também como mandante de um crime seria maravilhoso. E perguntou:
- Você seria capaz reconhecer esse homem?
Consuelo engasgou. Ela seria sim capaz de reconhecê-lo, mas não podia ir até a delegacia. Notando o desespero de Consuelo, Juca se apressou em dizer:
- Calma. Não vou pedir pra que você vá até a delegacia. Estou só pensando.
Consuelo então contou que seria capaz de reconhecer o homem. Juca se apressou em ligar para o advogado, que sugeriu negociar com a polícia o Green Card de Consuelo em troca do seu depoimento.
Consuelo se animou.
- Fala seu Juca! Estamos quase com o pedido de deportação na mão. Assim que isso acontecer, levo os três delinqüentes pro Brasil, onde poderemos cuidar deles direitinho.
Juca não gostava que Bruna fosse vista como mais uma delinqüente. Mas tinha que se controlar, afinal a ultima coisa que queria agora era perder a razão. Com calma falou:
- O advogado de Bruna me informou que vai conseguir uma condição especial para ela, devido o trauma que passou e pela ajuda que deu para localizar o Marcelo.
- É verdade. A bonitinha deve ir antes pro Brasil.
Juca definitivamente não ia com a cara daquele policial. O jeito malandro com que tratava tudo e todos incomodava Juca. Especialmente quando se referia a Bruna. Irritado, Juca perguntou:
- Antes? Antes quando? Você está sabendo de alguma coisa e não quer me dizer?
O policial riu e respondeu ríspido:
- Dr. Juca, não esqueçamos que aqui eu sou a autoridade e o senhor é nada mais que um cidadão comum. Não vamos confundir o fato da PF permitir que o senhor viesse acompanhar o processo com participar do processo. Está entendido?
Juca respondeu que sim. Sabia que o agente estava certo, então tentou mais informações junto ao advogado que havia contratado para Bruna. Segundo ele, até o final da semana Bruna voltaria para o Brasil.
Depois de algumas horas, Juca não conseguia dormir, então zapeava os canais da TV. De repente o telefone do quarto tocou. Juca se assustou e atendeu correndo:
- Yes?
- Seu Juca? – disse uma voz feminina em um portunhol enrolado.
- Sim, sou eu. Quem é?
- Boa noite Seu Juca e desculpa incomodar a essa hora. Mas só agora consegui achar o senhor. Eu sou Consuelo, trabalhava para a Dona Bruna e do Seu Marcelo e gostaria de falar com o senhor. Estou aqui embaixo na frente do hotel.
Juca se vestiu e desceu. Ele e Consuelo foram para um café próximo e depois de devidamente apresentados, Consuelo começou a falar:
- Seu Juca, o que eu vou lhe contar é importante. Mas eu preciso pedir uma coisa.
- Hummm. Sabia que estava bom demais pra ser verdade. Quanto você quer?
- Assim, o senhor me ofende! Eu não quero nada! Eu só quero seu silêncio sobre uma coisa.
- Me desculpe, Consuelo. Estou de cabeça quente e tudo que tem acontecido na minha vida me faz crer que o mundo gira mesmo em torno de dinheiro. Sobre que coisa você está falando?
- Eu sou ilegal aqui em Miami. Se não fosse por isso, já tinha ido contar o que eu sei. Mas se eu for até a delegacia, eles me mandam de volta para Cuba. Eu não posso voltar. Preciso juntar dinheiro pros meus filhos.
Juca concordou em não denunciar Consuelo. Os dois combinaram que Juca consultaria o advogado para saber qual a melhor maneira de agir.
Juca pôs-se a ouvir o que a cubana falava. Enquanto ouvia, imaginava quem mais iria procurá-lo com uma prova contra Marcelo. Primeiro foi Antônio Carlos, agora Consuelo. Imaginava que com tudo isso, seria fácil manter Marcelo preso pelo resto dos seus dias.
Consuelo era educada, mas tinha um “trejeito” latino que era inegável. Falava gesticulando, às vezes aumentava a voz. Poderia se passar por uma brasileira, principalmente quando falava com emoção na voz:
- Seu Juca. Como está Dona Bruna? Ela está bem? Eu fiquei tão preocupada quando a levaram do hospital. Meu primo Ramirez, que encontrei aqui em Miami, descobriu pra mim sobre o senhor. Ele tem um amigo na policia que contou que o senhor era ex-marido da Dona Bruna e que estava aqui para ajudá-la.
Juca se assustou com o que ouviu. Como tinha passado essa percepção de que viera para Miami para ajudar Bruna? Não era verdade! Ele queria justiça! Mesmo que isso significasse prender também Bruna. Pensando rápido, Juca concluiu que o fato de ter contratado um advogado de defesa para Bruna, pudesse passar a impressão de que ele estava ajudando a ex-mulher. Mas ele sabia que não era verdade. Ele apenas contratou um advogado, nada mais.
Juca ia se defender e explicar que não veio para ajudar Bruna, mas achou que isso pudesse reprimir Consuelo e queria ouvir o que ela tinha para contar. Consuelo tomou mais um gole do seu café e disse com cara feia:
- Ôô povo que não sabe fazer um café, não é mesmo? Bom, seu Juca, o que eu tenho pra contar, eu antes contei pra esse meu primo e ele acha que pode ajudar na investigação do Dr. Marcelo. Pra falar a verdade, eu nunca fui com a cara dele. Ao contrário de Dona Bruna. Ela sim é um doce de pessoa. Não merecia passar por isso. Não mesmo!
Em um momento de extrema frieza, Juca pensou o contrário. Bruna estava pagando pelo que fizera a ele. Consuelo notou algo estranho na expressão de Juca, que disfarçou:
- Continue Dona Consuelo, por favor.
- Claro, claro. Bom, primeiro eu queria contar que a mulher do jornal, foi atrás do seu Marcelo.
- Mulher do jornal?
- É a mulher que apareceu morta. – Consuelo tirou um recorte dobrado de jornal da bolsa e mostrou e entregou para Juca. Era um jornal de quinta, especializado em atrocidades, tragédias e todo tipo de fofoca. Nele tinha a foto do corpo de Dra. Joana.
- Dra. Joana. Sim, eu sei que ela e o Dr. Antônio Carlos deixaram um bilhete, não é isso?
Antônio Carlos já havia contato isso para Juca, mas deixou a cubana continuar:
- Ah o senhor já sabe, né? Então tá bem. A segunda coisa é que eu vi o Dr. Marcelo entregando um envelope para um homem mal encarado e depois disse uma coisa muito estranha. Ele falou pro homem que era para parecer um assalto. Achei isso muito esquisito e quando vi a foto da mulher morta, achei que pudesse ter alguma ligação.
Juca se animou. Prender Marcelo também como mandante de um crime seria maravilhoso. E perguntou:
- Você seria capaz reconhecer esse homem?
Consuelo engasgou. Ela seria sim capaz de reconhecê-lo, mas não podia ir até a delegacia. Notando o desespero de Consuelo, Juca se apressou em dizer:
- Calma. Não vou pedir pra que você vá até a delegacia. Estou só pensando.
Consuelo então contou que seria capaz de reconhecer o homem. Juca se apressou em ligar para o advogado, que sugeriu negociar com a polícia o Green Card de Consuelo em troca do seu depoimento.
Consuelo se animou.
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terça-feira, 26 de maio de 2009
CAPÍTULO 37
Apesar da ansiedade em encontrar Marcelo Zacaro, Juca estava preocupado. Não entendia o que estava acontecendo consigo, mas sentia algo parecido com ciúmes e talvez por isso não quisesse que Marcelo aparecesse.
Juca e o agente da PF estavam sentados no escritório da Polícia Especial de Miami. O agente fazia ligações, acessava o computador, falava num inglês precário pelo rádio. Juca apenas observava. Não tinha muito o que fazer, a não ser esperar. Sempre que tinha autorização ia até a cela de Bruna. Eles conversavam, normalmente sobre o processo. Mas nunca tinham muito tempo. O permitido era no máximo vinte minutos.
Enquanto observava toda a agitação do lugar, notou um entusiasmo exacerbado do agente brasileiro, que imediatamente correu até Juca e disse:
- Pegamos o filho da puta!
Juca não comemorou. Estava com todos aqueles sentimentos confusos. Apenas sorriu e bateu nas costas do policial, o cumprimentado pela vitória. Logo depois perguntou:
- Posso contar à Bruna?
O agente quase se ofendeu:
- Não! Aliás, ninguém fala com a garota até segunda ordem!
O agente saiu e passou a orientação para os demais. Bruna ficaria um tempo sem receber visitas. A sua idéia era confrontá-los em testemunho, pois ao contrário de Juca, o agente desconfiava da inocência de Bruna.
Horas depois, Juca ainda esperava o retorno da equipe. Mas já tinha sido avisado que também não teria acesso à Marcelo. Então, resolveu sair da delegacia. Foi caminhando até o hotel, pediu indicação de um barbeiro e cortou os cabelos que estavam em total descuido. Fez a barba, comprou um casaco novo e de banho tomado, o vestiu. De novo parecia o antigo Juca: alinhado, charmoso, um gentleman.
Ao invés de voltar para delegacia, apenas ligou para saber se poderia ser útil. Não seria. Apenas o advogado de Bruna poderia participar das averiguações. Diante disso, saiu novamente do hotel afim de procurar um bom restaurante para comer. Assim que saiu do hotel foi interceptado por Antônio Carlos, seu antigo funcionário que junto com Dra. Joana se tornaram cúmplices de Marcelo e Waldemar Zacaro no esquema dos hospitais. Juca se assustou quando viu Antônio Carlos:
- Juca? Me desculpe, não queria te assustar.
- Mas assustou. O que você está fazendo aqui seu filho da mãe! ? – alterado, ficou vermelho e parecia querer agredir Antônio Carlos. Este, deu passou para trás e disse nitidamente apavorado:
- Desculpa! Me desculpe! Eu vim aqui para falar com você. Preciso da sua ajuda!
Juca riu debochado.
- Da minha ajuda? E porque você acha que eu iria ajudá-lo? Você é um desgraçado e por causa da sua ambição, acabou com a minha vida!
- Eu sei! Mas por favor, me escute! Eu vou me entregar! Eu conto tudo o que precisarem! Mas preciso de proteção.
- Proteção?
Antônio Carlos claramente tinha entrado no esquema de gaiato. Era óbvia a sua não vocação para este tipo de golpe. Era medroso, covarde e agora se parecia com uma criança assuntada. Gaguejando e olhando para os lados como se precisasse se certificar de que não era seguido, falou:
- Marcelo contratou um homem para nos matar. Ele matou Joana! Ela está morta. Morta!
Juca entendendo a gravidade da situação, o fez entrar no hotel. Subiram para o quarto. Juca lhe deu copo d’água e pediu para que ele se acalmasse. Depois falou:
- Agora me conta tudo desde o começo.
Antônio Carlos contou que quando o esquema fora descoberto e Waldemar preso, ele e Joana não conseguiam mais contato com Marcelo. Depois de um tempo foragidos, conseguiram localizar Marcelo em Miami. Ele também contou do acordo que os três fizeram e sobre o pedido de Marcelo para que eles saíssem de Miami e enviassem seus novos endereços para uma caixa postal. Dias depois do envio do endereço, Joana e Antônio Carlos tiveram a impressão de estarem sendo seguidos. Estavam certos. Um dia pela manhã, diferente de sua rotina habitual, Antonio Carlos acordou antes de Joana e resolveu ir até a padaria. Foi a sua sorte, pois quando voltou Joana já estava morta e seu assassino o esperava. Mas Antonio conseguiu fugir.
Juca ouvia tudo apavorado. Pensava em Bruna e que talvez ele tivesse sido agressivo com ela. Mas conseguiu retomar seu foco para o problema principal: o que fazer com Antônio Carlos? Tentou ligar para o agente da PF, mas não conseguiu falar. Ele deveria estar na apreensão de Marcelo. Juca então, decidiu que Antônio passaria a noite no hotel com ele. No dia seguinte ele mesmo o levaria para a delegacia.
Antônio estava tão cansado que depois do banho e de vestir as roupas emprestadas por Juca, desmaiou na cama. Arrependimento era mais do que uma palavra para descrever aquele homem que agora tinha medo da morte.
No dia seguinte, logo cedo, Juca contou ao agente o que havia acontecido. Foram para a delegacia. Antônio iria depor também. Mas desta vez, Juca não providenciaria nenhum advogado. Enquanto explicava isso ao agente, Marcelo entrou algemado e escoltado por dois policiais. Ele passou pelo corredor lateral da sala onde Juca estava. Cabeça erguida, andar imponente, nem parecia estar sendo preso.
Ele e Juca trocaram olhares e Marcelo ainda teve a empáfia de cumprimentá-lo com um balançar de cabeça. Juca se controlou para não voar em cima dele.
Logo depois, Juca voltou ao hotel a pedido do agente , que prometia ter respostas sobre a deportação dos três em poucos dias.
Juca e o agente da PF estavam sentados no escritório da Polícia Especial de Miami. O agente fazia ligações, acessava o computador, falava num inglês precário pelo rádio. Juca apenas observava. Não tinha muito o que fazer, a não ser esperar. Sempre que tinha autorização ia até a cela de Bruna. Eles conversavam, normalmente sobre o processo. Mas nunca tinham muito tempo. O permitido era no máximo vinte minutos.
Enquanto observava toda a agitação do lugar, notou um entusiasmo exacerbado do agente brasileiro, que imediatamente correu até Juca e disse:
- Pegamos o filho da puta!
Juca não comemorou. Estava com todos aqueles sentimentos confusos. Apenas sorriu e bateu nas costas do policial, o cumprimentado pela vitória. Logo depois perguntou:
- Posso contar à Bruna?
O agente quase se ofendeu:
- Não! Aliás, ninguém fala com a garota até segunda ordem!
O agente saiu e passou a orientação para os demais. Bruna ficaria um tempo sem receber visitas. A sua idéia era confrontá-los em testemunho, pois ao contrário de Juca, o agente desconfiava da inocência de Bruna.
Horas depois, Juca ainda esperava o retorno da equipe. Mas já tinha sido avisado que também não teria acesso à Marcelo. Então, resolveu sair da delegacia. Foi caminhando até o hotel, pediu indicação de um barbeiro e cortou os cabelos que estavam em total descuido. Fez a barba, comprou um casaco novo e de banho tomado, o vestiu. De novo parecia o antigo Juca: alinhado, charmoso, um gentleman.
Ao invés de voltar para delegacia, apenas ligou para saber se poderia ser útil. Não seria. Apenas o advogado de Bruna poderia participar das averiguações. Diante disso, saiu novamente do hotel afim de procurar um bom restaurante para comer. Assim que saiu do hotel foi interceptado por Antônio Carlos, seu antigo funcionário que junto com Dra. Joana se tornaram cúmplices de Marcelo e Waldemar Zacaro no esquema dos hospitais. Juca se assustou quando viu Antônio Carlos:
- Juca? Me desculpe, não queria te assustar.
- Mas assustou. O que você está fazendo aqui seu filho da mãe! ? – alterado, ficou vermelho e parecia querer agredir Antônio Carlos. Este, deu passou para trás e disse nitidamente apavorado:
- Desculpa! Me desculpe! Eu vim aqui para falar com você. Preciso da sua ajuda!
Juca riu debochado.
- Da minha ajuda? E porque você acha que eu iria ajudá-lo? Você é um desgraçado e por causa da sua ambição, acabou com a minha vida!
- Eu sei! Mas por favor, me escute! Eu vou me entregar! Eu conto tudo o que precisarem! Mas preciso de proteção.
- Proteção?
Antônio Carlos claramente tinha entrado no esquema de gaiato. Era óbvia a sua não vocação para este tipo de golpe. Era medroso, covarde e agora se parecia com uma criança assuntada. Gaguejando e olhando para os lados como se precisasse se certificar de que não era seguido, falou:
- Marcelo contratou um homem para nos matar. Ele matou Joana! Ela está morta. Morta!
Juca entendendo a gravidade da situação, o fez entrar no hotel. Subiram para o quarto. Juca lhe deu copo d’água e pediu para que ele se acalmasse. Depois falou:
- Agora me conta tudo desde o começo.
Antônio Carlos contou que quando o esquema fora descoberto e Waldemar preso, ele e Joana não conseguiam mais contato com Marcelo. Depois de um tempo foragidos, conseguiram localizar Marcelo em Miami. Ele também contou do acordo que os três fizeram e sobre o pedido de Marcelo para que eles saíssem de Miami e enviassem seus novos endereços para uma caixa postal. Dias depois do envio do endereço, Joana e Antônio Carlos tiveram a impressão de estarem sendo seguidos. Estavam certos. Um dia pela manhã, diferente de sua rotina habitual, Antonio Carlos acordou antes de Joana e resolveu ir até a padaria. Foi a sua sorte, pois quando voltou Joana já estava morta e seu assassino o esperava. Mas Antonio conseguiu fugir.
Juca ouvia tudo apavorado. Pensava em Bruna e que talvez ele tivesse sido agressivo com ela. Mas conseguiu retomar seu foco para o problema principal: o que fazer com Antônio Carlos? Tentou ligar para o agente da PF, mas não conseguiu falar. Ele deveria estar na apreensão de Marcelo. Juca então, decidiu que Antônio passaria a noite no hotel com ele. No dia seguinte ele mesmo o levaria para a delegacia.
Antônio estava tão cansado que depois do banho e de vestir as roupas emprestadas por Juca, desmaiou na cama. Arrependimento era mais do que uma palavra para descrever aquele homem que agora tinha medo da morte.
No dia seguinte, logo cedo, Juca contou ao agente o que havia acontecido. Foram para a delegacia. Antônio iria depor também. Mas desta vez, Juca não providenciaria nenhum advogado. Enquanto explicava isso ao agente, Marcelo entrou algemado e escoltado por dois policiais. Ele passou pelo corredor lateral da sala onde Juca estava. Cabeça erguida, andar imponente, nem parecia estar sendo preso.
Ele e Juca trocaram olhares e Marcelo ainda teve a empáfia de cumprimentá-lo com um balançar de cabeça. Juca se controlou para não voar em cima dele.
Logo depois, Juca voltou ao hotel a pedido do agente , que prometia ter respostas sobre a deportação dos três em poucos dias.
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