sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

VALEU SAMPA!


Pessoal, o lançamento em Sampa foi um sucesso! Agradeço a todos que puderam ir, e aos que não puderam, mas que tenho certeza de que ficaram na torcida! Foi demais

E pra quem quiser comprar o livro pra ler, pra dar pro amigo ou pro inimigo...rsrsrsrs..pode comprar através do site da editora ou clicar no link aqui do lado.

O lançamento no Rio será dia 18 de dezembro. Em breve...convite aqui no blog!

beijos
Babi

segunda-feira, 29 de junho de 2009

RECADO ÀS LEITORAS

Lucila 33 começou como uma brincadeira e acabou também como uma brincadeira. Mas uma brincadeira que não tem tanta graça se for pra brincar sozinha. Por isso que foi bom! Bom demais!

Agradeço às minhas amigas, MH e Tino, pelos comentários no blog, os e-mails, telefonemas e todo o incentivo.
Obrigada pelas maravilhosas conversas de bar, onde ,entre um chope e outro, personagens foram tratados como reais. Pelos desabafos nos corredores. Pelo sofrimento, nervosismo e às vezes a insatisfação declarada como sempre, abertamente.

Pois, é claro, somos mulheres, e não somos boas com segredos, em engolir sapos, em ficar caladas. Somos mais emoção do que razão. E com toda razão, precisamos nos expressar. E a expressão de vocês que permitiu que a brincadeira começasse, seguisse e terminasse.

Muito obrigada! E até a próxima!

Beijos,
Babi (33)

CAPÍTULO 50 - THE END

Lucila dava os últimos retoques no seu visual. O vestido preto lhe garantia uma silhueta perfeita, a maquiagem bem desenhada a deixava orgulhosa de si mesma. Estava linda. Linda para o seu dia e para o seu amor.

Cadu a esperava ansioso na sala. Andava de um lado para outro. Estava nervoso e aparentemente não tinha nenhum motivo para isso.

Depois de alguns longos minutos, Lucila finalmente apareceu no corredor da sala:
- E aí? Como eu estou?

Ele não precisou fazer tipo, nem pensar em sua resposta. Aliás, depois da cara que fez, nem precisava ter dito nada. Era óbvio que estava encantado com o que via, mas mesmo assim, sua gentileza habitual o fez expressar o que via:
- Uau! Nossa!!!! Você está maravilhosa!

Lucila riu ainda mais orgulhosa. Sabia que estava bonita, mas o elogio da Cadú era muito importante, representava um novo momento na sua vida, com sua auto-estima, com sua nova idade que estava se aproximando.

Ana, André, Flávio, Marcos, Tadeu e Carla já esperavam pela aniversariante na boate reservada. Lucila havia chamado todos seus amigos. A meia-noite Lucila completaria 34 anos e este ano era diferente, ela se sentia especial e queria dividir isso com as pessoas que amava.

Pouco depois, Lucila entrou na boate radiante, foi aplaudida pelos amigos, estava pronta para curtir sua festa.

Aos poucos outros convidados foram chegando. Bardot, que surpreendeu aparecendo acompanhada de um belo rapaz. Sim, um rapaz! Ele não tinha trinta anos, mas parecia encantado com o jeito brincalhão e despojado de Bardot.

Outra surpresa da festa foi Juca que também surgiu de mãos dadas com uma exuberante mulher. Não era qualquer mulher. Com uma mini-saia e um enorme decote chamou atenção de todos no lugar. Lucila se aproximou para cumprimentá-los:
- Juca! Que surpresa! Que bom que você veio. Aliás, que bom que vocês vieram. Como você está Manú?

Manú sorriu docemente, contradizendo a sua aparência de mulher fatal.
Ainda curiosa sobre o novo casal, Lucila, que nunca teve papas-na-língua, perguntou:
- Mas, me diz uma coisa? Que novidade é essa? Vocês estão juntos?

Manú não respondeu, apenas olhou para Juca esperando uma resposta de seu amado, que prontamente respondeu:
- Existem coisas que só o tempo pode nos mostrar. Manú deixou de ser meu braço direito, passou a ser uma grande amiga e foi por esta amiga e hoje é a mulher por quem dia a dia eu me encanto mais e mais. O mundo gira, minha vida mudou e só quero acreditar que se tudo continua com seu curso, eu....aliás, nós vamos seguir o nosso curso.

Manú ria frouxo de felicidade. Finalmente tinha conseguido o que queria, estava ao lado de Juca. Agora como sua namorada. Neste momento Manú se afastou de Lucila e

Juca para cumprimentar alguém que passava. Lucila em tom de cúmplice aproveitou o momento e falou para Juca:
- Espero que esteja feliz, você merece. Sei que não devia tocar neste assunto, mas entenda como um pedido de uma aniversariante, ok? O que houve com Bruna, onde ela está?

Juca riu. E com bom humor respondeu:
- Ela está bem. Está com Jesus. Mas isso é uma história para outro dia. Vamos beber alguma coisa?

A noite corria muito bem, todos se divertiam. Ana e André dançavam, riam. Lucila reparou nos dois. Ficava em ver aquele casal tão feliz. Se juntou a eles. Ficaram muito tempo conversando, rindo, dançando. Até que Lucila olhou para o copo de Ana e exclamou:
- Coca-cola? Coca-cola normal? Não é light?

Ana riu. André ficou nervoso. E Lucila disparou com a intimidade de uma melhor amiga:
- Você está grávida!

Ana corou. Sabia que daria bandeira em rejeitar sua cervejinha habitual. Não tinha como negar. Estava grávida! Os três se abraçaram e Ana disse:
- Já que é um dia especial, saiba que você acaba de ganhar um afilhado!

Lucila se emocionou.

O que mais de bom poderia acontecer? A noite estava divina. Lucila e Cadú se completavam, apesar do evidente nervosismo que ele demonstrava. Ele estava inquieto, acanhado, nervoso. Mas podia ser pelo pouco tempo de namoro e a conseqüente falta de intimidade com a maioria dos convidados.

A meia-noite o DJ anunciou uma pausa para os parabéns. Cadu se juntou a ela perto do bolo. A luzes se acenderam e todos começaram a cantar. Pose para fotos. E entre um flash e outro Lucila achou ter visto Rafa. Mas não fazia nenhum sentido e a alegria do momento a fez dispersar.

Lucila entregou orgulhosa o primeiro pedaço de bolo ao seu namorado. A festa prosseguiu até altas horas.

Como era a anfitriã, Lucila foi a última a ir embora. Ela e Cadú já estavam mortos jogados nos sofás da boate, acompanhando os garçons em sua arrumação frenética. Cadeiras sobre as mesas, vassouras. Era hora de ir.

Lucila foi ao banheiro, antes do casal partir. Cadú ficou sentando a esperando. Foi quando alguém bateu em seu ombro:
- E aí bonitão? Aproveitou a festa?

- Você de novo? Não basta encher o eu saco me ligando o dia inteiro, querendo me intimidar. Você é muito cara-de-pau de vir a uma festa que não foi convidado.

- Tem certeza de que não fui? Não tem, não é?

Lucila voltou do banheiro e não acreditou na cena que via. Cadu discutia com... Rafa! Não tinha sido uma alucinação. Ele estava mesmo lá. Ela correu em direção aos dois que estavam a um passo de trocar socos.
- O que está acontecendo? O que vocês estão fazendo?

Rafa sorriu, como se nada tivesse acontecido. Se aproximou de Lucila, pegou sua mão e com a voz melada disse:
- Parabéns meu amor. Você está linda.

Lucila puxou a mão atordoada. Olhou para Cadu que estava vermelho de raiva e agora furioso perguntava:
- Lucila! Você convidou este canalha?

Antes que Lucila pudesse responder, irônico, Rafa disse para Cadú:
- Ah... você achava mesmo que eu não viria? Meu amigo, você acabou de chegar. E eu? Eu faço parte da vida de Lucila há muito tempo. Não existe a possibilidade de eu não estar na sua festa de aniversário. Entendeu?

Lucila estava tonta. Não entendia o que Rafa estava fazendo ali. Estava magoada com o jeito que Cadu se dirigiu a ela. Decidiu sair e deixar os dois pra trás. Saiu correndo em direção a porta.

Cadu foi atrás gritando seu nome. Lucila se irritou:
- Me deixa em paz. Eu cansada. Chega dessa confusão!

Batendo a porta do táxi, foi embora.

Foi chorando até sua casa. Não sabia direito por que. Não era por Rafa, nem por Cadú. Era por ela. Vivia tão em função dos homens ou a procura deles, que às vezes se esquecia dela mesma. Dos seus gostos, dos seus desejos.
- O que eu realmente quero para mim? – pensou em voz alta, despertando a curiosidade do motorista.

Ela queria um trabalho legal, ela tinha. Um apartamento confortável, ela tinha. Talvez não tivesse todas as roupas de que gostaria, mas certamente tinha os melhores amigos. E tinha Cadú, com quem não precisava fingir ser outra pessoa. Não existiam expectativas, nem cobranças, era bom. Mas até onde iria? Até onde Lucila queria ir?

Entrando em casa, foi direto para a cama. Se atirou sem mesmo tirar a roupa. Sentiu que tinha deitado em cima de alguma coisa. Era uma caixa. Uma caixa de jóia em feltro preto. Lucila abriu e eram duas alianças douradas. Sentiu um calafrio.

A campainha tocou, ela saiu em disparada. Só podia ser Cadú que correu para a ver abrir seu presente e para a pedir em casamento. Lucila abriu a porta afoita, com a caixa na mão.
- Oi Lú. Humm estou vendo que achou meu presentinho. Pelo seu sorriso, entendo que isso é um sim.

Ele se aproximou dela. Lucila sem pensar reagiu aos seus instintos e lhe deu um tapa na cara.
- O que você acha que eu sou, hein, Rafa? Acha que eu vou amolecer por causa dessa porcaria? Quem te deu permissão pra entrar na minha casa! Toma isso e vai embora. Você já arruinou demais minha vida, não vai estragar meu aniversário.

Batendo a porta na cara do ex-namorado, Lucila correu para ligar para Cadú.
- Onde você está?

- Estou aqui embaixo. Acabei de ver um pilantra saindo do prédio com cinco dedos estampados na cara. Você tem idéia do que seja isso?

Os dois riram. Cadú subiu.

Não foi naquela noite que Cadú a pediu em casamento, e na verdade, nem ela sabia quando seria. Mas estavam felizes, se completavam, se entendiam.
Lucila teve certeza de que era aquilo que ela queria para sua vida. A forma como o relacionamento aconteceria, se seria um namoro, um casamento, morar juntos ... isso agora não era a questão. Ela tinha o mais importante: o amor da sua vida.


FIM

domingo, 28 de junho de 2009

CAPÍTULO 49

Algumas semanas depois...

Juca aos poucos recuperava o prestígio que perdera no mercado. A condenação de Marcelo Zacaro, Waldemar Zacaro e de Antonio Carlos, o ajudou a reforçar sua inocência.

Há algumas semanas Manú voltou a trabalhar na JAEH. Entediada em seu novo emprego, não resistiu ao pedido de seu antigo chefe. Os dois trabalhavam loucamente, tentando colocar as coisas no lugar.

Em uma manhã, como de costume, Manú separava a correspondência de Juca. No meio de contas, boletos, uma carta de Bruna. Era um envelope pardo e grande. O ciúme de Manú mais uma vez falava mais alto e a lembrava o motivo que a tinha feito se demitir.
Seu primeiro pensamento foi dar um fim aquela carta. Logo agora que as coisas iam tão bem. Ela e Juca eram mais do que companheiros de trabalho, eram amigos, cúmplices. Dividiam seus momentos de lazer, suas angústias, suas alegrias. Há dias

Juca não ouvia falar em Bruna. Segundo ele, a tentativa de reaproximação dos dois foi um fracasso. Juca nunca esqueceria a traição. Bruna não se sentia merecedora do carinho do ex-marido. A combinação disso tudo era desastrosa. Sem combinar, se afastaram. Com o tempo, os dois pararam de se telefonar, de se encontrar e atualmente Juca não tinha notícias da ex-mulher. Mas agora Bruna enviava uma carta e Manú fervia de raiva.

Antes que pudesse tomar qualquer atitude, Juca entrou pela sala. Brincalhão, deu um tapinha na cadeira de Manú e puxou da suas mãos o envelope pardo:
- Humm... hora da correspondência. Será que Papai Noel finalmente vai responder minha cartinha?

Ainda rindo, começou a ver do que se tratava o envelope. Mas ao contrário do que ele mesmo esperaria dele, não ficou nervoso, nem se abalou o perceber que eram notícias de Bruna. Rasgou o envelope e antes de ler disse:
- É da Bruna. Vamos ver o que ela quer.

Juca começou a ler em voz alta. Manú se surpreendeu, mas se ajeitou na cadeira para ouví-lo.


Juca,
Não repetirei nesta carta o meu pedido de desculpas e nem espero que um dia você consiga realmente me desculpar. Escrevo esta para lhe agradecer por tudo que fez por mim, mesmo eu não merecendo.
Continuo fazendo meu trabalho voluntário, de acordo com a minha sentença. Por incrível que pareça, é o meu melhor momento. É quando me sinto útil e que realmente faço algo de bom para alguém. Dar aulas para crianças carentes é um privilégio. Ensino informática, mas acho que aprendo muito mais do que ensino.
E foi através deste projeto social, que conheci o Pastor Germano. Um homem bom, que semanalmente sai de sua igreja para ensinar a palavra de Deus a estes pequeninos seres. Eu sempre assisto às suas aulas e confesso que há anos não me sentia tão próxima de Deus. Foi através da palavra do Pastor Germano que me converti e hoje sou mais uma em seu rebanho.
Hoje trabalho para a igreja e o que recebo é o suficiente para manter minha nova casa. Simples, mas cheia de amor. Percebi que tenho tudo o que preciso. Tenho Jesus, nada mais me falta.
Todos os dias, durante o culto, peço a Deus que ilumine seus caminhos e que Jesus abençoe um homem tão bom como você. Peço também por Lucila e Ana, amigas tão especiais, que merecem a glória divina.
Por isso, lhe envio a escritura do apartamento. Não preciso dele, nem de sua caridosa pensão. Estou bem, em paz e feliz. Meus dias de trevas terminaram. Graças à Jesus, hoje estou diante da luz.
Que Jesus lhe acompanhe.
Bruna.



Manú tinha vontade de rir, mas se controlou. Juca ficou pasmo relendo para se certificar do que tinha acabado de ler. Procurou no envelope e realmente os documentos do apartamento estavam lá, todos em seu nome. Bruna tinha virado evangélica? Seria mesmo a igreja evangélica o abrigo dos arrependidos?

terça-feira, 23 de junho de 2009

CAPÍTULO 48

Bruna entrou no apartamento e sentiu algo que há muito tempo não sentia: se sentia em casa. Nem no apartamento de Marcelo ou na mansão em Miami conseguia ficar tão a vontade como estava agora. Aquela era sua casa. Ou tinha sido. Lá havia passado ótimos momentos. Momentos com Juca, com ela mesma, com os amigos.

Amigos. Não tinha mais amigos, não tinha coragem nem de tentar reconquistá-los. Traíra a confiança de suas melhores amigas. Usou Lucila, sabia disso.
No momento em que tudo aconteceu, não percebia o tamanho da sua própria traição. Não percebeu como foi baixa, dissimulada, cruel. Agora tinha vergonha de si mesma e aceitava estar sozinha sob pena de seus próprios erros.

Sentou-se na beirada da cama. Apesar de sentir em casa, não se sentia livre para se esparramar naquela cama. Voltou pra sala, onde as lembranças eram mais amenas. Pegou um porta-retrato com uma foto de seu casamento. Ela e Juca lindos, felizes, olhos brilhantes, caras rosadas, cheios de amor. “- Acabou” – pensou em sua certeza.

Estava cansada e com fome. Resolveu tomar um banho e preparar algo para comer. Ainda enrolada na toalha, foi até a cozinha ver o que encontrava. Encontrou Juca. Sentando na mesa, cabeça baixa, parecia não saber direito que estava fazendo. E não sabia.

Bruna se assustou, mas logo ficou calma. A presença de Juca lhe dava muita paz. Como se eles tivessem voltado ao passado, Bruna caminhou tranqüilamente até a dispensa e perguntou:
- Está com fome?

Juca entrou no mesmo clima. Sacudiu a cabeça dizendo que sim. E os dois juntos, sem explicarem nada, começaram a preparar o almoço. Conversaram amenidades, riram, arrumaram a mesa. Comeram juntos com uma conversa gostosa, sem pretensões. Nenhum dos dois sabia como e porque isso acontecia, mas deixaram fluir. Juca que não tinha certeza de como tinha ido parar ali, agora tirava os sapatos. Estava em sua casa, com alguém que se parecia com sua esposa. Não houve carícias de casal. Na verdade nem se tocaram. Apenas conversaram e também dividiram o mesmo silêncio. Ficaram a tarde juntos e a noite também. Dormiram no sofá da sala com a TV ligada. Era tudo muito tranqüilo, muito normal. Parecia que nada havia mudado.

No dia seguinte, os dois seguiram sua rotina, ignorando os últimos meses. Bruna tentou por algumas vezes falar com Juca sobre o que estava acontecendo. Ele sempre mudava de assunto. Quando estava pronto para ir para a JAEH, Bruna insistiu mais uma vez:
- Juca, não podemos fingir que nada aconteceu. Precisamos conversar.

Juca se irritou, respondeu ríspido:
- Quem foi o lesado da situação fui eu não foi? Então eu decido quando quero conversar, Bruna.

Bruna também gritou:
- Eu te fiz mal. Muito mal. O maior mal que eu poderia de fazer, eu sei disso! Mas eu também sofri, também levei meu troco. Me apaixonei por um canalha, perdi um filho, perdi meus amigos, minhas referências, minha ética. Agora estou aqui recebendo seu carinho. Um carinho de que preciso, mas sei que não mereço. Sinto o mesmo amor por você que sentia há meses, mas ele tem marcas, tem cicatrizes. Você sabe disso e não podemos fingir que nada aconteceu. Como você vai passar por cima de tudo que eu te fiz passar?

Juca se sentou novamente, largou sua pasta. Começou a chorar. Sabia que Bruna estava certa. Podia fingir que nada aconteceu apenas por alguns dias. Certamente em algum momento, alguma palavra, algum gesto, alguma coisa o lembraria de Marcelo, dos dois juntos, da dor. Ele amava Bruna, mas não conseguia perdoá-la.

Bruna interpretava o choro de Juca:
- Você não me perdoou, não é? Eu sei. Eu entendo e acho que também não conseguiria passar por cima de tudo. Eu quero voltar a nossa vida. Quero muito! Mais do que tudo! Mas não posso! A culpa, o sentimento de remorso e a falta do seu perdão, não vão nos permitir sermos felizes de novo.

Juca desabou, mas soluçando falou:
- Eu não entendo. O que aconteceu? Porque você fez isso comigo? Eu sei que não merecia. Éramos felizes, não éramos?

- Éramos muito felizes, Juca. Não me faltava nada, nem material, nem amor, nem nada. Nunca esperei que nosso casamento fosse uma eterna história romântica, sabia que um dia as coisas iam esfriar. Estava pronta pra isso, teria seu companheirismo, sua amizade e nosso amor. Já seria suficiente. Mas me enganei. Quando vi a possibilidade de transbordar novamente romantismo e paixão em minha vida, não resisti. Marcelo apareceu, se mostrou mais presente, mais apaixonado, mais disponível. Eu me encantei por ele. Fui manipulada em meu romantismo.

Juca nunca imaginou compreender Bruna. Mas compreendeu. A conhecia tão bem, que sabia o quanto era romântica, o quanto precisava disso. Foi assim que a conquistou, com o mais puro romantismo. Entendia o que havia acontecido, se culpava por ter deixado acontecer, mas também sabia que o casamento chegaria a ter dias mais amenos e também não achava isso ruim. Se perguntava se perdoaria Bruna algum dia. Se conseguiria confiar nela novamente.

Os dois ficaram um tempo em silêncio. Não havia mais nada pra ser dito. Juca reafirmou que o apartamento seria dela. Ele voltaria a seu flat.

Antes de sair, Juca a olhou pra Bruna com ternura. Bruna retribuiu e disse:
- Quando quiser, se quiser, como quiser. Podemos tentar.
Juca balançou a cabeça e saiu.

Nos dias que seguiram, eles se falavam por telefone. Depois começaram a almoçar juntos em um ou outro restaurante. Foram ao cinema. Eram bons amigos.



Na Bahia outro casal também adormeceu junto. Mas dormiram exaustos, cansados de se sentirem felizes, de se amarem. Lucila recuperou suas forças e também as extinguiu nos braços de Cadu. Os dois não conversaram, não acertaram os pontos. Não houve DR*, apenas seguiram seus instintos, exatamente como na primeira noite que ficaram juntos.

O dia acordou ensolarado, como se espera de um dia na Bahia. Os dois se olharam amassados, riram com a intimidade de quem nunca acordou junto. Se abraçaram, se beijaram e se amaram novamente. Lucila em alguns momentos achava que ia acordar, que tudo não passava de um sonho.

No seu íntimo confundia Cadú com outra pessoa. Não sabia direito quem ele era. Mas o Cadú piadista, às vezes sem graça, descombinado, largado não era o mesmo Cadu que a puxava pelos cabelos, que a beijava com delicadeza. Era difícil entender que eles eram um só. Lucila sabia, em sua experiência, que entre quatro paredes as pessoas se revelam novas pessoas. Mas também conhecia o Cadú que a consolou no calçadão de Copacabana, que foi seu amigo. O Cadú companheiro de trabalho, inteligente, esperto, ativo e que duplava com ela como ninguém. Todos esses “cadus” eram aquele homem que estava ao seu lado agora. Não era um príncipe encantado, não era perfeito, nem lindo, nem o melhor amante do mundo. Era o homem que ela queria agora. Pra agora e pra sempre. Ou para quanto o sempre durasse.


* discutir a relação